1º de abril do mercado financeiro: conheça as mentiras mais comuns sobre os investimentos

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Especialistas analisam 6 mitos e falácias que aparecem na hora de investir

A comemoração de 1º de abril é uma oportunidade para se inventar boatos e contar mentiras, mas as brincadeiras e falsas informações estão presentes no dia a dia nos outros 364 dias do ano e o mercado financeiro não passa ileso à enxurrada de desinformação. Entre falácias e baixa educação financeira da população, muitos acabam caindo em pegadinhas que podem também pesar no bolso.

O educador financeiro William Ribeiro, comenta que os brasileiros vivem um sonho de acordar ricos de maneira repentina, o que é prejudicial para a crença de se investir em longo prazo. “O Brasil tem a cultura de não ensinar sobre investimentos”, avalia.

Quando o assunto é dinheiro, as redes sociais podem colaborar com a onda de desinformação. De acordo com levantamento da B3 dos investidores, 60% aprenderam sobre investimentos com influenciadores digitais e 32% investem com base em suas indicações. A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) alerta: nem todo influenciador tem capacidade técnica para fazer análises e recomendações.

Para comemorar o Dia da Mentira, a Forbes conversou com especialistas para identificar seis mentiras comuns sobre os investimentos:

  • A poupança é o investimento mais seguro do Brasil

    A poupança é um tipo de investimento privado e, portanto, oferece as mesmas garantias que outras aplicações da mesma natureza. A educadora financeira Márcia Tolotti afirma que o principal risco da caderneta de poupança é a rentabilidade, já que o seu rendimento está atrelado às variações da taxa Selic.

    Segundo levantamento da Economática, em 2020, com a inflação oficial em 4,52%, a caderneta teve um retorno negativo de 2,30%. Além da rentabilidade comprometida, os recursos aplicados na poupança só são cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos) no limite de R$ 250 mil por CPF.

    Segundo o estudo da FGC, existem 376 mil contas na poupança com mais de R$ 250 mil, ou seja, “20% do total investido na caderneta não é garantido pelo FGC.”

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  • Viver de dividendos é impossível

    “Nem tudo é tão fácil como vendem por aí”, afirma Ribeiro. Viver de dividendos não é impossível, mas demanda disciplina, foco em longo prazo e uma estratégia muito bem consolidada para se alcançar a rentabilidade passiva dos tubarões da Bolsa.

    Segundo os especialistas, para a carteira de um investidor gerar renda passiva de R$ 10 mil ao mês, considerando rentabilidade líquida (descontada a inflação) de 0,5% ao mês, são necessários R$ 2 milhões em patrimônio acumulado.

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  • O mercado sempre volta a subir

    O mercado é volátil, ou seja, existe a possibilidade de um ativo que caiu hoje, subir no futuro. Como não é possível traçar projeções sobre o preço das ações, Macedo explica que a alternativa é “investir lentamente para desinvestir lentamente porque, na média, as grandes empresas crescem mais que o PIB, desde que o país cresça.”

    Segundo o professor, uma saída para os investidores é apostar na Teoria dos Mercados Eficientes: “basta comprar um ETF e uma carteira de 12 ações que irá empatar com o mercado, ou seja, não é necessário muito conhecimento”, explica.

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  • Você precisa ter muito conhecimento para começar a investir

    Não é necessário muito conhecimento para começar a investir. Ribeiro comenta que “o simples fato de conhecer novos investimentos além da velha caderneta de poupança, propicia ao investidor iniciante maior retorno, com segurança comparável e até maior do que o investimento preferido dos brasileiros (poupança).”

    Para quem tem medo de dar o primeiro passo, a orientação dos especialistas é buscar apoio junto aos assessores de investimentos nas corretoras. Profissionais certificados e, na maioria das plataformas, disponibilizados de forma gratuita aos clientes.

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  • É preciso ter muito dinheiro para investir

    Márcia explica que o mito de que é preciso muito dinheiro para se investir é algo cultural: “Somos um país onde a cultura do endividamento sempre falou mais alto, então parece que o crédito ou uma dívida é melhor que um investimento”. De acordo com a especialista, com apenas R$ 32 já é possível investir no Tesouro Direto e com R$ 100 pode-se aplicar em um fundo de investimentos.

    Já Ribeiro lembra que existem no mercado brasileiro CDBs (Certificado de Depósito Bancário) com aporte mínimo de R$ 1. Produto que oferece as mesmas garantias que a poupança e pode atingir rentabilidade ainda maior que a caderneta. “Ninguém precisa ser rico para investir”, comenta.

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  • DayTrade é lucro rápido e garantido

    Ribeiro avalia que ganhar dinheiro não é tão simples, mesmo que operações de trade de sucesso sejam bastante comuns. “O que as pessoas precisam entender é que não é possível viver de DayTrade, nem ganhar dinheiro somente operando, porque, na prática, tem muito mais a ver com sorte do que técnica”, comenta o educador financeiro.

    Em entrevista recente à Forbes, a professora da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Myrian Lund, avalia que a sensação causada pelo DayTrade é a mesma que a de quem aposta em fichas. Quanto mais eles enxergam a possibilidade de ganhar dinheiro rápido – mesmo que incerta – mais eles apostam e maiores as chances de perdas.

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A poupança é o investimento mais seguro do Brasil

A poupança é um tipo de investimento privado e, portanto, oferece as mesmas garantias que outras aplicações da mesma natureza. A educadora financeira Márcia Tolotti afirma que o principal risco da caderneta de poupança é a rentabilidade, já que o seu rendimento está atrelado às variações da taxa Selic.

Segundo levantamento da Economática, em 2020, com a inflação oficial em 4,52%, a caderneta teve um retorno negativo de 2,30%. Além da rentabilidade comprometida, os recursos aplicados na poupança só são cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos) no limite de R$ 250 mil por CPF.

Segundo o estudo da FGC, existem 376 mil contas na poupança com mais de R$ 250 mil, ou seja, “20% do total investido na caderneta não é garantido pelo FGC.”

O professor de Finanças Pessoais da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Jurandir Macedo, destaca que um estudo recente da Warren revela a existência de 376 mil contas na poupança com mais de R$ 250 mil, ou seja, “20% do total investido na caderneta não é garantido pelo FGC.”

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