Ibovespa opera em queda com nova escalada dos treasuries nos EUA

O dólar trabalha em queda de 0,79% contra o real e é negociado a R$ 5,54 na venda depois da decisão do Bacen

Ana Paula Pereira
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O Ibovespa opera em queda nos primeiros negócios desta quinta (18), recuando 0,69% aos 115.748 pontos às 10h14, horário de Brasília, acompanhando o desempenho negativo dos índices futuros em Wall Street. As bolsas norte-americanas são pressionadas por uma nova disparada nos rendimentos dos treasuries, com o título de vencimento em 10 anos, referência do mercado, avançando para 1,746% nesta manhã.

No mesmo horário, os futuros do Dow Jones tinham queda de 0,03% aos 32.894 pontos, do S&P 500 perdiam 0,66% aos 3.937 pontos e do Nasdaq recuavam 1,63% aos 12.974 pontos.

No contexto doméstico, os investidores digerem ainda a decisão do Banco Central de elevar para 2,75% ao ano a taxa Selic, acima das expectativas do mercado. Em comunicado divulgado na noite de ontem, o Comitê de Política Monetária afirmou que “uma estratégia de ajuste mais célere do grau de estímulo tem como benefício reduzir a probabilidade de não cumprimento da meta para a inflação deste ano, assim como manter a ancoragem das expectativas para horizontes mais longos”.

Em relatório matinal, a XP Investimentos avalia que a implementação de um “ajuste mais célere do grau de estímulo”, aponta para um ajuste da mesma magnitude na próxima reunião do Comitê, em maio. “Revisamos nossa projeção para mais uma alta de 0,75 p.p. em maio, seguida de mais 3 altas de 0,50 p.p., levando a Selic a 5% antes do final do ano.”

O mercado conheceu também ontem a decisão de política monetária do Federal Reserve dos Estados Unidos. O Fed projetou um salto no crescimento econômico do país em 2021, para 6,5% ante 4,5% projetados em dezembro e reiterou sua promessa de manter a taxa de juros entre zero e 0,25% nos próximos anos.

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“O presidente Powell reiterou o tom dovish, em linha ao que a autoridade monetária vem mostrando nos últimos meses. Acreditamos que o FED deve iniciar o processo de redução de compra de ativos (tapering) no terceiro trimestre de 2022, e que o primeiro aumento nos juros deve vir no primeiro trimestre de 2024”, avalia a XP, complementando que a “decisão pressiona o movimento dos títulos de longo prazo nos EUA, com as Treasuries abrindo em alta após fechamento de ontem.”

Ainda nos EUA, os novos pedidos pedidos de auxílio-desemprego subiram inesperadamente na semana passada. As solicitação somaram 770 mil em dado ajustado sazonalmente na semana encerrada em 13 de março, de 725 mil na semana anterior, informou o Departamento do Trabalho hoje.

O dólar trabalha em queda de 0,79% contra o real e é negociado a R$ 5,54 na venda depois da decisão do Bacen, repercutindo ainda o indicativo de normalização da taxa de juros pela autoridade para fazer frente ao avanço da inflação.

Nos últimos anos, o Brasil saiu de um dos patamares de juros mais caros para um dos mais baratos entre os mercados emergentes, o que tem sido apontado por vários analistas como um fator de pressão para a moeda doméstica. “Sem muitos ruídos políticos e se o país conseguir lidar melhor com a pandemia de Covid-19, o real pode se beneficiar do aperto monetário que vem pela frente”, explica Mauro Morelli, estrategista da Davos.

De acordo com dados divulgados hoje pela FGV (Fundação Getulio Vargas), os preços ao produtor e ao consumidor avançaram e ajudaram o IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado) a acelerar a alta a 2,98% na segunda prévia de março, com destaque para o comportamento dos combustíveis. Com isso, a taxa acumulada em 12 meses alcançou 31,15%, de 28,64% antes. (Com Reuters)

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