Conheça Fabio Schettino, CEO da Hidrovias e, nas horas vagas, baixista da banda da empresa

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Fabio Schettino, CEO da Hidrovias e baixista da Atlantis

Um grupo de profissionais de diferentes departamentos da Hidrovias do Brasil (HBSA) lidera uma frente paralela entre as atividades de negócios: a banda Atlantis. Antes conhecida por Aquaman, o grupo é composto por uma estagiário da empresa na bateria, uma colaboradora do departamento jurídico que é a vocalista, o CFO e o diretor de controladoria como guitarristas e tem no contrabaixo Fabio Schettino, CEO da companhia. Juntos, a banda toca covers que vão desde os Mamonas Assassinas ao grupo norte-americano Coldplay, apresentando-se em eventos da Hidrovias, como o aniversário de 10 anos da companhia.

Para Schettino, a música é uma forma de combinar os hobbies com a agitada rotina à frente da empresa, responsável por transportar 40% do volume de bauxita brasileiro e 30% do volume transportado na hidrovia Paraguai-Paraná, uma das principais rotas nacionais para escoamento de minério de ferro e grãos.

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Há seis meses, a Hidrovias do Brasil, referência em serviços de logística com foco na malha hidroviária da América Latina, realizava o seu IPO (Oferta Pública Inicial), levantando de R$ 3,4 bilhões. Schettino foi aqui uma peça importante no xadrez da abertura de capital devido a sua bagagem técnica e profissional no mercado financeiro.

O mundo dá voltas

A expressão “o mundo dá voltas” resume de forma ímpar a trajetória pessoal e profissional de Schettino, atualmente com 50 anos. Em 1976, aos cinco anos de idade, sua família mudou-se para Porto Trombetas (PA), município em que seu pai, Maurício Schettino, implantaria um projeto de extração de bauxita liderado pela então Vale do Rio Doce, atualmente Vale S.A. “Passar a infância lá foi uma experiência impagável, ter vivido em um lugar isolado e intocável com a selva amazônica foi extraordinário”. O projeto implantado por seu pai há mais de 40 anos ainda permanece em operação. O transporte da produção é realizado pela Hidrovias, que em 2020 bateu o recorde de 3,4 milhões de toneladas de bauxita transportados.

A trajetória profissional do CEO teve início em 1991, quando Schettino retorna da Califórnia, nos Estados Unidos, após concluir o ensino médio. Enquanto cursava economia na PUC Minas, estagiou na mesa de operações financeiras da Aperam, antiga Acesita, única fábrica de aços e planos inoxidáveis da América Latina. Logo em seguida, foi transferido para o setor de relação com os investidores da companhia, “provavelmente me colocaram no RI pela facilidade que eu tinha com a língua inglesa”, comenta. A Aperam era uma empresa de capital aberto e esse foi o primeiro contato próximo que o CEO da Hidrovias teve com o mercado de capitais.

Pouco tempo depois, Schettino passou a trabalhar no BTG Pactual, cobrindo o setor de siderurgia e, em 1998, atuou no então Unibanco como gestor de grandes fortunas. O primeiro empregador, no entanto, nunca tirou os olhos de Schettino e, aos 28 anos, ele retornava a Acesita, mas na diretoria do fundo de pensão da companhia, o Aceprev (Acesita Previdência Privada), coordenando o fundo que ele havia ajudado a criar oito anos antes.

Apenas cinco anos mais tarde, um novo desafio batia à sua porta: a superintendência de RI da Acesita. “Lembro do então diretor-presidente da companhia (Luiz Anibal de Lima Fernandes), dizer: olha, você começou aqui nesse setor, seria muito legal ter você de volta só que em um cargo mais alto”, comentou.

Foi assim que Schettino foi promovido ao posto de superintendente de RI com apenas 33 anos, o profissional mais jovem a assumir a cadeira. “Eu nunca tive o perfil de mirar uma profissão, eu apenas queria ser útil e as coisas foram acontecendo”, analisa o executivo.

