BC está atento ao câmbio sobre inflação, mas cenário está dentro do esperado, diz Campos Neto

Flicker/Divulgação
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O presidente do banco afirmou que apesar de volatilidade, a trajetória do real nas últimas semanas tem estado estável

O presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, disse ontem (13) estar vigilante com respeito ao impacto da desvalorização do câmbio sobre a inflação de curto prazo e expectativas, e que a autoridade monetária agirá se necessário, mas ressaltou que as condições atuais estão em linha com seu cenário-base.

Em entrevista à Bloomberg TV norte-americana, Campos Neto afirmou que, apesar de volatilidade, a trajetória do real nas últimas semanas tem estado estável. “Para nós, o importante não é o real, trabalhamos sob um sistema de câmbio flutuante. O importante é como o real contamina o canal de inflação para a inflação de curto prazo e para elevar expectativas. Estamos vigilantes quanto a isso e agiremos se necessário”, afirmou.

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Ele também disse que as atuais condições de mercado estão em linha com o cenário-base da autoridade monetária e afirmou não ver “nada diferente” de uma alta de 75 pontos-base da Selic para a próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) de maio, conforme já indicado na última ata do colegiado. “Não achamos que isso é o cenário mais provável, mas temos cenários alternativos e temos sido transparentes quanto a isso.”

Ao comentar intervenções do BC no mercado de câmbio, Campos Neto disse que a autoridade “nunca fez vendas regulares” da divisa norte-americana, mas que, quando avalia que há disfunções no mercado, calcula o volume necessário de intervenção.

Questionado, ele disse que o BC não considera “instrumentos extras” para estabilizar o mercado de câmbio. “De novo, no mercado de câmbio, nós pensamos que a taxa é flutuante. Então, intervimos quando julgamos que há uma disfunção de modo que afeta seu trading. Mas nós não miramos um nível, nós não temos um nível à mente”, disse.

Ao ser questionado sobre a taxa neutra de juros, o presidente do BC afirmou que o país ainda demanda condições estimulativas em razão do enfrentamento à pandemia, mas que a questão gira em torno de “quão estimulativo” os juros precisam ser.

“Não é ajustar a inflação para o que nós achamos que deveria ser em comparação aos juros neutros. É reconhecer que as taxas de juros que nós temos agora foram elevadas por condições que nunca se materializaram e que nós precisamos alterar as taxas, mas ainda ser em campo estimulativo”, explicou Campos Neto, justificando o processo de normalização parcial da política monetária.

Risco fiscal

Ao comentar o risco fiscal do país, o presidente do BC disse ser “muito importante” emitir uma mensagem de disciplina fiscal. “Nós acreditamos que o fiscal está impondo um prêmio na curva e esse prêmio contamina expectativas que, ao fim, acaba contaminando a inflação”, disse, fazendo a ressalva de que o país não está em cenário de “dominância fiscal”.

“Nós achamos que, em razão de termos tido gastos muito expressivos enfrentando a pandemia, é importante passar uma mensagem de que tivemos um ano extraordinário, que precisou de medidas extraordinárias, mas nós vamos voltar a convergir para a trajetória fiscal.”

Ao comentar o processo de vacinação contra a Covid-19 da população, ele disse que, com base na trajetória de imunização projetada pela autoridade monetária em cima das doses já compradas, é possível estimar condições de reabertura da economia no segundo semestre do ano no país. (com Reuters)

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