Covid-19 nos negócios: as lições dos executivos após um ano de pandemia

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Trabalhando em casa ou em sedes adaptadas à pandemia, líderes de negócios comentam os desafios enfrentados e compartilham perspectivas do futuro

Ainda parece cena de filme, mas é apenas a vida real durante a pandemia de Covid-19. Há mais de um ano, o mundo lida com o maior inimigo dos últimos tempos, o coronavírus. Com quase 14 milhões de casos, o Brasil é um dos países mais afetados pela pandemia, relegando às organizações desafios não observados na história recente.

Em março de 2020, enquanto boa parte da população corria aos supermercados para comprar suprimentos e se preparar para o isolamento social, os líderes de negócios precisavam em algumas horas decidir quais medidas tomar para garantir empregos e o funcionamento operacional de seus negócios primando pela segurança de todos. Medidas tomadas sem previsibilidade do que o futuro nos reservava.

Cerca de 400 dias após as primeiras trincheiras do que se convencionou chamar de “novo normal”, os executivos desempenham um novo papel na sociedade. Embora a pandemia não tenha acabado, medidas pautadas pelo olhar atento às necessidades de diferentes stakeholders são uma realidade. O tom de cautela nos negócios deu também espaço para estratégias mais ousadas, com potencial de alavancar organizações em um cenário ainda cheio de incertezas.

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Gisselle Ruiz, diretora-geral da Intel Brasil, avalia que a equipe de Liderança Pandêmica, criada há 15 anos pela Intel após o surto de SARS em 2003, ajudou a companhia a navegar em meio à crise, embora ninguém estivesse, de fato, preparado para ela. A Intel avança agora na estratégia de produção em larga escala de semicondutores, item cuja escassez durante a pandemia já ameaça a indústria global de tecnologia.

Sylvia Coutinho, presidente do grupo UBS no Brasil, projeta que, apesar dos reveses, devemos observar forte crescimento econômico no pós pandemia e, o Brasil, deve estar posicionado para não perder oportunidades que irão desabrochar nos próximos meses e anos.

A Forbes Brasil conversou com 11 lideranças nos negócios para entender quais foram os principais aprendizados do último ano, bem como os maiores desafios ainda presentes no ambiente corporativo em diferentes segmentos dos negócios.

  • Sylvia Coutinho, presidente do grupo UBS no Brasil

    Foi um ano de muitos aprendizados sem dúvida. Aprendemos que podemos ser super produtivos e por vezes até mais efetivos trabalhando remotamente e alavancando estas fantásticas plataformas de videoconferência interativas. Aprendemos o quanto o investimento em tecnologia ao longo dos anos foi fundamental para que pudéssemos nos adaptar a este novo paradigma tão rapidamente. Aprendemos a ser mais solidários, e mais do que nunca todos se mobilizaram para ajudar de uma forma ou de outra quem mais foi atingido pela pandemia. Aprendemos como o mundo é interconectado, pelo bem ou pelo mal, e que só estaremos protegidos quando todos estiverem. Aprendemos quão importantes são nossa família, nossos amigos, nossa casa, nossos colegas de trabalho, nossas escolas, as pessoas ao nosso redor que nos ajudam a viver e a funcionar melhor. E finalmente caiu a ficha para a comunidade global de que sustentabilidade é fundamental, que temos que focar no meio ambiente, nos impactos nocivos que estamos causando, e que as questões ditas “ESG” vieram para ficar. Não tenho dúvida que a pandemia acelerou todas as tendências e sedimentou novos conceitos. Acho que até agora só estamos enxergando o topo do iceberg, e que mudanças profundas em todos os campos ainda estão por vir.

    A pandemia afetou a economia mundial, bagunçou o tabuleiro, e criou distorções que estarão conosco por muitos anos, isso trouxe dificuldades, mas também muitas oportunidades. Momentos de incerteza, volatilidade e deslocamentos abrem portas para os bons advisors, para quem gera conteúdo de qualidade, para quem consegue enxergar mais longe e trazer soluções. Assim, 2020 foi um ano muito positivo para nós e espero que assim continue neste e nos próximos anos. Sou otimista por natureza, mas nosso negócio depende do ambiente político e macroeconômico, portanto de fatores externos que podem prejudicar ou ajudar, e espero que o Brasil não dê um tiro no pé, mesmo porque espera-se que o mundo crescerá fortemente pós pandemia, e não podemos estar na contramão desses ventos a favor.

