Ibovespa recua com pressão negativa no exterior e ruídos políticos domésticos

O dólar inicia a semana em alta contra o real, ganhando 0,87% negociado a R$ 5,79 na venda em dia de cautela nos mercados globais

Ana Paula Pereira
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O Ibovespa opera em queda nos primeiros negócios desta segunda-feira (29), recuando 0,27% aos 114.473 pontos às 10h09, horário de Brasília, em linha com a pressão negativa que atinge os contratos futuros das ações em Wall Street. No exterior, as quedas são lideradas por ações dos bancos após a inesperada venda de US$ 20 bilhões em ações por um fundo de investimentos norte-americano. No contexto doméstico, o Orçamento de 2021 segue em disputa em Brasília e no foco dos investidores.

De acordo com a XP Investimentos, as despesas obrigatórias do governo, como o pagamento de servidores, por exemplo, estão subestimadas entre R$ 30 e R$ 40 bilhões no orçamento aprovado pelo Congresso, aumentando as chances de paralisação da máquina pública. O presidente Jair Bolsonaro deve enviar ao Congresso um projeto de lei de crédito suplementar cancelando despesas, entre elas emendas propostas aos parlamentares. “O envio de um novo projeto de lei recompondo as despesas obrigatórias e cancelando parte das emendas poderia gerar desgaste político”, avalia o time de política da XP.

Ainda em Brasília, a pressão pela saída do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, adiciona mais instabilidade entre parlamentares e governo. No fim de semana, Araújo lançou uma ofensiva no Twitter contra o Senado, alegando que a senadora Katia Abreu (PP-TO) pediu do governo uma postura favorável à China no leilão do 5G.

Também no Twitter, o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco, afirmou que “a tentativa do ministro de desqualificar a competente senadora Katia Abreu atinge todo o Senado Federal. E justamente em um momento que estamos buscando unir, somar, pacificar as relações entre os Poderes”, afirmou. “Essa constante desagregação é um grande desserviço ao País.”

Nos indicadores, o Boletim Focus desta segunda-feira revela que o mercado segue dando sequência ao aumento das expectativas de inflação, com alta do IPCA calculada agora em 4,81% para 2021, na 12ª semana seguida de aumento nas projeções. O centro da meta oficial para a inflação em 2021 é de 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou menos.

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Para o PIB (Produto Interno Bruto), a estimativa de crescimento para este ano caiu pela quarta vez, a 3,18%, de 3,22% na semana anterior. A pesquisa semanal mostrou manutenção das expectativas para a taxa básica de juros Selic em 5,0% ao final deste ano e 6,0% ao final de 2022.

O dólar inicia a semana em alta contra o real, ganhando 0,87% negociado a R$ 5,79 na venda, numa segunda-feira marcada pela força da moeda norte-americana no exterior e pelo clima doméstico cauteloso diante do agravamento da pandemia.

No domingo, o número total de óbitos provocados pela Covid-19 no Brasil ultrapassou a marca de 312 mil, mostraram dados do Ministério da Saúde, enquanto os casos confirmados da doença já superam os 12,5 milhões.

“Os primeiros resultados do endurecimento do isolamento deveriam ser registrados esta semana, mas a maioria dos especialistas ainda prevê um crescimento no número de casos e mortes nos próximos 14 dias”, disse em nota Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos, complementando que a “situação da pandemia segue delicada e investidores buscam avaliar até quando as medidas de isolamento agressivas impostas em diversos Estados serão estendidas.”

No exterior, os índices futuros em Nova York operam em queda após o maior banco de investimentos japonês, o Nomura, e o Credit Suisse afirmarem que enfrentam bilhões de dólares em perdas depois que um hedge fund dos Estados Unidos não cumprir chamadas de margem.

Uma chamada de margem é quando um banco pede a um cliente que forneça mais garantias se uma transação parcialmente financiada com dinheiro emprestado cair drasticamente em valor. Se o cliente não puder fazer isso, o credor venderá os ativos para tentar recuperar o que é devido.

O Nomura alertou hoje que enfrenta uma possível perda de US$ 2 bilhões devido a transações com um cliente norte-americano, enquanto o Credit Suisse disse que o não cumprimento de chamadas de margem por um fundo com sede nos EUA poderia ser “altamente significativo e substancial” para o resultado do primeiro trimestre.

Duas fontes disseram que as perdas do Credit Suisse provavelmente serão de pelo menos US$ 1 bilhão, enquanto o Financial Times projeta perdas de até US$ 4 bilhões. O Credit Suisse não quis comentar as estimativas. (Com Reuters)

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