No campeonato das farmácias, Hypera quer chutar no gol e ser a camisa 10 do setor farmacêutico

Companhia divulgou guidance de R$ 5,9 bilhões para receita líquida e R$ 1,5 bilhão para lucro líquido em 2021

Artur Nicoceli
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Companhia divulgou guidance de R$ 5,9 bilhões para receita líquida e R$ 1,5 bilhão para lucro líquido em 2021

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Atire a primeira pedra quem nunca ficou com a frase “tomou Doril, a dor sumiu” grudada na cabeça ou foi surpreendido com a notícia de que a Arena Corinthians mudou de nome para Neo Química Arena. O slogan e o novo nome do estádio são parte do mesmo jogo de marketing criado pela Hypera Pharma, uma das maiores companhias farmacêuticas do Brasil.

Como em um jogo de futebol, os espectadores sabem quem são os atletas, mas nem sempre quem são os administradores por trás das equipes. No mundo das farmacêuticas é parecido: os consumidores estão acostumados a comprar os remédios pelo seu nome, não pela fabricante. Quem está por trás de muitos medicamentos que são parte do dia a dia dos brasileiros é a Hypera, e alguns dos seus principais – e famosos – jogadores são: Neosaldina, Benegrip, Engov, Buscopan, Rinosoro, entre muitos outros.

Enquanto as equipes procuram craques do futebol para avançarem no placar dos campeonatos, as farmacêuticas querem remédios que caiam no gosto do consumidor, solucionem problemas reais no tratamento de dores e doenças e, claro, as ajudem a subir no ranking das melhores empresas do setor. Pensando nisso, só em 2020 a Hypera fechou negócio com a Glenmark e assumiu a posição de atacante na distribuição da linha dermatológica da empresa, além de ter comprado a família Buscopan, a marca Simple Organic e firmado acordo para aquisição de um portfólio de 18 medicamentos da gigante japonesa Takeda. As aquisições deixam a companhia em primeiro lugar em consumer health (medicamentos no varejo sem prescrição médica), na segunda posição em remédios genéricos e na terceira no pódio de medicamentos com prescrição.

Outro diferencial na estratégia da companhia em relação aos players do mercado é que, enquanto os outros times farmacêuticos direcionam seus esforços para atacar em média quatro linhas de produtos ou menos, a Hypera foca em ocupar todos os espaços no jogo dos remédios, oferecendo desde genéricos, similares, dermo, mercado de balcão e medicamentos com prescrição médica. Essa gama ajudou a empresa a fechar 2020 com uma receita líquida de R$ 4 bilhões.

Segundo a companhia, “a evolução dos ganhos no ano passado é consequência do crescimento de 8,4% no sell-out (venda de produtos pela rede de distribuidores) em 2020, que foi impulsionado por genéricos, similares, medicamentos crônicos, produtos de prescrição, vitaminas, suplementos e nutricionais.”

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No HyperaDay, evento destinado aos investidores da companhia, o CFO da Hypera, Adalmário Couto, declarou que o crescimento em 2020 foi de 24% e os produtos lançados nos últimos cinco anos foram responsáveis por metade do resultado. “Os produtos anunciados nos últimos três anos – 250 novos itens – representam 25% da nossa receita, acho que fica claro o porquê da inovação ser importante para nós.”

Os chutes no gol da pandemia e os planos futuros

O que distingue a companhia de um campeonato de futebol é que, durante a pandemia, enquanto a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) suspendeu os jogos por 93 dias como medida de prevenção ao coronavírus, a Hypera Pharma surfou na onda e apresentou resultados positivos. Ao mesmo tempo em que os brasileiros ficaram meses sem assistir uma partida dos seus clubes favoritos, a empresa realizava operações e aquisições que a levariam a um lucro líquido em 2020 de R$ 1,3 bilhão, apresentando uma alta de 11,2% contra 2019 (R$ 1,1 bilhão).

Os resultados positivos durante a quarentena fizeram com que a empresa criasse iniciativas para ajudar os colaboradores e os brasileiros no combate à Covid-19. Para os seus nove mil funcionários, foi criado um comitê de saúde e crise, com licenças para os grupos de risco, além de serviços de telemedicina e testes de detecção do vírus. Para os brasileiros, foram doados mais de R$ 2 milhões a organizações de voluntários no estado de Goiás e equipamentos para a cidade de Anápolis (GO) – região sede da companhia – sendo 20 ventiladores pulmonares, mil testes de PCR e 23 leitos de UTI. De acordo com o CEO, Breno Oliveira, o montante total destinado aos esforços de combate à pandemia foi de aproximadamente R$ 30 milhões.

Na última sexta-feira (9), a Hypera anunciou um guidance de R$ 5,9 bilhões para receita líquida e R$ 1,5 bilhão para lucro líquido de 2021, apoiado na estratégia de seguir com o jogo de inovação de produtos, procurando se manter como a principal indústria do mercado farmacêutico.

Segundo a diretora-executiva de projetos estratégicos, Vivian Angiolucci, existem três grandes frentes que a Hypera está focada para o futuro. A primeira é a HyperaHub 2, segunda versão do programa de conexão com startups que busca oferecer consultoria na gestão da empresa, o segundo esforço é o Parceiro Hypera, um sistema que irá customizar a oferta e fomentar o desenvolvimento do pequeno varejo, e o terceiro braço, é o Hypera Ventures, fundo que investe em startups que “complementem nossa atuação com modelos que possam disruptar o mercado de saúde”, afirma Vivian.

A segunda onda do coronavírus deixa o ambiente incerto, como em um jogo de futebol que não se sabe o vencedor, mas a Hypera está vestindo a camiseta do time e procurando saídas para driblar as adversidades e passar por cima dos adversários. O público (mercado) aguarda, na expectativa de que as estratégias da companhia levem a gols.

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