Aposta em educação financeira cresce no Brasil; conheça 15 escolas que abraçaram o tema

Na rede pública, o Banco Central e o MEC estruturam iniciativas para incluir a educação financeira no dia a dia das escolas brasileiras.

Artur Nicoceli
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Thitiwat Junkasemkullanunt EyeEm / GettyImages
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Na rede pública, o Banco Central e o MEC estruturam iniciativas para incluir a educação financeira no dia a dia das escolas brasileiras

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A demanda por educação financeira já é uma realidade nas escolas brasileiras, do ensino público ao privado as iniciativas estão em alta e acompanham a procura das famílias por uma grade curricular que vá além das disciplinas tradicionais na educação básica. Ontem (26), por exemplo, o Banco Central anunciou em seu perfil no Twitter o lançamento na próxima semana do programa Aprenda Valor, com o objetivo de oferecer às escolas base teórica para inserir as finanças nas aulas tradicionais.

Nas aulas do professor José Eduardo Colle, que ministra a disciplina de matemática avançada com foco em conceitos da economia e da administração no Colégio Pentágono, em São Paulo, os alunos realizam análises sobre empresas e estratégias adotadas por essas companhias frente a problemas econômicos e de gestão. “Eu ensino a agrupar dados para a construção de tabelas e cálculos, que culminam em diversas interpretações e, consequentemente, tomadas de decisões. (Eu) procuro deixar as aulas bem dinâmicas e didáticas, o que faz com que os alunos gostem”, conta o educador com exclusividade à Forbes. Em 2018, o CNE (Conselho Nacional da Educação) aprovou a inclusão da educação financeira na BNCC (Base Nacional Comum Curricular), referência para a elaboração dos currículos escolares e propostas pedagógicas.

O coordenador de Matemática do colégio Dante Alighieri, Milton Sgambatti, acredita que o segredo para introduzir a educação financeira na vida de crianças e adolescentes é humanizar o tema. “No colégio, ensinamos a lidar com dívidas, juros, investimentos e poupanças. O letramento financeiro é extremamente importante. Criamos problemas que provavelmente nossos alunos vão sofrer e desenvolvemos soluções em cima, por exemplo: eles devem comprar um carro para ir à universidade ou é melhor juntar e investir na Bolsa”, explica.

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A escritora de livros infantis voltados às finanças, Ana Pregardier, acredita que além do papel da escola como mediadora da educação financeira, os pais não podem relegar o assunto apenas ao ambiente escolar. “O objetivo familiar não é deixar na mão das instituições. Eles precisam estar ao lado das crianças e jovens, demonstrando que finanças não é só dinheiro ou juros, mas uma solução amigável e fácil de resolver as coisas”, explica. “Precisamos ensinar para que os filhos não se tornem adultos que gastam compulsivamente e não conseguem economizar.”

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Em âmbito nacional, o MEC (Ministério da Educação) trabalha em uma iniciativa com a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para disseminar a educação financeira nas escolas brasileiras. A proposta é capacitar 500 mil professores em três anos através de cursos EAD com carga horária de 40 horas para levar educação financeira às salas de aula. O acordo, no entanto, ainda está em elaboração entre a pasta e a autarquia.

A Forbes listou 15 instituições que oferecem aulas sobre educação financeira. Apresentadas em diferentes formatos e sem custo adicional aos pais, as disciplinas estão disponíveis, por enquanto, apenas em escolas particulares para alunos do Ensino Fundamental e Ensino Médio. As iniciativas do Banco Central e MEC devem se juntar ao leque já ofertado na rede privada e consolidar a educação financeira como parte da formação de uma nova geração de brasileiros.

  • Avenues, São Paulo (SP)


    O colégio oferece uma disciplina eletiva entre o sexto e o oitavo ano sobre educação financeira, além de clubes estudantis de finanças com duração de um ano para os Middle Grades (sexto ao oitavo ano) e Upper Grades (nono ano ao Ensino Médio). Aos estudantes do nono ano é oferecido ainda o programa HIP (High-Intensity Practice) de matemática intensiva.

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  • Porto Seguro (SP)


    A disciplina voltada à educação financeira é oferecida na grade curricular dos alunos do primeiro ao nono ano do Ensino Fundamental. Os exercícios são feitos nas aulas de matemática, que buscam desenvolver a capacidade financeira dos estudantes. Também são realizadas atividades complementares relacionadas ao dia a dia das empresas, passando por desafios de compra e venda.

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  • Maple Bear (SP)


    A escola oferece educação financeira de forma transversal entre as disciplinas de Educação Infantil até o Ensino Médio. As atividades trabalhadas são baseadas no cotidiano dos alunos, como pequenas compras e orçamento doméstico. Nas aulas, os estudantes aprendem a lidar com as finanças do dia a dia, planejar, poupar e como conquistar a independência financeira.