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  • Hélio Rotenberg, CEO da Positivo Tecnologia

    Que período difícil, quão inusitada é esta pandemia. Estamos em home office desde 15 de março do ano passado. Isso já nos faz questionar muita coisa. Tivemos a chance de aprimorar nossa capacidade de adaptação, resiliência e empatia. Ficamos ainda mais conscientes da importância da saúde coletiva, da solidariedade, e da essencialidade dos serviços. Na liderança de uma das maiores empresas brasileira de tecnologia, pude me conscientizar ainda mais sobre o valor da motivação, engajamento e a colaboração das equipes para gerar diferenciais em produtos, serviços e na companhia como um todo.

    O ambiente corporativo tende a ser totalmente reconfigurado quando pudermos retornar ao escritório com segurança. Acreditamos que muitas empresas adotarão o modelo híbrido de trabalho. Neste sentido, um dos maiores desafios está em avaliar e definir a frequência de atuação para cada função. Tem ainda a importância de conciliar os dias de trabalho no escritório com a agenda de outros membros das equipes de forma a atender às necessidades pessoais e a interação presencial. O “retorno” e a reinserção das pessoas ao ambiente do escritório também merecerão atenção.

    Teremos que readequar espaços físicos para facilitar encontros que fortaleçam o senso de pertencimento e a cultura organizacional. Salas de reuniões adaptadas para o híbrido, algumas pessoas na sala, e outras nas suas casas, se tornarão comuns. Por fim, há ainda o desafio de manter a produtividade e o uso cada vez mais eficiente das ferramentas digitais.

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  • Adriana Aroulho, presidente da SAP Brasil

    Esta crise, diferentemente das outras pelas quais já passamos, trouxe impactos profundos e certamente ficarão muitos aprendizados. Do lado da SAP, globalmente a empresa respondeu rapidamente às mudanças no ambiente de negócios, adotando uma estratégia de vendas virtuais e implementação remota que tem sido fundamental para manter o atendimento aos nossos clientes, e oferecendo atendimento consultivo para ajudá-los na continuidade de suas operações e no planejamento de ações futuras. Do ponto de vista dos clientes, a crise funcionou como um catalisador para a mudança, refletindo na antecipação de muitos projetos de TI e também na análise dos dados já disponíveis para avaliar cenários e encontrar alternativas para os negócios.

    Um ponto que podemos destacar é a consolidação das soluções em cloud como uma forma de agilizar e ter maior agilidade nos processos de transformação digital. Isso ficou muito evidente em um momento em que as operações das empresas estão descentralizadas, mas seguem integradas com o suporte de soluções na nuvem. A tecnologia [cloud] também permite que a empresa adote a tecnologia na medida de sua necessidade e vá escalando conforme o negócio exija. Internamente, a SAP também promoveu uma série de iniciativas com foco no colaborador e adaptamos algumas rotinas para não perder o contato próximo com as pessoas, ainda que o formato fosse o virtual. E isso inclui também aprimorar ainda mais nosso programa de saúde mental, nossas ações de RH e as ações de comunicação com os funcionários, com muita transparência e compromisso com o bem-estar de todos.

    A inovação deve ser uma constante para as empresas que buscam se diferenciar da concorrência e criar novos produtos e serviços. Independentemente do tamanho, a crise deixou claro que não há uma tecnologia específica que possa ser indicada como a mais adequada para ajudar as empresas – o que é necessário é pensar como a automatização dos processos com o uso de dados massivos (big data) torna as empresas mais ágeis na hora de tomar decisões importantes e ir adotando novas tecnologias para trazer mais inteligência para os negócios.

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  • Ilson Mateus, CEO do Grupo Mateus

    A pandemia nos trouxe muitos desafios e, na mesma proporção, oportunidades. Nossa capacidade de adaptação foi colocada à prova. Tivemos que ser ainda mais ágeis na tomada de decisões, na busca de soluções criativas e práticas para garantir segurança e comodidade na experiência de compra dos nossos clientes. Desde 2017 estamos, ano a ano, investindo em nosso e-commerce. E foi em meio à pandemia que aceleramos esse processo de inovação, fechando parceria com uma startup que nos permitiu oferecer o serviço de delivery. Aprendemos, mais do que nunca, que a inovação é um diferencial que pode determinar a sustentabilidade do negócio.

