Investimento estrangeiro em portfólio no país cai em março após 9 meses de alta

Segundo fonte do BC (Banco Central), "não dá para falar em tendência ainda, são movimentos voláteis".

Redação
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Gary Cameron/Reuters
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Fernando Rocha, diretor do Departamento de Estatísticas do BC, afirma que “Não dá para falar em tendência ainda, são movimentos voláteis”.

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Os investimentos estrangeiros em ações e títulos no Brasil voltaram a cair em março após um período de nove meses de alta que havia garantido uma recuperação dos fluxos após as violentas perdas sofridas no primeiro semestre de 2020, sob o impacto da pandemia global do coronavírus.

Números das contas externas divulgados hoje (26) pelo BC (Banco Central) mostraram que os não residentes retiraram US$ 2,084 bilhões de investimentos em carteira do país no mês passado, período de recrudescimento do coronavírus no Brasil. O dado se compara a um fluxo positivo mensal médio de US$ 3,6 bilhões desde junho do ano passado.

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Para o BC, a saída de recursos não pode ser associada ao agravamento da pandemia nem é possível dizer, no momento, se configurará uma nova tendência.

Em entrevista à imprensa, o diretor do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, destacou que, enquanto em março houve saída de investimentos de ações e fundos de investimento (US$ -2,996 bilhões) e entrada de recursos para títulos (US$ +912 milhões), a parcial de abril mostra um fluxo trocado. Até o dia 20, entraram no país US$ 1,154 bilhão para ações e saíram US$ 1,250 bilhão que estavam investidos em títulos de dívida no mercado doméstico.

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“Não dá para falar em tendência ainda, são movimentos voláteis”, disse Rocha.

Os investimentos diretos, mais voltados ao longo prazo e por isso tradicionalmente menos voláteis, somaram US$ 6,864 bilhões em março, pouco abaixo dos US$ 7,386 bilhões registrado no mesmo mês de 2020. Para abril, a estimativa do BC é que os ingressos totalizem US$ 4,9 bilhões.

TRANSAÇÕES CORRENTES

Os dados do balanço de pagamentos mostraram, ainda, que o Brasil registrou déficit em transações correntes de US$ 3,970 bilhões em março, inferior ao déficit computado há um ano, de US$ 4,257 bilhões.

Essa diferença teria sido bem maior se não fosse o impacto das operações de nacionalização de plataformas de petróleo feitas no âmbito do regime aduaneiro Repetro, computadas como importações pelo BC.

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Essas operações somaram US$ 6,5 bilhões no mês passado, alavancando o volume total das importações e levando o país a registrar um déficit comercial de R$ 437 milhões, segundo o BC.

O Ministério da Economia deixou de computar as operações do Repetro –em que não há entrada ou saída de bens do país– nos seus dados de balança comercial a partir deste mês, em uma revisão metodológica que envolveu outros ajustes. Com isso, estimou o saldo comercial de março em um superávit de US$ 6,5 bilhões.

Mas o BC informou que seguirá com os registros do Repetro pois adota normas contábeis adotadas internacionalmente para o balanço de pagamentos em o que define exportações e importações é se há troca de propriedade entre residentes e não-residentes.

A expectativa em pesquisa da Reuters com analistas era de um déficit de US$ 2,5 bilhões para março.

Em 12 meses, o déficit em conta corrente do país passou a 1,24% do PIB (Produto Interno Bruto), ante 1,26% do PIB em fevereiro, segundo o BC. Para abril, o BC projetou um superávit em transações correntes de US$ 5,7 bilhões.

Até o dia 20 deste mês, o fluxo cambial ficou positivo em US$ 576 milhões, disse ainda o BC. (Com Reuters)

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