Da B3 para a Nasdaq: listagem no exterior deve ampliar vitrine do Inter

Além da estreia no exterior, a Stone também se propôs a pagar até R$ 2,5 bilhões pela participação de 4,99% em novo follow-on.

Artur Nicoceli
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Além da estreia no exterior, a Stone também se propôs a pagar até R$ 2,5 bilhões pela participação de 4,99% em novo follow-on

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“Estados Unidos, aí vou eu”. Esse é o novo lema do Banco Inter, que anunciou ontem (24) os planos de deixar a B3 e listar suas ações na norte-americana Nasdaq, migrando para o mercado doméstico a negociação de seus papéis via BDRs (Brazilian Depositary Receipts). A fintech também fará um follow-on para reforçar seus planos e terá a Stone, empresa de meios de pagamento que também é listada na Nasdaq, como âncora.

As novidades foram bem recebidas pelo mercado. As units do Inter (BIDI11) subiram 25% apenas no pregão de ontem. Hoje, o papel era negociado com correção de 7,30% às 15h20, horário de Brasília, a R$ 207,00. A título de exemplo, na última sexta-feira, a unit terminou o dia a R$ 178,87.

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Entre as mudanças está uma ressignificação da marca, que passará a se chamar Inter Plataform e será sediada nas Ilhas Cayman, território britânico.

Com o fim das negociações na B3 (ainda sem data definida), os atuais acionistas do Inter poderão receber os BDRs do banco digital ou valor correspondente pela venda das units. A listagem dos BDRs está sujeita a aprovação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

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Murilo Breder, analista da Easynvest, explica que entre as vantagens da listagem nos EUA está a exposição em uma vitrine melhor, numa Bolsa com mais empresas de tecnologia e maior atuação de fundos de alcance global. Outro destaque para a listagem é que permitirá uma “classe de ações com mais poder de voto, possibilitando à família Menin, controladora da companhia, diluir sua participação em follow-ons e permanecer no controle.”

No Brasil, para que um acionista seja controlador de uma companhia, ele precisa circular no máximo 49% dos ativos emitidos pela empresa. Já nos EUA, é possível vender até 85% da participação e ainda permanecer no controle da organização. O deputado Marco Bertaiolli (PSD-SP) está propondo uma MP (Medida Provisória) para alterar esse limite na composição societária das empresas.

Stone e perspectivas

Além da possível troca de bolsas, o follow-on recebeu o comprometimento da Stone de investir R$ 2,5 bilhões para ficar com uma participação de 4,99% no capital social do Banco Inter. A CVM já informou que a aquisição se dará em âmbito de oferta pública no valor fixo de R$ 19,28 por ação ordinária e R$ 57,84 por unit, preço que já considera o desdobramento na proporção de um para três.

Em relatório, o GoldmanSachs apontou que a negociação entre as duas companhias trará benefícios estratégicos para ambas, pois podem alavancar suas plataformas, realizando vendas cruzadas para os clientes. Uma das principais vantagens para a Stone é a capacidade de conectar seus comerciantes com o InterShop, proporcionando uma experiência omnichannel.

O Banco Inter registrou lucro líquido de R$ 13,9 milhões no primeiro trimestre de 2021, um salto de 251,8% ante os R$ 4 milhões dos três primeiros meses de 2020. Além de um crescimento expressivo de 385% na carteira de segurados, que saiu de 75,7 mil no 1º trimestre do ano passado, para 366,9 mil clientes entre janeiro e março deste ano.
A possível estreia da Inter Platform na Nasdaq não tem data prevista. “A listagem nos Estados Unidos deve atrair mais investidores ligados à tecnologia em um âmbito global, o que deve impulsionar ainda mais seu valuation”, finalizou o analista da Easynvest.

Entre as empresas brasileiras também negociadas na Nasdaq estão a XP Inc., PagSeguro, Stone, Azul, Afya Educacional, Vinci Partners, Pátria e Arco Educação.

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