Ibovespa fecha em queda e S&P 500 vai a máximas antes de feriado

O dólar fechou em firme alta, subindo 1,55% e negociado a R$ 5,71 na venda

Ana Paula Pereira
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O Ibovespa encerrou o último pregão da semana em queda de 1,18% aos 115.253 pontos, descolando do movimento positivo observado no exterior. No mercado doméstico, os investidores apostaram na cautela na véspera da Sexta-Feira Santa em um contexto de agravamento da pandemia no país e ruídos políticos em torno do Orçamento de 2021. No Brasil e nos Estados Unidos, as negociações de ações no mercado à vista estão suspensas em função do feriado.

Ontem, o relator do Orçamento no Congresso, senador Marcio Bittar (MDB-AC), concordou em cancelar R$ 10 bilhões em emendas de sua autoria assim que a Lei Orçamentária de 2021 for sancionada. De acordo com análise matinal da Genial Investimentos, o presidente Jair Bolsonaro tem até o dia 22 de abril para sancionar a lei e vetar parte do orçamento. As negociações entre Executivo e Legislativo devem se arrastar pelas próximas semanas.

O sentimento negativo no dia foi amparado ainda pelos indicadores econômicos. Dados sobre a atividade industrial brasileira revelaram uma queda inesperada na produção da indústria em fevereiro, com recuo de 0,7% na comparação com o mês anterior, segundo apuração do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O setor está agora 13,6% abaixo do patamar recorde alcançado em maio de 2011 e 2,8% acima do nível pré-pandemia, de fevereiro de 2020.

O volume financeiro dos negócios na B3 nesta quinta-feira somou R$ 27,5 bilhões, bem abaixo da média diária do ano, de R$ 37,2 bilhões. Levantamento da Bolsa brasileira mostra que até o dia 30 de março, o saldo estrangeiro no segmento Bovespa estava negativo em R$ 3,3 bilhões, no segundo mês seguido de saída líquida de estrangeiros do mercado secundário de ações brasileiro. No ano, as entradas ainda superam as saídas em R$ 13,4 bilhões. Os dados não incluem dados sobre as ofertas de ações (IPOs e follow-ons).

Em Wall Street, o S&P 500 fechou hoje pela primeira vez acima dos 4 mil pontos, impulsionado pelo retorno do apetite por riscos do mercado após o anúncio de um novo pacote trilionário de investimentos na economia norte-americana. Segundo o Dow Jones Market Data, foram necessários apenas 434 pregões para benchmark acionário saltar dos 3 mil para os 4 mil pontos, a menor diferença da história do índice.

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Na sessão de hoje, o S&P 500 foi impulsionado pelo desempenho das ações da Microsoft, Amazon, Alphabet e Nvidia, todas subindo 1% ou mais. As ações de crescimento têm mostrado sinais de avanço após ficarem para trás nas últimas semanas em relação às ações de valor, que devem ter performance superior à medida que a economia recupera-se da pandemia do coronavírus.

No fechamento, o Dow Jones ganhou 0,52% aos 33.153 pontos, o S&P 500 avançou 1,18% aos 4.019 pontos e o Nasdaq teve alta de 1,76% aos 13.480 pontos.

O dólar encerrou o dia em firme alta contra o real, subindo 1,55% e negociado a R$ 5,71 na venda, numa sessão marcada por volatilidade no câmbio depois da forte queda de ontem, com operadores de mercado embutindo nos preços profunda preocupação com os rumos do Orçamento.

O Goldman Sachs vê o dólar em R$ 5,00 em 12 meses. Caesar Maasry, chefe de estratégia de mercados emergentes do grupo de pesquisas do banco, reconhece os riscos fiscais que afligem os mercados, mas diz que, do ponto de vista externo, o fiel da balança para a taxa de câmbio atualmente é a perspectiva de retomada econômica.

Maasry prevê aceleração da vacinação no Brasil no segundo semestre, que virá acompanhada de reabertura mais forte da economia. “Essa recuperação vai vir e vai pegar o real subvalorizado. Isso vai levar a moeda a superar seus pares emergentes”, disse. (Com Reuters)

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