Da nuvem ao analytics, a revolução digital da Boa Vista

Divulgação/Forbes
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“Queremos ter os melhores especialistas”, afirma Dirceu Gardel, CEO da Boa Vista, sobre investimentos na formação em tecnologia dos colaboradores

Quem procura por um imóvel para alugar nos Estados Unidos ou já passou por criteriosos processos seletivos de emprego conhece a importância de se ter um bom score no país. A palavra, que tem sido adotada no Brasil também em inglês (na tradução para o português significa pontuação) faz menção ao histórico de crédito que pessoas físicas possuem nos EUA e dita as possibilidades de se conseguir não apenas um cartão de crédito ou um empréstimo bancário, mas permeia também muitas das etapas de verificação de informações em diferentes situações do dia a dia dos norte-americanos.

No Brasil, possuir um bom score pode ser também a diferença entre o acesso ou barreiras nos produtos de crédito e, cada vez mais, o uso da tecnologia no cálculo é uma ferramenta que além de separar bons e maus pagadores, deve ditar tendências no uso da pontuação no mercado brasileiro. Com 11 anos de história e sete meses de capital aberto, a Boa Vista, que administra o SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), é uma das empresas nacionais que vem construindo pelo uso pesado de tecnologias uma ressignificação do score de crédito no mercado brasileiro.

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Para fazer frente ao desafio, a estratégia da empresa inclui aquisições direcionadas a ampliar a oferta de serviços e oferecer apoio tecnológico para maior precisão na análise de perfis, movimento que desde 2015 permite à companhia registrar crescimento entre 15% e 20% ao ano, “essa estrutura que deu base para que fosse realizado o IPO em setembro de 2020”, cona o CEO da Boa Vista, Dirceu Gardel. Com o montante de R$ 2,17 bilhões levantado na oferta, a empresa realizou duas aquisições e fechou o último trimestre de 2020 com um lucro líquido de R$ 52 milhões, uma alta de 129% em relação ao resultado de 2019 (R$ 22 milhões).

A primeira aquisição após o IPO foi a da Acordo Certo, empresa que utiliza analytics para aproximar consumidores e credores na negociação de débitos de forma digital, e conta com mais de 57,8 milhões de CPFs cadastrados. A segunda aquisição foi realizada em março deste ano, com a compra da Konduto, companhia especializada em sistemas antifraude que possui mais de 12 milhões de clientes. A transação aguarda apenas aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e a previsão da empresa é que a permissão seja concedida ainda neste mês.

Gardel afirma que as compras trazem maior qualidade aos produtos da Boa Vista e colocam a empresa “mais perto do seu objetivo, que é ser o principal provedor de score com produtos baseados em inteligência artificial”.

Outro fruto que a Boa Vista colhe do IPO é o CEA (Centro de Excelência em Analytics), onde serão desenvolvidas soluções inovadoras para o setor, “queremos ter os melhores especialistas”, comenta o CEO.

Além de oferecer um mapa de crédito dos brasileiros, a empresa tem o objetivo de criar métricas que beneficiem as companhias de diferentes setores na captação de clientes. “Quando alguém nos procurar, utilizaremos nossa base de perfis para selecionar os melhores compradores de um produto, sendo mais assertivos e tecnológicos, conseguindo dar maior apoio ao crescimento nas vendas dos nossos clientes”, explica o executivo.

Para 2021, o CEO aposta em novas aquisições estratégicas: duas apenas para este ano, enquanto outras 20 transações estão no radar da empresa para manter o ritmo de crescimento pautado em tecnologia, além de parcerias que consolidem o aparato tecnológico para atingir 100% das operações em nuvem. “A gente não pode parar”, comenta Gardel.

O mercado de crédito na pandemia

A pandemia foi um marco para a Boa Vista e para o mercado de crédito. Enquanto a empresa – junto a outros players do mercado – se estruturava para oferecer integrar o Cadastro Positivo, sistema que registra digitalmente os pagamentos dos brasileiros, ajudando na construção da pontuação, o mundo entrava na pandemia.

De acordo com estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) o saldo de operações de crédito do SFN (Sistema Financeiro Nacional) atingiu R$ 4 trilhões em dezembro de 2020, a relação entre crédito e PIB atingiu 54,2%, o maior valor dos últimos 10 anos. A participação das pessoas físicas nessas operações teve uma alta anual deflacionada de 6,1%, ficando em R$ 2,2 trilhões, já as pessoas jurídicas tiveram um crescimento de 16,5%, totalizando R$ 1,8 trilhão.

Para 2021, o relatório do Instituto aponta que haverá um declínio na inadimplência, sinalizando boas perspectivas para o mercado de crédito, que já apresenta mínimas históricas na inadimplência de pessoas jurídicas (1,4%) e físicas (4,2%), apesar do contexto.

“A retração econômica não foi tão crítica para a população porque os bancos ampliaram o prazo de renegociação de dívida fazendo com que o número de inadimplentes caísse, mas também houve uma redução no apetite de concessão de crédito”, explica Gardel. A cada 10 fintechs, oito estão cadastradas na Boa Vista, e todas demonstraram dúvidas com relação ao futuro da economia brasileira.

Ainda segundo o executivo, a Boa Vista possui “dois grandes braços, o primeiro é a análise de crédito e o segundo são os produtos de recuperação de crédito”, ou seja, enquanto houver retração de crédito, normalmente existe um aumento da inadimplência, assim, enquanto um lado é afetado, o outro cresce. “O que garante uma balança positiva em nossos serviços”, afirma o CEO.

Gardel também espera terminar o ano com novos produtos do Cadastro Positivo e analytics. “Se tivermos vacinado cerca de 60% dos brasileiros haverá uma retomada da economia, e conseguiremos retomar o crescimento de 15% a 20% ao ano”, conclui.

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