Ibovespa sobe quase 1% com apoio do exterior, mas fecha semana no negativo

O dólar quebrou uma sequência de sete quedas e fechou em alta a sessão de hoje, subindo 0,78% a R$ 5,49 na venda

Ana Paula Pereira
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O Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira (23) em alta de 0,97% aos 120.530 pontos, amparado pelo bom humor no exterior e pelo avanço da Vale (VALE3), que repercutiu o dia positivo para o minério de ferro e os bons números da Usiminas no primeiro trimestre, companhia que abriu hoje a temporada brasileira de balanços corporativos. Apesar da recuperação no dia, o índice brasileiro acumulou queda de 0,5% na semana, pressionado pelas incertezas em torno do orçamento de 2021, sancionado na noite de ontem pelo presidente Jair Bolsonaro.

A LOA (Lei Orçamentária Anual) foi sancionada com um corte de R$ 19,8 bilhões em dotações orçamentárias e vetando a criação de cargos na Polícia Militar e no Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. A Presidência anunciou ainda a edição de um decreto para promover um bloqueio adicional de mais R$ 9 bilhões nos recursos do orçamento, medida necessária, segundo o governo, para garantir o cumprimento do teto de gastos. A sanção foi publicada no Diário Oficial desta sexta-feira.

“A nosso ver, a decisão reduz o risco de execução [do orçamento] para o restante do ano”, avaliou a estrategista-chefe da Rico Investimentos, Betina Roxo.

O alívio no orçamento também impactou o dólar, que recuou 1,5% na semana e engatou a quarta semana seguida de perdas. Na sessão de hoje, todavia, a divisa quebrou uma sequência de sete quedas e fechou em alta de 0,78% e negociado a R$ 5,49 na venda.

Estrategistas do JPMorgan veem período de estabilização nas taxas de câmbio e juros no Brasil na comparação com seus pares emergentes, após performance aquém nos últimos meses. Além da melhora no ambiente político-fiscal, o banco norte-americano chama atenção para o efeito dos aumentos da Selic sobre a taxa de câmbio.

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“Estimamos que para cada 100 pontos-base de aumentos de juros no Brasil em relação aos emergentes um total de US$ 2,3 bilhões em posições vendidas em real nos contratos cambiais na bolsa doméstica (B3) pode ser revertido, o que representa um significativo apoio à moeda brasileira.”

O JPMorgan projeta nova elevação de 75 pontos-base no juro básico em maio.

Entre os destaques corporativos, a Usiminas reportou hoje lucro líquido de R$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre, versus prejuízo de R$ 424 milhões no mesmo período do ano passado, beneficiada pela forte demanda de aço no país, que colaborou com o aumento nos preços.

A Usiminas registrou ainda uma disparada de 325% na geração de caixa operacional, medida pelo Ebitda ajustado, para o recorde trimestral consolidado de R$ 2,4 bilhões. A margem subiu para 34%, de 15% um ano antes.

No exterior, as ações europeias registraram a primeira perda semanal em oito semanas nesta sexta-feira, com um aumento nos casos globais de coronavírus se sobrepondo ao otimismo em torno de uma temporada de fortes balanços. O índice pan-europeu Stoxx 600 perdeu 0,2%, acumulando queda semanal de 0,8%. Ações defensivas, como as dos setores de saúde e consumo, ficaram entre os maiores declínios, enquanto o aumento dos preços das commodities elevou as mineradoras.

Em Wall Street, os índices de ações terminaram a sessão em alta, na esteira de novos dados indicando uma forte retomada na economia norte-americana. Segundo análise parcial divulgada hoje pela IHS Markit, a atividade industrial dos Estados Unidos segue em ritmo acelerado em abril. O setor, no entanto, enfrenta escassez de matérias-primas e outros insumos, já que os estímulos econômicos e o início de reabertura levaram a um forte crescimento na demanda doméstica.

A parcial do mês revela que o PMI industrial subiu para 60,6 pontos, contra 59,1 de março. O PMI de serviços avançou para 63,1 em abril, contra 60,4 no último mês, acima das expectativas do mercado. Já o PMI composto, que combina indústria e serviços, subiu para 62,2 na parcial deste mês, ante 59,7 de março, nível recorde.

No acumulado da semana, no entanto, as Bolsas nos Estados Unidos registraram perdas, encerrando uma sequência de altas expressivas. A correção foi amparada pela notícia de que a Casa Branca prepara um projeto que quase dobra os impostos sobre ganhos de capital, elevando a alíquota para 39,6% para os contribuintes que ganham mais de US$ 1 milhão ao ano no país. A notícia derrubou o mercado de ações ontem.

De forma geral, analistas minimizaram os declínios da sessão anterior, classificando-os como uma reação automática, preferindo se concentrar nas fortes perspectivas para a economia. O índice de volatilidade da CBOE, conhecido como “índice do medo”, despencou cerca de 10%, sinal de diminuição na ansiedade de investidores quanto aos riscos à frente.

No fechamento de hoje, o Dow Jones ganhou 0,67% aos 34.043 pontos, o S&P 500 subiu 1,09% aos 4.180 pontos e o Nasdaq avançou 1,44% aos 14.016 pontos. Na semana, os índices somaram quedas de 0,46%, 0,13% e 0,25%, respectivamente.

Na próxima semana, o mercado norte-americano deve se voltar ao anúncio oficial das possíveis mudanças tributárias nos EUA e ao balanço das empresas de tecnologia. Por aqui, o destaque também deve ficar por conta dos balanços domésticos do primeiro trimestre. (Com Reuters)

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