Balanços: bancos brasileiros apresentam resultados positivos e apontam para recuperação

Entre as quatro maiores instituições financeiras do país, todas apresentaram lucros acima ou em linha com as expectativas

Kariny Leal
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SOPA Images/Getty Images
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Entre as quatro maiores instituições financeiras do país, todss apresentaram lucros acima ou em linha com as expectativas

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Na segunda semana de balanços corporativos no Brasil, os resultados dos grandes bancos do país concentraram as atenções do mercado. Com lucro acima das expectativas, apesar do ambiente desafiador, as instituições financeiras reforçaram as expectativas de retomada no setor. Segundo análise prévia da Eleven Financial, “o tamanho da reserva adicional de provisão deve ser suficiente para que os bancos registrem aumentos de lucros e mantenham ROEs (Retorno sobre o Patrimônio, na sigla em inglês) apenas um pouco abaixo dos níveis de 2019”.

No ano passado, as altas provisões do início da pandemia, levaram à redução de ganhos das instituições financeiras. De acordo com um relatório produzido pela Economatica, em 2020, os bancos tiveram a maior queda de lucro em 21 anos, de 24,4%.

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Para 2021, a Eleven vê um ambiente favorável ao aumento de lucros em meio a “elevados índices de cobertura, capazes de acomodar a subida na inadimplência, bem como a expansão gradual das margens e controle de custos”.

Analistas apontam que, ainda com os resultados favoráveis no primeiro trimestre, e indicadores que superaram expectativas, os papéis dos grandes bancos do Brasil seguem com desconto devido às incertezas quanto à pandemia – o que, como alguns apontam, pode ser uma boa oportunidade de compra. A concorrência com bancos digitais também pressiona e leva os mais tradicionais a tentarem inovar para correr atrás.

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O Santander Brasil foi o primeiro entre os grandes bancos a divulgar os resultados do primeiro trimestre no último dia 28, com lucro líquido de R$ 4,01 bilhões, acima do consenso dos analistas. O ROE do banco ficou em 20,9%, ante os 22,3% do mesmo período de 2020, o que indica que o Santander se aproxima de indicadores pré-covid.

A Ativa Investimentos destaca “o crescimento da carteira de crédito do banco, margem financeira e receita com serviços, combinado com uma gestão eficiente de despesas”, como os pontos positivos do resultado, mas alerta para o aumento nos níveis de provisão na comparação trimestral — e ainda assim, a casa pondera que o nível de provisionamento do Santander está abaixo de seus pares, “diante de um cenário macro instável”.

A unit do Santander registra perdas de cerca de 13,7% no ano.

Na sequência, o Itaú divulgou resultado do primeiro trimestre no dia 3, e também superou as expectativas. O banco registrou lucro líquido de R$ 6,4 bilhões, superando os consensos. O ROE da instituição financeira ficou em 18,9%, superando os 12,6% do mesmo trimestre de 2020.

De acordo com o analista de Equity Research do Inter, Matheus Amaral, os ganhos apresentados pelo banco não foram suficientes. “Não basta superar as estimativas de lucro por uma linha ou outra, o conjunto da obra precisa mostrar resultados operacionais mais sustentáveis no longo prazo. Apesar disso, o preço das ações dos bancos incumbentes de modo geral ainda oferecem um desconto por conta das incertezas tanto acerca do cenário de inadimplência por conta da pandemia, quanto da competitividade, o que oferece ainda uma oportunidade de compra.”

O analista ressalta que os números operacionais do Itaú deixaram a desejar. “O banco não mostra tanta agressividade na redução de custos como o Santander mostrou, como o Bradesco vem realizando na redução de agências e pessoal. O Itaú não deixa claro se vai reduzir o número de agências para contribuir com os custos operacionais, além de estar reforçando o time de tecnologia em detrimento de funcionários ex-tecnologia. A estratégia com o Iti parece ter despertado, mas vale lembrar que ainda é um negócio com produtos de baixo valor agregado, mas com bom potencial para cross-selling.”

O papel PN do Itaú acumula perdas de aproximadamente 13,5% em 2021.

Já o Bradesco trouxe números positivos, mas não surpreendeu, de acordo com a XP Investimentos, e trouxe números dentro do esperado na noite de terça-feira (5). O lucro líquido do banco ficou em R$ 6,51 bilhões, ante expectativa de R$ 6,507 bilhões da casa. O ROE do Bradesco ficou em 18,1%, ante 11,4% no primeiro trimestre do ano passado.

Os analistas da XP veem boas perspectivas para o Bradesco e defendem que os resultados sejam mais sustentáveis no longo prazo. Eles enxergam a estratégia de redução de custos alinhada às expectativas de um banco mais eficiente na era digital.

O presidente do banco, Octavio de Lazari Jr., sinalizou boas perspectivas na teleconferência de resultados: “abril está muito bom e existe uma tendência muito positiva, ainda mais se continuarmos com a política de vacinação.” Lazari Jr. também comentou que o banco deve melhorar a remuneração a acionistas e voltar o valor de dividendos à média histórica.

A XP destaca ainda os resultados de seguros do banco. O segmento atingiu 25%, ante 26% em 2020, mas dessa vez de um lucro 74% maior na comparação anual. “Esperamos que o seguro tenha um bom desempenho nos próximos trimestres, assim como o segundo aumento de sinistros da segunda onda de Covid no trimestre.”

No ano, o papel PN do Bradesco é o que menos perde, cerca de 3,17%.

O Banco do Brasil foi o último do grupo dos grandes a divulgar resultado. Ontem (6), o banco estatal anunciou lucro líquido de R$ 4,91 bilhões no primeiro trimestre, também acima das expectativas, e 44,9% acima do mesmo período do ano passado. O retorno sobre patrimônio líquido do BB ficou em 15,1%, ante 12,5% do primeiro trimestre de 2020.

O resultado dos três primeiros meses do ano se deu graças ao menor provisionamento do banco. De acordo com análise da Guide Investimentos, o lucro veio acima da expectativa mais otimista do mercado, de R$ 4,75 bilhões, e isso “não parece ainda totalmente precificado pelo mercado”.

“Os números robustos reforçam a estratégia da administração em buscar rentabilidade, mantendo resultados consistentes. A empresa deve passar por um processo de digitalização que pode ser mais moroso que seus concorrentes, mas iniciativas como o BB UBS estão acelerando alguns processos no banco.”

O papel ON do BB perdeu mais que seus pares privados no acumulado do ano, cerca de 22,94%.

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