Ibovespa descola do exterior e fecha em alta, apesar de turbulência política

O dólar começou a semana em firme alta contra o real, subindo 0,81% e negociado a R$ 5,72 no fechamento

Ana Paula Pereira
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O Ibovespa fechou em alta de 0,97% aos 118.811 pontos o pregão desta segunda-feira (12), descolando do movimento observado no exterior, com GPA (PCAR3), Braskem (BRKM5) e Petrobras (PETR4) entre os suportes da sessão, embora o volume financeiro permaneça abaixo da média.

O mercado tem apostado na cautela frente à disputa cada vez mais acirrada em torno dos rumos do orçamento federal. O impasse já chega a terceira semana consecutiva e foi agravado nos últimos dias pelo pedido de instalação da CPI da Covid-19. O governo trabalha para ampliar o escopo da comissão, incluindo na investigação além de ações do governo federal, a gestão de governadores e prefeitos no enfrentamento à pandemia.

No início da tarde, o senador Eduardo Girão (Podemos-CE) informou ter alcançado o número mínimo de assinaturas para criar a CPI ampliada. Segundo uma das fontes do Senado ouvidas pela agência Reuters na condição de anonimato, a avaliação dos parlamentares, alinhada com o Palácio do Planalto, é que uma CPI da Covid no momento poderá mais atrapalhar do que ajudar no enfrentamento da pandemia, além do risco até de contaminar mais senadores: três já morreram desde o início da crise sanitária.

Na análise do economista e sócio da BRA, João Beck, “a duração de todo o impasse já deteriora as relações entre executivo e legislativo”, acrescentando que “o mercado, por ora, entende que o presidente tem debaixo do braço a LDO e deve vetar o orçamento. O problema é como fica a relação do Presidente com o Congresso para que outras reformas lá na frente sejam aprovadas.”

“Caso o orçamento não seja vetado como o mercado espera, vamos estourar o teto de gastos e descumprir regra do teto. Então, teremos problemas para pagar contas, teremos que fazer algum ajuste para diminuir os gastos e tentar segurar de alguma maneira as emendas parlamentares. Do jeito que o orçamento está, pode piorar bastante a percepção dos agentes de investimento em relação a garantia de que o Brasil vai pagar essa conta”, explica Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos.

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Uma das possíveis soluções para o impasse, o governo discute a criação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que tenha sob seu guarda-chuva gastos extraordinários, como medidas de apoio ao emprego e despesas da Saúde. A ideia teria vindo do Ministério da Economia, como uma forma de liberar espaço para emendas parlamentares que podem ser vetadas no orçamento. A possibilidade foi mal recebida pelo mercado. O presidente Jair Bolsonaro tem até o dia 22 para aprovar ou vetar o texto.

O dólar começou a semana em firme alta, subindo 0,81% e negociado a R$ 5,72 no fechamento, deixando a moeda brasileira na pior posição global. Mais um vez, o mercado repercutiu preocupações com o rompimento do teto de gastos, o que ampliaria severamente as incertezas sobre a sustentabilidade fiscal do país.

Em Wall Street, o dia foi leve viés negativo para as ações, com investidores aguardando amanhã a divulgação da inflação ao consumidor de março nos Estados Unidos, além de balanços corporativos do primeiro trimestre de 2021 previstos para essa semana. O índice Dow Jones terminou o dia em queda de 0,16% aos 33.745 pontos, enquanto o S&P 500 fechou próximo da estabilidade, recuando 0,02% aos 4.127 pontos.

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