    Aprendemos a enxergar nas crises, oportunidades e, mesmo com o impacto que a Covid-19 gerou no mercado, mantivemos nosso plano de expansão e estamos aumentando a nossa capilaridade nos estados onde já estamos presentes e chegando, ainda neste primeiro semestre, no Ceará. Nesse contexto, nosso maior desafio, internamente, é formar pessoas, preservando a nossa cultura – o que temos feito por meio da nossa universidade corporativa, a ULMA (Universidade de Líderes do Grupo Mateus).

    E no cenário geral, acreditamos que o grande desafio é manter a capacidade de resiliência corporativa. E, independente do cenário de 2021, temos um histórico que nos permite dizer que estamos preparados porque temos uma base sólida, consolidada e um modelo de negócio diversificado e ancorado na nossa expertise logística.

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  • David Vélez, CEO Global do Nubank

    De modo geral, apesar dos desafios, o último ano trouxe aprendizados e transformações importantes na dinâmica das empresas. Do ponto de vista da equipe, tenho muito orgulho da rapidez com que conseguimos fazer os ajustes necessários para garantir a saúde e segurança dos nossos funcionários quando a pandemia começou e fico feliz em ver que, mesmo depois de um ano, eles seguem muito engajados e comprometidos com o propósito e os objetivos do Nubank. Temos dado todo apoio que conseguimos para nossos funcionários, seja com subsídio para pagamentos de contas de luz e internet, atendimento psicológico gratuito ou apoio paternal para os funcionários que são pais ou mães.

    No início da pandemia, criamos também um sistema de monitoramento de métricas diárias que nos permite acompanhar em tempo real a saúde do negócio. Com isso, hoje conhecemos nossos números a um nível de detalhe que a gente não tinha antes, o que acabou sendo muito positivo. Mesmo sem essas incertezas, é um hábito que pretendemos manter para o futuro. E o que notamos também foi a aceleração da tendência de digitalização na sociedade. No caso do Nubank, a adoção de serviços financeiros digitais cresceu em ritmo acelerado em todos os perfis demográficos. Vimos um ritmo de crescimento alto entre os idosos. A cada mês, 30 mil novos clientes com mais de 60 anos de idade passaram a ser nossos clientes. Partimos de 19 milhões de consumidores no fim de 2019 a mais de 35 milhões hoje. Para conseguirmos sustentar este crescimento, foi essencial mantermos nosso DNA de inovação e de tomada de decisões ágeis.

    Enxergamos o futuro com otimismo. A aceleração da digitalização é positiva. Uma sociedade mais digital acaba sendo mais produtiva, porque se exige uma estrutura de custos muito mais baixa e torna a vida dos clientes e das empresas mais econômica e mais prática. Clientes que não tinham o hábito de resolver seus problemas pelo aplicativo do celular, hoje sabem como é mais conveniente e rápido. E nosso compromisso é que essas pessoas continuem encantadas com nossos produtos e serviços.

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  • Ricardo Nassar, cofundador e diretor de operações da Cobasi

    Como fomos considerados setor essencial, o sofrimento da empresa se restringiu às lojas em shoppings. Na parte administrativa, o ganho da velocidade na comunicação com a tecnologia é fator bastante preponderante para a gestão da companhia.

    O Cobasi Labs, laboratório de inovação da Cobasi formado por squads de tecnologia e negócios, acelerou sua entrega de tecnologia para setores da empresa, principalmente aqueles ligados diretamente a venda, acelerando de forma significativa a digitalização da empresa que já desde 2018 se encontrava de forma avançada.

    A falta de previsibilidade e a interferência do governo no funcionamento da economia é sem dúvida o maior desafio que temos pela frente. Planejar, investir e atingir o objetivo estarão sempre em condição de dúvida no futuro próximo. Um grande prejuízo para a economia do país, a falta destas garantias de liberdade econômica.