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  • Colégio Pentágono, São Paulo (SP)


    As aulas acontecem em três unidades do Colégio Pentágono – Alphaville, Morumbi e Perdizes, e são voltadas aos alunos do Ensino Médio. São trabalhadas teorias e aplicações nas áreas de administração e economia. No primeiro semestre de 2021, por exemplo, a disciplina de matemática avançada trouxe também aulas de estatística, com planilhas eletrônicas para a execução de cálculos mais complexos e longos, além da construção de tabelas e gráficos.

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  • Colégio ACM (RS)


    A escola oferece conteúdo sobre educação financeira de forma transversal, com apoio de material didático específico para a temática. As atividades desenvolvidas transitam sobre temas que envolvem o mundo das finanças e outras disciplinas, como a história da origem do dinheiro, por exemplo. Ao fim de cada ano letivo são elaborados trabalhos e apresentações sobre os conteúdos ensinados em sala de aula.

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  • Colégio Everest (RJ)


    A educação financeira está no currículo acadêmico do Ensino Fundamental I e II. Os estudantes aprendem a usar o dinheiro em exercícios práticos de compra e venda, entendendo com mais detalhes o valor do dinheiro no tempo, formas de poupar e cuidados financeiros com a vida pessoal e familiar.

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  • Colégio Dante Alighieri (SP)


    O colégio oferece disciplinas sobre educação financeira a partir do sexto ano, passando por conceitos como juros, desconto, acréscimo e multa. No oitavo ano e nono ano, são introduzidos temas como pagamentos em parcelas, juros simples e compostos. Além do conteúdo da grade tradicional, é oferecida ainda uma disciplina eletiva de educação financeira aos alunos interessados.

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  • Colégio Domus Sapientiae (SP)


    A instituição oferece conteúdo de educação financeira para o Ensino Fundamental e Médio como parte da disciplina de matemática. Uma disciplina específica e independente sobre o tema deve ser oferecida a partir do próximo semestre para os alunos do ensino médio.

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  • Colégio Ábaco (SP)


    O curso é oferecido como disciplina extracurricular dentro das opções disponíveis aos alunos do Ensino Médio. Nela, os estudantes aprendem temas como poupar e investir os recursos. As aulas teóricas são acompanhadas de exercícios práticos sobre o assunto.

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  • Colégio Marista Arquidiocesano (SP)


    O colégio disponibiliza conteúdos de educação financeira dentro do escopo das aulas de matemática, com trabalhos e projetos relacionados à compra e venda, finanças individual e familiar. A escola possui ainda parcerias com universidades em que os estudantes podem frequentar as aulas para experienciar disciplinas do curso de economia, além de passar uma tarde na Bolsa de Valores.

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  • Colégio Ítaca (SP)


    A disciplina de educação financeira é oferecida aos alunos do último ano do Ensino Médio, com aprendizados sobre investimentos e finanças pessoais, além de projetos e atividades voltadas ao universo financeiro. Os estudantes são introduzidos ao assunto nas aulas de matemática dos anos anteriores, mas se aprofundam na temática apenas no último ano curricular.

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  • Colégio Mackenzie (SP)


    Os alunos do primeiro ano do Ensino Médio participam de um projeto chamado de Trilha Bola de Neve, em que têm o primeiro contato com educação financeira em sala de aula. Já no segundo e terceiro ano são oferecidas eletivas extracurriculares, tendo a disciplina de economia como uma das possibilidades.

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  • Colégio Santo Américo (SP)


    Os alunos do Ensino Médio possuem conteúdos extracurriculares e, a cada trimestre, podem escolher uma disciplina. Entre elas, são oferecidas aulas sobre temas como empreendedorismo e educação financeira. Nesta última, os estudantes aprendem a poupar, como gastar e estratégias de investimentos presentes no mercado financeiro.

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  • Colégio Móbile (SP)


    Uma iniciativa dos alunos do Ensino Médio da Móbile deu início ao Clube de Investimentos, proposta que funciona em parceria com a plataforma Por Quê? e oferece atividades ligadas à economia e finanças. Os encontros acontecem a cada 15 dias e a escola oferece ainda um curso avançado de matemática para alunos do ensino médio. No segundo ano, por exemplo, são abordados temas como microeconomia e macroeconomia, finanças e funcionamento do mercado financeiro.

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  • Fundação Getúlio Vargas (SP)


    Apesar de não atuar na educação básica, a FGV (Fundação Getúlio Vargas) oferece um curso anual e gratuito aos estudantes do Ensino Médio, ministrado por alunos e professores convidados da graduação na Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas.

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Avenues, São Paulo (SP)


O colégio oferece uma disciplina eletiva entre o sexto e o oitavo ano sobre educação financeira, além de clubes estudantis de finanças com duração de um ano para os Middle Grades (sexto ao oitavo ano) e Upper Grades (nono ano ao Ensino Médio). Aos estudantes do nono ano é oferecido ainda o programa HIP (High-Intensity Practice) de matemática intensiva.

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