Ibovespa recua com risco fiscal, mas sobe 2% na semana com retomada no exterior

O Ibovespa terminou a sexta-feira (9) em queda de 0,54% aos 117.669 pontos, com menor apetite por riscos do mercado frente aos desafios da discussão do Orçamento de 2021. A disputa em torno do texto, que deve ser sancionado ou vetado até o dia 22 pela Presidência da República, ganhou um novo elemento após a determinação pelo ministro Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), de instalação pelo Senado da CPI da Covid-19 com o objetivo apurar supostas omissões do governo federal no enfrentamento à pandemia.

A análise de especialistas é que a instalação da CPI neste momento aumenta o poder de barganha dos parlamentares na discussão do Orçamento, aprovado com despesas subestimadas e considerado irreal pela equipe econômica do governo. O mercado teme ainda uma possível maquiagem fiscal, que colocaria em xeque o teto de gastos e, por tabela, a permanência no cargo de Paulo Guedes no ministério da Economia.

“Não teria momento pior para isso (a instalação da CPI) acontecer”, disse Roberto Motta, responsável pela mesa de derivativos da Genial Investimentos, numa referência ao que ele chamou de “novela infindável” do Orçamento.

Durante a semana, Guedes afirmou que é a primeira vez que o governo elabora em conjunto com o Congresso o Orçamento, e que as divergências atuais giram em torno de como comportar os acordos políticos na proposta.

O Orçamento foi aprovado pelo Congresso há duas semanas com uma redução de R$ 26,5 bilhões na projeção das despesas obrigatórias do governo (dos quais R$ 13,5 bilhões em despesas previdenciárias) e  elevação dos recursos direcionados a emendas parlamentares.

O tom defensivo do mercado diante das incertezas do Orçamento foi sentido também nos juros, com as taxas DI avançando mais de 15 pontos-base ao fim da tarde. “Agora pode sair qualquer coisa no fim de semana”, disse Luis Laudisio, operador da Renascença, referindo-se à cautela dos agentes nesta sexta.

Na semana, no entanto, o Ibovespa acumulou alta de 2%, acompanhando o desempenho dos mercados no no exterior com perspectivas de recuperação nas principais economias do mundo. Durante a semana, o FMI (Fundo Monetário Internacional) elevou mais uma vez sua perspectiva para o crescimento econômico global, projetando que a produção mundial aumentará 6% neste ano, taxa não vista desde a década de 1970, graças, principalmente, a respostas de política econômica sem precedentes à pandemia de Covid-19.

Em Wall Street, o índice Dow Jones fechou o dia em máxima recorde aos 33.800 pontos, alta de 0,89% na sessão, enquanto o S&P 500 consagrou a terceira semana consecutiva de ganhos, subindo no fechamento 0,77% aos 4.128 pontos.

A semana foi positiva para o mercado acionário norte-americano, levando o S&P 500 a máximas históricas e queda nos rendimentos dos Treasuries por quatro dias consecutivos. Os investidores norte-americanos apostam na retomada do crescimento econômico com o avanço da vacinação nos Estados Unidos: 1 em cada 4 adultos no país está imunizado (em duas doses) contra a Covid-19 e pelo menos 30% dos norte-americanos já receberam ao menos uma dose da vacina, segundo informações divulgadas ontem pelo CDC.

O dólar teve forte alta nesta sexta-feira, oscilando mais de R$ 0,11 na sessão, com investidores preocupados com o rumo da política fiscal caso o Orçamento seja sancionado sem vetos. No fechamento, a moeda norte-americana disparou 1,83% contra o real, negociada a R$ 5,67 na venda e anulando a correção observada na semana.

Ontem, o ministro Paulo Guedes afirmou que a taxa de câmbio de equilíbrio deve estar girando atualmente em torno de R$ 4,50 e que houve um “overshooting” do câmbio – quando a moeda se desvaloriza mais do que o sugerido pelos fundamentos – mas que sua expectativa é que o real se recupere à medida que o país prossiga com as reformas estruturais e vacinação em massa. (Com Reuters)



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