Demonstrativos financeiros: entenda como analisar os resultados trimestrais das companhias

Especialistas dão dicas e orientações para desvendar os balanços financeiros das empresas .

Iasmin Paiva
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NopparatKhokthong/GettyImages
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Para os acionistas em empresas, avaliar os resultados financeiros trimestrais é como analisar o destino do próprio patrimônio

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O mês de maio marcou a apresentação dos demonstrativos financeiros de mais de 200 empresas listadas na B3, a Bolsa brasileira. Para os acionistas dessas companhias, analisar os números e perspectivas apresentadas nestes relatórios é, de certa forma, avaliar o destino do próprio patrimônio.

Os demonstrativos, popularmente conhecidos como balanços, são relatórios divulgados ao mercado ao fim de cada trimestre do ano, totalizando quatro em cada exercício, além de um consolidado anual apresentado junto com os resultados do quarto trimestre. “É super importante entender os demonstrativos de uma empresa, porque são eles que nos contam a história, do ponto de vista financeiro daquela companhia em questão”, defende Luciana Ikedo, assessora de investimentos e CEO da Ikedo Investimentos.

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Em primeiro lugar, vamos falar sobre onde encontrar essas informações. Os demonstrativos financeiros são disponibilizados nos websites de relações com investidores das empresas. Nesta página estão presentes outras informações também importantes aos acionistas e interessados no futuro de uma companhia, como os fatos relevantes, composição societária, notícias e documentos sobre o dia a dia da organização.

Para Rodrigo Fizsman, CEO do Grupo Solum, “os demonstrativos financeiros trazem informações chaves que nos permitem avaliar a saúde de um negócio e sua trajetória no tempo”.

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Mas você sabe o que significam os termos usados nesses balanços, como lê-los e, principalmente, como, a partir deles, você pode avaliar se a empresa que você investe está dando retorno?

Olhando para os números

Entre os relatórios elaborados pelas empresas estão o Balanço Patrimonial, que demonstra a situação financeira de uma empresa: bens (ativos), dívidas (passivos) e resultados (lucro ou prejuízo); o DRE (Demonstrativo de Resultado), que detalha as fontes de receita e de despesa de uma empresa, demonstrando como o lucro ou prejuízo foi alcançado; e o DFC (Demonstrativo de Fluxo de Caixa), que detalha a origem de recursos e despesas, revelando a capacidade de uma empresa de gerar caixa, honrar compromissos e a maneira que o capital da empresa é usado no dia a dia. Como é possível perceber, estes três documentos se complementam e oferecem aos gestores e acionistas uma visão completa da saúde financeira da empresa.

No demonstrativo de resultados, disponibilizado na página de relações com investidores, é possível encontrar essas informações de uma forma mais didática para pessoas leigas em termos e análises contábeis. Isso porque, em geral, as empresas divulgam esses números com o contexto sobre as operações e decisões administrativas que fizeram possível aquele resultado.

“Além de olharmos o balanço patrimonial, que é a fotografia do que aconteceu, e o DRE, que se parece muito mais com um filme, eu gosto muito de olhar também as notas explicativas, porque ali nós identificamos alguns gastos que possam ser pontuais, mas também receitas que possam ser muito pontuais e que não voltarão a acontecer nos exercícios seguintes”, comenta Luciana.

Alguns pontos dos resultados, como o endividamento de uma empresa devem também ser observados dentro do contexto das operações, já que o endividamento pode também alavancar o crescimento da empresa. É por isso que além dos relatórios, acompanhar análises de especialistas do mercado financeiro pode ser importante para quem está tentando interpretar os números. Em geral, casas de análises, gestoras e corretoras de valores disponibilizam relatórios ou realizam lives nos dias após os balanços para ajudar os investidores a compreender melhor as informações apresentadas.