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Apesar de não almejar cargos altos e apenas deixar que o destino abrisse as portas, ele sempre quis ser o melhor no que fazia, “se eu quisesse ser um CFO de qualidade, precisaria sair do front-office e entender as dinâmicas do back-office”. Foi assim que em 2004, ele recebeu o convite para ser o CFO da GE Transportation, braço da General Electric destinado a produzir locomotivas.“O cargo era muito mais controle do que financeiro e era o back-office que eu precisava na época”, comentou.

Schettino conquistou as qualidades que considerava essenciais para um CFO e novas possibilidades surgiram em sua vida. De CFO da GE Transportation, passou para CFO da Amyris, empresa de biotecnologia de Campinas, no interior de São Paulo. Após dois anos de trabalho, percebeu que “a vida tinha começado a ficar fácil e eu queria novos desafios”, relembra.

Nesta época, recebeu uma ligação do ex-diretor de novos negócios na GE Transportation, Bruno Serapião – fundador da Hidrovias do Brasil -, convidando Schettino para assumir o cargo de CFO, num momento em que a Hidrovias assinava um grande contato com a Vale. A empresa precisava, assim, de um time financeiro de primeira linha para tocar o projeto.

“Cada vez mais eu trago coisas da minha infância para o meu trabalho. Meu pai é uma referência para mim e é muito legal prestar serviço para o projeto da Vale que ele criou. O mundo dá voltas”, comenta o CEO.

As boas águas da Hidrovias do Brasil

Em 2018, seis anos depois do convite, Serapião recebeu a oportunidade de assumir o cargo de sócio do fundo Pátria Investimentos, contexto que o levava a deixar a cadeira da Hidrovias do Brasil, abrindo caminho para a alçada de Schettino ao posto. “Tudo foi muito natural. Em setembro do ano passado, quando realizamos o IPO, gostaríamos de apresentar ao mercado um novo CEO que sempre esteve perto da Hidrovias do Brasil.”

Nos seis meses seguintes, a companhia atuou em quatro grandes frentes. O primeiro foi o corredor norte, na Bacia Amazônica, próximo de atingir capacidade plena de transporte, “estamos procurando estratégias para expandir os negócios na região, não queremos ficar somente no trajeto de Miritituba (PA) a Vila do Conde (PA), mas chegar em Porto Velho (RO), Humaitá (AM) e Santarém (PA)”. Em 2020, o corredor transportou 6,3 milhões de toneladas, com destaque para o crescimento dos grãos no volume.

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Outro foco dos negócios é o corredor sul ou Paraguai-Paraná, que transportou 1,9 milhão de toneladas no ano passado. “Nosso objetivo na região é atuar como agente consolidador, estamos encontrando oportunidades de comprar empresas e ativos, além de fechar negócios”. Em outubro, a Hidrovias do Brasil informou que a Vale optou por utilizar todo o contrato para transportar minério no corredor Sul (serão mobilizados oito comboios de embarcações para carregar 3,250 milhões de toneladas em 2021).

A terceira frente veio após a conquista da concessão por 25 anos no terminal de sal e fertilizantes em Santos (SP) em janeiro de 2020, principal hub de chegada para São Paulo de fertilizantes, que importou 228 mil toneladas no último trimestre de 2020 e receita líquida operacional de R$ 39,8 milhões no último ano.

A quarta trincheira das operações da empresa é a navegação costeira, mais conhecida como cabotagem, operação que ocorre entre Porto Trombetas (PA) – criado pelo pai de Schettino – e Barcarena (PA). Entre outubro e dezembro foram transportadas 461 mil toneladas de bauxita e, no acumulado de 2020, o volume somou 3,3 milhões de toneladas do mineral.

Enquanto lidera os negócios da Hidrovias em diferentes partes do Brasil, Schettino acompanha o crescimento de seus três filhos com sua esposa. A família, para o CEO, trouxe equilíbrio ante ao peso da autocobrança pessoal. Do pai aos filhos, são os laços familiares que ajudam a sintetizar parte da história do executivo, seja à frente da Hidrovias ou no contrabaixo da Atlantis.

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