Seis tendências nos investimentos para 2021

Prever o futuro é um jogo arriscado, assim como tomar decisões de investimento com base no passado.

Benjamin Curry e Bob Sullivan
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da kuk/GettyImages
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Prever o futuro é um jogo arriscado, assim como tomar decisões de investimento com base no passado

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É difícil imaginar uma montanha-russa mais dramática para os investidores do que o ano de 2020. As incertezas trazidas pelo coronavírus foram uma mistura da Grande Recessão com a bolha do PontoCom agrupados e comprimidos em doze meses. Essa experiência deve servir de lição para os investidores em 2021: tentar prever o futuro é um jogo arriscado.

“O S&P 500 caiu mais de 33% em março, os EUA tiveram uma eleição presidencial conturbada e estamos no meio de uma pandemia global ainda longe de ter fim. E apesar disso, o S&P 500 fechou o ano batendo recordes. Ninguém poderia ter previsto isso e ninguém sabe o que 2021 nos trará”, comentou o planejador financeiro Desmond Henry, do Kansas. “Se 2020 provou alguma coisa, é que o mercado é impossível de prever, então é por isso que eu não tento.”

Princípios bem estabelecidos, como investir no longo prazo com uma carteira diversificada, de baixo custo e apenas verificar o saldo do seu investimento ocasionalmente continuam sendo os melhores conselhos para todos os investidores.

Ainda assim, é impossível ignorar fatos que podem impactar o mercado nos próximos meses, selecionamos aqui algumas destas principais tendências:

1. O impacto das vacinas nas ações

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Se a indústria farmacêutica conseguir colocar a Covid-19 sob controle ao longo de 2021 será um triunfo para a ciência e as companhias envolvidas neste esforço serão generosamente recompensadas.

Alguns vencedores serão óbvios, como fabricantes de vacinas como Pfizer ou Moderna, mas empresas que trabalham com drogas terapêuticas como Regeneron também serão beneficiadas.

Teremos os vencedores menos óbvios também. A distribuição das vacinas exige um enorme esforço logístico e algumas delas demandam transporte super especializado, portanto as empresas que vendem essas tecnologias podem se beneficiar.

2. Demanda reprimida por ações de viagens

Muitos outros setores deverão dar um salto se o mundo começar a voltar ao normal em 2021. A demanda reprimida por viagens poderia levar a uma corrida do ouro por ações das companhias aéreas, hotéis e indústria do turismo no geral.

Esse retorno da atividade econômica impactará positivamente as cidades turísticas mais atingidas em todo o mundo. Quanto? Seth Carpenter, economista-chefe do UBS nos EUA, previu em novembro que em meados de junho podemos ver um retorno dos turistas em algumas cidades norte-americanas, o que adicionaria até 1,25% ao PIB dos EUA neste ano.

3. Cuidado com as ações das ‘empresas da pandemia’

Muitas empresas que registraram ganhos surpreendentes em 2020 podem ser ameaçadas por um possível retorno à normalidade, uma amostra são as ações do Zoom que na tarde de ontem (1) recuavam quase 20% em Wall Street, apesar da ferramenta ainda ser amplamente utilizada como alternativa aos encontros presenciais.

O Zoom e outras grandes empresas que cresceram na pandemia com o trabalho remoto dificilmente deixarão de existir, mas o crescimento neste setor provavelmente entrará em uma nova fase.

4. Esteja ciente da rotação setorial

Novas fases de investimento são normais. No mercado de ações, eles são chamados de rotações setoriais ou rotação de carteira. O dinheiro corre atrás dos ganhos em certos setores até que uma alta se esgote, e então corre para outros setores.

É comum que um aumento no investimento em ativos de tecnologia e alto risco venha seguido de uma corrida para ações mais perenes, como o setor de serviços públicos. Por isso, é bem provável assistirmos novas rotações setoriais nos próximos meses.

5. As ações ‘FAANG’ estão ficando velhas

A abertura da economia e as tendências de rotação nos levam às ações FAANG e seu impacto de mercado descomunal nos últimos anos. FAANG é um apelido de Wall Street para Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google (agora chamado de Alphabet) – embora a Microsoft às vezes seja substituída pela Netflix na sigla, tornando-a FAAMG.

Seja como for, essa cesta de gigantes da tecnologia representa cerca de 20% do valor do S&P 500. Mais importante, durante 2020 eles representaram uma porção gigante dos ganhos vistos no índice.

O que resta saber é se essas ações podem continuar subindo como foguetes. Se isso não fizerem, os investidores migrarão para outros ativos de tecnologia ou para outros setores? Como uma estagnação nas FAANG pode impactar o mercado? Neste contexto, notícias em qualquer direção podem ter grandes implicações em algumas carteiras de investimentos.

6. Esteja pronto para o inesperado

As previsões são difíceis, por isso que o conselho mais importante é evitar a tentação de se concentrar no curto prazo.

“Eu acredito que focar em seus objetivos e trabalhar a partir deles, em vez de apenas reagir aos fatos”, afirma a planejadora financeira certificada (CFP) Bobbi Rebell, apresentadora do podcast Financial Grownup. “Portanto, não faça uma mudança impulsionado por fatores externos”, como os eventos que você acessa pelos noticiários.

Em um mundo onde a incerteza é mais uma característica do que algo extraordinário, é importante estar preparado para os altos e baixos do mercado. Embora não se possa esperar nada tão dramático quanto o vivenciado em 2020, os investidores devem estar prontos para outro passeio de montanha-russa nos próximos meses.

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