    Renato Pizzutto
  • Guilherme Benchimol, CEO da XP

    Pela ótica profissional, a principal lição que tivemos na XP foi sobre o papel cada vez mais importante das empresas para a solução de problemas sociais. Muitas empresas se mobilizaram para ajudar os mais vulneráveis nesse período e na XP não foi diferente. Entre 2020 e 2021, por meio da nossa diretoria de ESG, fizemos doações que ajudaram mais de cem mil famílias, de maneira imediata e, a longo prazo, no combate à fome. Durante a crise de falta de oxigênio em Manaus, usamos nossos recursos para garantir mais cilindros nos hospitais da região. A iniciativa privada deve continuar se preocupando com o ecossistema em que está inserida após a pandemia.

    Outra lição importante é de que podemos trabalhar de qualquer lugar e continuar entregando a excelência de sempre aos nossos clientes. Em junho de 2020 nós lançamos o programa #XPdeQualquerLugar para todos os colaboradores, que permite de forma permanente o trabalho remoto. Temos funcionários que optaram por mudar de país ou até foram contratados já morando no exterior.

    Por mais inovadores que tenhamos sido até o momento, quando olhamos para os próximos anos, sobretudo para a próxima década, temos a certeza de que a reinvenção será constante. O cenário global para os próximos anos será totalmente diferente do que a humanidade já vivenciou e as transformações ocorrerão numa velocidade muito mais acelerada, exigindo novos conhecimentos e competências. Acredito que o principal desafio para o ambiente corporativo será compreender as mudanças pelas quais a sociedade passa e a maneira como as relações se estabelecem para estarmos sempre à frente e nos posicionarmos em consonância com tudo isso. É inegável a importância da agenda ESG e como todas as empresas precisarão viver uma ressignificação nessa questão para prosperar daqui para frente. A capacidade de gerar lucro não é mais a única meta e, sim, assumir responsabilidade pelo que está ao redor e buscar entregar valor a todos que fazem parte de seu ecossistema (clientes, colaboradores, fornecedores e comunidades). Para nós, da maior plataforma de investimentos do País, é essencial não apenas oferecer essa transparência aos nossos clientes e investidores, como também ajudar a impulsionar o tema no Brasil.

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  • Fernanda Gonzales, sócia e managing director da BR Partners

    Mesmo em um ano tão desafiador para nosso país e nossa economia, podemos ser criativos, buscar novas formas de trabalhar, crescimento e oportunidades de negócios. O ano de 2020 foi nosso melhor em receitas e esse número foi atingido com cada membro da equipe se reinventando e mostrando resiliência em períodos extremamente desafiadores. Verdades vistas como absolutas foram derrubadas tão rapidamente quando necessário e que essa mesma flexibilidade, que nos foi imposta pelas circunstâncias, poderia fazer parte do nosso ambiente corporativo em momento não tão drásticos

    Nosso time está há mais de um ano trabalhando primordialmente de forma remota e um grande desafio é continuar pensando formas de preservar e transmitir nossa cultura em um formato onde não estamos todo dia frente a frente, além da preocupação com o processo de aprendizagem dos membros mais novos da equipe, que usualmente vivem nossa realidade dividindo a mesa e acompanhando o nosso dia a dia. Desde março do ano passado sinto que estamos diariamente tentando reinventar a forma de conexão com a nossa equipe e essa necessidade fica ainda mais forte ao entrarmos no segundo ano dessa nova forma de trabalho, com pessoas da equipe que mal pisaram no banco.

    Outro aspecto bastante importante no nosso negócio é ser capaz de auxiliar nossos clientes em sua busca por entender quais são os próximos passos, para onde os diferentes mercados estão indo e quais mudanças vieram para ficar e quais são temporárias. Repensar nosso negócio em um ambiente tão mutável, ao mesmo tempo que apoiamos nossos clientes a fazerem o mesmo, continuará a ser um desafio neste ano e no próximo.

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  • Gisselle Ruiz Lanza, diretora-geral da Intel Brasil

    Diante desse cenário sem precedentes, empresas e lideranças tiveram que se adaptar rapidamente ao novo mundo para sobreviver, definindo ações e estratégias de forma ágil e, em alguns casos, tomando medidas em questão de poucos dias. Para a Intel não foi diferente e, mesmo já trabalhando há alguns anos na jornada de transformação digital, com a crise sanitária global, fomos forçados a tomar uma série de decisões e mudanças e nos adaptarmos o mais rápido possível, começando pelo cuidado com os nossos funcionários e todo o ecossistema. Mesmo com todos esses desafios pela frente, podemos dizer que a Intel já estava mais preparada para lidar com a pandemia – embora nenhum de nós estivesse pronto para ela – graças à atuação de sua equipe de Liderança Pandêmica. A equipe existe há mais de 15 anos e foi criada justamente após o surto de SARS em 2003 e conduziu a Intel com sucesso através das doenças que surgiram desde então.

