Bilionários lideraram vendas massivas de ações em Wall Street nos últimos seis meses

Reprodução/Forbes
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Valorização das ações a partir de março do último ano impulsionou patrimônio dos bilionários em US$ 5 trilhões

Os últimos seis meses marcaram uma grande corrida para as ações negociadas nos Estados Unidos. O S&P 500 subiu cerca de 28% nesse período, atingindo novos recordes todos os meses, com investidores otimistas sobre o retorno à normalidade conforme mais norte-americanos se vacinam contra a Covid-19. Essa exuberância ajudou a riqueza mundial dos bilionários a crescer espantosos US$ 5 trilhões desde os primeiros dias da pandemia em março de 2020.

Mas será esse o começo do fim? Uma pesquisa da E-Trade com 957 investidores no início deste mês revelou que 69% dos entrevistados achavam que o mercado estava em uma bolha.

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Certamente, muitos investidores estão lucrando nessa conjuntura, incluindo alguns dos mais ricos do mundo. Com base em uma análise da Forbes, o bilionário que mais embolsou lucros nos últimos meses é Ernest Garcia II, o maior acionista individual da Carvana, empresa de e-commerce de carros usados. Garcia, que foi condenado por fraude em 1990 decorrente de seu papel no escândalo da Lincoln Savings & Loan, reduziu sua participação todos os dias durante 73 pregões consecutivos e vendeu US$ 1,8 bilhão em ações desde novembro.

O capitalista de risco e financista Chamath Palihapitiya é o maior vendedor desde novembro, depois de retirar toda a sua participação pessoal na Virgin Galactic por US$ 311 milhões (valor antes de impostos), cerca de um quarto do seu patrimônio líquido de US$ 1,2 bilhão.

Garcia e Palihapitiya estão entre os 20 bilionários norte-americanos que venderam US$ 8,7 bilhões em ações nos últimos seis meses. Parte do total foi vendido como parte da Regra 10b5-1, que permite a um grupo de acionistas a venda dos ativos em um cronograma predeterminado. A outra parte é resultado apenas de vendas massivas de ações no mercado de capitais. Todos eles venderam pelo menos US$ 100 milhões em ações (antes dos impostos) entre 1º de novembro de 2020 e 22 de abril de 2021, sendo que três venderam mais de US$ 1 bilhão cada.

Os dados são com base no patrimônio líquido em 28 de abril. A Forbes entrou em contato com os representantes dos bilionários para comentar as negociações. Conheça os dez maiores vendedores do mercado:

  • 1. Ernest Garcia II

    Patrimônio líquido: US$ 17,4 bilhões
    Vendas desde novembro: US$ 1,8 bilhão

    Garcia é o maior acionista da Carvana, empresa de carros usados fundada por seu filho Ernest Garcia III. Suas ações valorizaram dez vezes desde março de 2020, o que ajudou a fortuna do “Garcia pai” a subir de US$ 2,4 bilhões para US$ 15,9 bilhões em um ano. Ele vendeu ações quase todos os dias nos últimos seis meses, de acordo com um plano de negociação estabelecido com sua esposa em 15 de junho de 2020, depois que as ações já haviam quadruplicado em um período de três meses. Garcia II, de 64 anos, não trabalha na Carvana e não tem assento no conselho da companhia. Atualmente, ele possui cerca de 30% das ações da Carvana.

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  • 2. Mark Zuckerberg

    Patrimônio líquido: US$ 111 bilhões
    Vendas desde novembro: US$ 1,63 bilhão

    O fundador do Facebook vende regularmente ações que transferiu para a Chan Zuckerberg Initiative, uma organização de defesa, investimento e filantropia que ele e Priscilla Chan, sua esposa, fundaram em 2015 para apoiar causas como educação e ciência em todo o mundo. A maior parte do US$ 1,6 bilhão em vendas de ações do Facebook desde novembro de 2020 foi realizada pela Chan Zuckerberg Initiative.

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  • 3. Leonard Lauder

    Patrimônio líquido: US$ 26,9 bilhões
    Vendas desde novembro: US$ 1,05 bilhão

    A LAL Family Partners LP, de propriedade da família do antigo presidente e CEO da gigante de cosméticos, Estée Lauder, vendeu dois lotes de dois milhões de ações em novembro de 2020 e em março de 2021. As ações da Estée Lauder mais que dobraram desde março de 2020, e as vendas representam uma pequena parcela da participação de US$ 24 bilhões de Leonard Lauder na empresa. Seu irmão mais novo, Ronald Lauder, vendeu separadamente US$ 108 milhões de suas próprias ações no mesmo período.

