Ibovespa sobe e encosta nos 121 mil pontos; Dow e S&P 500 renovam máximas

O Ibovespa encerrou o dia em alta de 0,34% aos 120.700 mil pontos, descolando dos fortes ganhos observados no exterior, mas marcando o quarto dia consecutivo no azul. Entre os destaques da sessão está a Cia. Hering (HGTX3), que disparou 28% após recusar uma proposta de fusão com a Arezzo&Co (ARZZ3). Do lado baixista, a Bolsa brasileira foi pressionada pelas incertezas fiscais, enquanto no exterior dados robustos do varejo norte-americano e balanços corporativos levaram o Dow Jones e o S&P 500 a máximas históricas nesta quinta-feira.

O orçamento de 2021 segue como foco da guerra de braço entre o Legislativo e a equipe econômica. O presidente Jair Bolsonaro tem até o próximo dia 22 para vetar ou sancionar o texto. O governo trabalha com a hipótese de veto parcial do orçamento e envio de um projeto de lei para recompor as despesas obrigatórias.

Em meio às incertezas que cercam as contas públicas neste ano, a equipe econômica definiu hoje a meta do déficit primário em R$ 170,474 bilhões para o governo central em 2022, segundo projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) enviado ao Congresso.

O rombo anual (o nono consecutivo do governo central) é inferior ao déficit fixado como meta para este ano, de R$ 247,1 bilhões, cujo cumprimento já é posto em dúvida diante das pressões por gastos em meio à pandemia.

A nova meta para o ano que vem levou em conta uma projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,2% para 2021 e de 2,5% para 2022, parâmetros que já haviam sido divulgados pela Secretaria de Política Econômica no mês passado. Para a relação dívida bruta/PIB, a projeção do governo é que chegue a 86,7% em 2022 (ante projeção anterior de 94,71%), 87,3% em 2023 (95,48% antes) e 88,1% em 2024.

Nos indicadores domésticos, o Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) desacelerou em abril, subindo 1,58% no mês, ante avanço de 2,99% em março, com a queda nos preços das matérias-primas ajudando a aliviar a pressão geral no atacado. O índice acumula alta de 9,16% no ano e de de 31,74% em 12 meses. Os dados foram divulgados nesta manhã pela FGV (Fundação Getulio Vargas).

Já o volume do setor de serviços do Brasil cresceu 3,7% fevereiro em relação a janeiro e teve queda de 2,0% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta manhã. Com o resultado, o setor acumula em nove meses crescimento de 24,0%, recuperando-se da perda de 18,6% registrada entre os meses de março a maio de 2020 devido à pandemia.

Em Wall Street, o índice Dow Jones fechou pela primeira vez acima dos 34 mil pontos nesta quinta-feira, com o S&P 500 também cravando nova máxima de fechamento, em meio a um rali das ações de tecnologia, desencadeado pela queda nos rendimentos dos Treasuries e pelos fortes dados de vendas no varejo dos Estados Unidos em março.

As vendas do varejo norte-americano cresceram 9,8% no mês passado, informou hoje o Departamento do Comércio, impulsionadas pela última rodada de pagamentos diretos às famílias enviada pela Casa Branca. Já os novos pedidos de auxílio desemprego caíram para 576 mil solicitações na semana encerrada em 10 de abril, o menor patamar desde o início da pandemia. Na semana anterior, os novos pedidos somaram 769 mil, segundo o Departamento do Trabalho dos EUA.

No fechamento, o Dow subiu 0,90% aos 34.035 pontos, o S&P 500 teve alta de 1,11% aos 4.170 pontos e o Nasdaq avançou 1,31% aos 14.038 pontos.

O ambiente positivo para os ativos de risco levou o dólar a fechar em mínima de uma semana na sessão de hoje, negociado a R$ 5,62 na venda com recuo de 0,82%, marcando a terceira queda consecutiva para a moeda norte-americana frente ao real, ditada pela fraqueza da divisa ao redor do mundo nos últimos dias.

Ivo Chermont, sócio e economista-chefe da Quantitas, avalia que o clima favorável a risco no exterior tem ajudado o real a se valorizar nos últimos dias, mas ressalva que a moeda brasileira ainda perde contra pares emergentes, sinal de que o câmbio segue com melhora limitada devido a problemas locais.

“Acho que, no ponto atual, se o Brasil fizer o dever de casa, o real ainda fica meio de lado”, disse Chermont. Por “dever de casa”, o economista considera evitar mais gastos extra-teto e tentar convencer os investidores de que em 2022 não ocorrerão problemas similares aos atuais ou tentativas de maquiagem no orçamento. (Com Reuters)

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