    A pandemia global acelerou uma transformação digital que já estava em curso e bem encaminhada. Com essa nova realidade, vimos o PC assumir cada vez mais um papel-chave na rotina e na vida dentro de casa. Ou seja, o trabalho, os estudos, o lazer e o entretenimento passaram a acontecer no mesmo espaço em nossas casas. Não à toa, tivemos um aumento da procura de equipamentos como o notebook, que nos primeiros três meses da quarentena apareceu como a terceira palavra mais buscada na Internet. Prova disso foi o aumento de mais de 20% nas vendas de PCs no primeiro trimestre de 2020, impulsionada pela chegada da Covid-19 e a necessidade de quarentena e medidas de distanciamento social. Já no segundo trimestre, o aumento no varejo coberto em comparação ao mesmo período de 2019 foi superior a 60%.  Grandes fabricantes de PC produziram até 36% mais computadores em relação ao mesmo período de 2019. Segundo dados do IDC, a indústria vendeu 72,26 milhões de PCs entre abril e junho de 2020, uma alta de 11,2% em base anual – e deve atingir a marca de 496 milhões de remessas em 2021 segundo a Canalys, incluindo desktops, notebooks e tablets.

    De olho nesse processo e aceleração da transformação digital em toda a indústria e para atender essa demanda cada vez mais forte de mercado, anunciamos em março a estratégia IDM 2.0 (Integrated Device Manufacturer, sigla em inglês), que resulta da combinação de três iniciativas e irá possibilitar que a Intel alcance liderança tecnológica em outros setores como rede interna de fábricas e capacidade de terceiros. Em relação ao mercado local, o Brasil é hoje um dos 10 principais mercados para a Intel globalmente e um dos cinco maiores mercados de PCs do mundo. Portanto, além de continuar a investir nas oportunidades do mercado de PCs, a Intel planeja também investir cada vez mais no país nos segmentos de maior crescimento como cloud, inteligência artificial e internet das coisas, alinhado com a nossa estratégia global.

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  • Ana Karina Bortoni Dias, CEO do Bmg

    Este último ano foi muito intenso e conturbado para todos, e não foi diferente aqui no Bmg. Sempre tentamos ver o lado bom das coisas, mas não dá para esquecer que as principais lições para o banco foram os desdobramentos de ensinamentos que tivemos como sociedade. Em primeiro lugar, destacaria o aprendizado do poder de esforço coletivo e de “ir além do seu quadrado.” No Bmg, assumimos a responsabilidade: contribuímos para hospitais e aplicamos em doações relacionadas à pandemia.

    Outro aprendizado relevante foi em relação à possibilidade de colocar os colaboradores a frente da geração de ideias, nesse sentido tivemos uma boa experiência envolvendo-os e encontrando as melhores soluções para esse momento. Criamos um aplicativo para capturar possíveis inovações, fizemos uma série de pesquisas com colaboradores e canais de duas vias de comunicação dos quais surgiram sugestões como: maior foco em bem-estar, novo modelo de gestão e home office como nova realidade.

    Os principais desafios neste e no próximo ano ainda serão por conta da pandemia e no impacto que a covid-19 tem nas famílias brasileiras, atingindo perdas familiares e econômicas. Só isso já exige um amplo esforço adaptativo da sociedade de altíssima complexidade, que só aumenta para o mundo corporativo, se considerarmos o desdobramento de tudo isso. Estamos falando de setores inteiros que terão que se reinventar ou criar um novo modelo de relacionamento com os clientes, de oferta e de demanda, de retorno de consumo impulsionado pelo aumento da confiança. É importante ressaltar que isso ocorre ao mesmo tempo em que as corporações são sobrecarregadas por temas que só foram antecipados por conta da pandemia, como uma nova relação de trabalho, uma digitalização acelerada, e um potencial aumento de startups motivado por inovações advindas da crise. Em relação ao setor financeiro, esse já estava passando por um período de forte adaptação, mesmo considerando todos os aprendizados e desafios enfrentados pelos modelos tradicionais de negócios, que as fintechs e os preparativos para o Open Banking têm trazido.