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  • 4. Jack Dorsey

    Patrimônio líquido: US$ 14,2 bilhões
    Vendas desde novembro: US$ 529 milhões

    Dorsey é cofundador e CEO de duas grandes empresas de capital aberto, Twitter e Square, embora as ações da Square representem a maior parte de sua fortuna. Ele tem vendido 100 mil ações da Square toda semana (uma pequena parcela de suas 49,2 milhões de ações), mas não toca em sua participação no Twitter. Atualmente, ele possui uma participação de 11% na Square.

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  • 5. Anthony Wood

    Patrimônio líquido: US$ 7,2 bilhões
    Vendas desde novembro: US$ 342 milhões

    As ações da Roku, o serviço de streaming de vídeo fundado por Wood em 2002, cresceram quase 400% desde março de 2020, com os telespectadores passando mais tempo em casa em frente à TV durante a pandemia. Wood exerce regularmente opções de ações que são parte de sua remuneração como CEO, que deve expirar em julho de 2022 e depois as vende com lucro – seu custo de exercer as opções não está incluído nos US$ 342 milhões em receitas antes dos impostos de suas vendas desde novembro. Wood ainda possui uma participação de 15% na Roku.

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  • 6. Reed Hastings

    Patrimônio líquido: US$ 5 bilhões
    Vendas desde novembro: US$ 334 milhões

    As ações da Netflix caíram desde o pico dos preços em julho passado, e Hastings, o fundador e CEO da empresa de streaming, não vendeu nenhuma ação em 2021, mas exerceu opções e vendeu ações em todos os meses de 2020, incluindo US$ 334 milhões em vendas antes dos impostos em novembro e dezembro.

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  • 7. Chamath Palihapitya

    Patrimônio líquido: US$ 1,2 bilhão
    Vendas desde novembro: US$ 311 milhões

    Palihapitiya, capitalista de risco que facilitou IPOs para três startups por meio de fusões via SPACs, vendeu sua participação pessoal de 10 milhões de ações da Virgin Galactic em duas parcelas em dezembro e março. Em um comunicado em março, ele disse que a venda financiaria “um grande investimento que estou fazendo para combater as mudanças climáticas”. Ele também twittou: “Eu odiei fazer isso, mas meu balanço patrimonial encolheu em quase US$ 2 bilhões essa semana. NB: Não vendi nenhuma ação de qualquer outra SPAC que já lancei.”

    MikeWindle/GettyImages
  • 8. Brian Armstrong

    Patrimônio líquido: US$ 11 bilhões
    Vendas desde novembro: US$ 292 milhões

    Armstrong é CEO da exchange de criptomoedas Coinbase Global, que abriu o capital em meados de abril. Em um IPO tradicional, os executivos normalmente não têm permissão para vender ações durante um período predeterminado, mas como a Coinbase abriu seu capital em uma listagem direta, os colaboradores ficaram livres para vender suas ações existentes diretamente aos investidores. Armstrong, que também é cofundador da Coinbase, vendeu cerca de 2% de suas ações no dia da listagem direta por US$ 292 milhões antes dos impostos.

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  • 9. Jim McKelvey

    Patrimônio líquido: US$ 4,1 bilhões
    Vendas desde novembro: US$ 278 milhões

    McKelvey, que fundou a Square com Jack Dorsey em 2009 e ainda faz parte do conselho da empresa, detém quase 3,5% das ações da Square. Ele vendeu parte desse capital todos os meses desde agosto do último ano. As ações da Square subiram mais de 500% desde março de 2020.

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  • 10. Alexis Lê-Quôc

    Patrimônio líquido: US$ 2,1 bilhões
    Vendas desde novembro: US$ 247 milhões

    Lê-Quôc, cofundador e diretor de tecnologia da Datadog, vende ações no início de cada mês de acordo com um plano de negociação programado. O valor da empresa de monitoramento em nuvem disparou durante os primeiros meses da pandemia, mas suas ações caíram 22% em relação ao pico em fevereiro. O CEO da Datadog, Olivier Pomel, vendeu ações no valor de US$ 215 milhões nos últimos seis meses.

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1. Ernest Garcia II

Patrimônio líquido: US$ 17,4 bilhões
Vendas desde novembro: US$ 1,8 bilhão

Garcia é o maior acionista da Carvana, empresa de carros usados fundada por seu filho Ernest Garcia III. Suas ações valorizaram dez vezes desde março de 2020, o que ajudou a fortuna do “Garcia pai” a subir de US$ 2,4 bilhões para US$ 15,9 bilhões em um ano. Ele vendeu ações quase todos os dias nos últimos seis meses, de acordo com um plano de negociação estabelecido com sua esposa em 15 de junho de 2020, depois que as ações já haviam quadruplicado em um período de três meses. Garcia II, de 64 anos, não trabalha na Carvana e não tem assento no conselho da companhia. Atualmente, ele possui cerca de 30% das ações da Carvana.

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