“Há alguns indicadores que são centrais para avaliar a performance de um negócio. É o caso da receita líquida, Ebitda, margem bruta e o lucro líquido. Outros indicadores, como a posição de caixa e o endividamento, podem indicar quanto uma empresa pode acelerar ou não sua performance atual por meio de investimentos”, explica Fizsman.

Análise Fundamentalista

A análise fundamentalista relaciona a saúde financeira da empresa com as perspectivas futuras. O objetivo é simples: identificar o potencial de crescimento de uma empresa no tempo, avaliando se a ação daquela companhia pode ou não vir a se valorizar. Buscar orientação de especialistas qualificados para entender a relação entre os números da companhia e o desempenho da ação pode facilitar a compreensão dos dados e a tomada de decisão do investidor.

Abaixo, listamos apenas alguns indicadores fundamentalistas relevantes na análise de investimentos:

  • Margem EBITDA

    Fizsman explica que a margem Ebtida indica o quanto a empresa gera a partir de sua atividade principal, sem considerar alavancagem operacional (endividamento), ou seja, qual o percentual da receita da empresa que se converte em lucro antes do pagamento de impostos, juros de dívidas, depreciação do patrimônio e amortização.

    “Quanto maior [a margem ebitda] melhor, e serve como um dos principais parâmetros para avaliar a capacidade de crescimento/geração de caixa líquido da empresa, além de ser extremamente útil na comparação de empresas de um mesmo setor. Quanto maior a margem EBITDA, maior a geração de caixa para investimento sem endividamento ou para pagamento de dividendos aos acionistas, ambos interessantes para investidores”, explica.

    Boonchai Wedmakawand/GettyImages
  • ROE (Return on Equity) – Retorno sobre Patrimônio Líquido

    O CEO do Grupo Solum explica que esse indicador faz uma correlação entre lucro líquido e patrimônio líquido, permitindo avaliar a capacidade de geração de resultados de uma empresa. “Quanto maior o ROE, melhor o rendimento de cada real investido na companhia por seus acionistas.”

    WitthayaPrasongsin/GettyImages
  • Dívida/Patrimônio Líquido

    Essa relação entre a dívida e o patrimônio, permite avaliar o grau de endividamento, ou seja, a alavancagem da empresa. “Se a empresa tiver um resultado operacional positivo, a alavancagem tende a potencializar os ganhos e o ROE. Já em caso de prejuízo, a recíproca também é verdadeira porque a alavancagem piora o resultado final. Uma empresa mais alavancada, ou endividada, terá mais dificuldades de captar mais recursos para acelerar o seu crescimento por meio de investimentos, por exemplo”, comenta Fizsman.

    Thiago Nori/GettyImages.
  • Lucro por Ação

    “Demonstra o quanto de lucro líquido a empresa gerou por ação em um determinado período. Esse lucro pode ser reinvestido na própria empresa para fomentar o seu crescimento (e consequente valorização) e/ou ser distribuído aos acionistas na forma de dividendos. Quanto maior o lucro, maior a capacidade da empresa de distribuir dividendos ou de reinvestir esse capital visando lucros futuros maiores em exercícios futuros, aumentando o seu valor”, explica Fizsman.

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  • Andriy-Onufriyenko/GettyImages

Margem EBITDA

Fizsman explica que a margem Ebtida indica o quanto a empresa gera a partir de sua atividade principal, sem considerar alavancagem operacional (endividamento), ou seja, qual o percentual da receita da empresa que se converte em lucro antes do pagamento de impostos, juros de dívidas, depreciação do patrimônio e amortização.

“Quanto maior [a margem ebitda] melhor, e serve como um dos principais parâmetros para avaliar a capacidade de crescimento/geração de caixa líquido da empresa, além de ser extremamente útil na comparação de empresas de um mesmo setor. Quanto maior a margem EBITDA, maior a geração de caixa para investimento sem endividamento ou para pagamento de dividendos aos acionistas, ambos interessantes para investidores”, explica.

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