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  • Sergio Zimerman, CEO da Petz

    Um dos efeitos da pandemia foi a aceleração digital do varejo. No caso da Petz, uma lição importante foi a de já ter priorizado iniciativas ligadas à operação omnichannel e à digitalização da companhia desde 2015, o que fez com que estivéssemos bem preparados para atender o crescimento da demanda em 2020. O isolamento social intensificou o que chamamos de humanização dos pets – houve um crescimento de adoções e, por conta disso, houve também um crescimento no consumo de brinquedos, itens de higiene e rações, já que os tutores passaram a interagir de forma mais frequente com seus pets.

    A Petz foi a empresa no segmento pet ganhou forte participação de mercado nos canais digitais em 2020 no Brasil, com um faturamento que chegou próximo dos R$ 400 milhões (+342% a/a ou um incremento de mais de R$ 300 milhões nas vendas), representando 23% do faturamento total da companhia (26% no 4T20) – nível projetado para ser atingido em cinco anos no cenário pré-pandemia.

    Do ponto de vista corporativo, como serviço essencial, nosso maior desafio continua sendo preservar a saúde dos nossos colaboradores e clientes, seguindo os mais rigorosos protocolos de segurança em nossas operações. Já em relação à operação, seguimos investindo na integração entre canais, sendo que 100% das unidades oferecem as modalidades de Pick-up e Ship from Store, e proporcionam uma equação única de valor para a experiência dos clientes: redução substancial do tempo de entrega e do custo de frete. Outro desafio, do ponto de vista de custos, é que hoje enfrentamos uma pressão inflacionária crescente, o que gera enormes desafios para todo o setor. Mas, por outro lado, mesmo diante da recente elevação de taxas de juros, vale ressaltar que historicamente ainda estamos com uma taxa de juros real melhor, o que acaba favorecendo um ambiente saudável para os negócios. Há muitos obstáculos para superarmos, mas seguimos determinados com a nossa visão estratégica de tornar a Petz o maior ecossistema do segmento nos próximos cinco anos.

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Sylvia Coutinho, presidente do grupo UBS no Brasil

Foi um ano de muitos aprendizados sem dúvida. Aprendemos que podemos ser super produtivos e por vezes até mais efetivos trabalhando remotamente e alavancando estas fantásticas plataformas de videoconferência interativas. Aprendemos o quanto o investimento em tecnologia ao longo dos anos foi fundamental para que pudéssemos nos adaptar a este novo paradigma tão rapidamente. Aprendemos a ser mais solidários, e mais do que nunca todos se mobilizaram para ajudar de uma forma ou de outra quem mais foi atingido pela pandemia. Aprendemos como o mundo é interconectado, pelo bem ou pelo mal, e que só estaremos protegidos quando todos estiverem. Aprendemos quão importantes são nossa família, nossos amigos, nossa casa, nossos colegas de trabalho, nossas escolas, as pessoas ao nosso redor que nos ajudam a viver e a funcionar melhor. E finalmente caiu a ficha para a comunidade global de que sustentabilidade é fundamental, que temos que focar no meio ambiente, nos impactos nocivos que estamos causando, e que as questões ditas “ESG” vieram para ficar. Não tenho dúvida que a pandemia acelerou todas as tendências e sedimentou novos conceitos. Acho que até agora só estamos enxergando o topo do iceberg, e que mudanças profundas em todos os campos ainda estão por vir.

A pandemia afetou a economia mundial, bagunçou o tabuleiro, e criou distorções que estarão conosco por muitos anos, isso trouxe dificuldades, mas também muitas oportunidades. Momentos de incerteza, volatilidade e deslocamentos abrem portas para os bons advisors, para quem gera conteúdo de qualidade, para quem consegue enxergar mais longe e trazer soluções. Assim, 2020 foi um ano muito positivo para nós e espero que assim continue neste e nos próximos anos. Sou otimista por natureza, mas nosso negócio depende do ambiente político e macroeconômico, portanto de fatores externos que podem prejudicar ou ajudar, e espero que o Brasil não dê um tiro no pé, mesmo porque espera-se que o mundo crescerá fortemente pós pandemia, e não podemos estar na contramão desses ventos a favor.

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