Correção no exterior pressiona Ibovespa e ofusca disparada de 5% na Petrobras

O Ibovespa terminou o dia em leve queda, perdendo 0,15% aos 120.933 pontos, em movimento de correção após saltar quase 3% na semana anterior. O movimento negativo na sessão, marcado também pelo vencimento de opções sobre ações, ofuscou a disparada de 5% nas ações da Petrobras após a posse de Joaquim Silva e Luna como novo presidente estatal.

Em discurso nesta tarde, Silva e Luna afirmou que buscará reduzir a volatilidade dos preços de combustíveis sem desrespeitar a paridade internacional da cotação do petróleo. Luna também apontou para uma continuidade das políticas defendidas pela administração anterior, afirmando que a Petrobras deve “crescer sustentada em ativos de óleo e gás de classe mundial, em águas profundas e ultra profundas, buscando incessantemente custos baixos de eficiência”.

Para o analista da Clear Corretora, Rafael Ribeiro, a fala do executivo destaca a “manutenção do compromisso em desalavancar a empresa e com a paridade. Agora, resta saber como serão adotadas as medidas, mas no primeiro impacto, o discurso é bem positivo.”

No noticiário político, o Congresso Nacional vota ainda hoje um projeto de lei que, com o aval do governo, busca resolver o impasse em torno do orçamento deste ano, ainda não sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro. O texto traz ajustes à Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2021, flexibilizando as regras para despesas com o enfrentamento à pandemia da Covid-19 e permitindo que o governo corte por decreto (e não via lei, como é feito normalmente), despesas discricionárias para garantir o atendimento à totalidade das despesas obrigatórias.

A autorização dará maior agilidade ao governo para remanejar recursos do orçamento, contornando assim o risco de não atender outras despesas, como o pagamento de salários e aposentadorias.

Em Wall Street, os índices de ações terminaram o dia em queda, também em correção após os robustos ganhos dos últimos dias que levaram o Dow e o S&P 500 a máximas recordes. As quedas do pregão foram puxadas pelas ações de tecnologia, com destaque para queda de 3,4% nos papéis da Tesla após um acidente com um dos seus veículos deixar dois mortos no sábado. As autoridades acreditam que o veículo operava com condução autônoma, ou seja, sem um condutor.

No fechamento, o Dow Jones recuou 0,36% aos 34.077 pontos, o S&P 500 perdeu 0,53% aos 4.163 pontos e o Nasdaq fechou em queda de 0,98% aos 13.914 pontos.

O dólar engatou a quinta queda consecutiva frente ao real nesta segunda-feira, recuando 0,65% e negociado a R$ 5,54 na venda, com investidores colocando nos preços algum alívio sobre os rumos do orçamento em mais um dia de enfraquecimento da moeda norte-americana no mundo. O dólar não caía por tantos dias consecutivos desde a sequência de seis baixas finda em 27 de maio do ano passado.

De forma geral, os investidores globais seguiram repercutindo a percepção de que o banco central dos Estados Unidos manterá estímulos por tempo indeterminado, enquanto a retomada econômica no mundo amplia a demanda por ativos de maior risco, como no caso das moedas emergentes, como o real.

Para Sérgio Goldenstein, consultor independente da Ohmresearch Independent Insights, o real tem respondido à combinação entre cenário externo favorável e redução do risco de cauda doméstico.

“O risco de cauda seria uma decretação de estado de calamidade pública, expansão maior dos gastos fiscais… mas parece que a probabilidade desse risco agora é muito pequena. Com isso, você não tem uma piora muito grave nas contas públicas neste ano”, afirmou. (Com Reuters)

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