O coronavírus sobe e a Bolsa também

Euforia nas Bolsas mundiais tem dois motivos principais: a injeção de dinheiro no mercado e o estímulo ao crescimento econômico com investimentos e obras .

Eduardo Mira
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Jeremy Horner/Getty Images
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Não só no Brasil, como no mundo inteiro as Bolsas subiram, pois as ações têm sido uma melhor opção em comparação com a renda fixa, que apresenta cada vez mais um rendimento insatisfatório

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Desde o início deste ano, a crise do coronavírus tem se intensificado no Brasil. Mesmo assim, nos primeiros dias de 2021 a Bolsa bateu sua máxima histórica. Houve uma correção de janeiro a março, mas a Bolsa voltou a subir, apesar do aumento do número de casos de Covid-19 e de mortes.

Pode parecer estranho, mas essa euforia nas Bolsas mundiais tem dois motivos principais e ambos foram gerados pela própria pandemia.

O coronavírus atingiu o mundo inteiro e exigiu que todos os países tomassem medidas muito contundentes para minimizar a crise e recuperar a economia. A primeira medida foi a injeção de dinheiro no mercado, que acontece através da redução de taxas de juros, principalmente nos Estados Unidos e União Europeia. Com a redução das taxas básicas de juros, o dinheiro fica mais barato, ou seja, todos que quiserem pegar empréstimos pagarão juros muito baixos aumentando assim a circulação de dinheiro, favorecendo o consumo e aquecendo a economia.

Por outro lado, quem olha para renda fixa pagando muito pouco vai naturalmente buscar maior retorno na renda variável. É por isso que os investidores têm procurado a Bolsa de Valores, provocando a alta observada não apenas este ano, mas desde o ano passado, quando as Bolsas caíram muito com o início da crise do coronavírus.

Não só no Brasil, como no mundo inteiro as Bolsas subiram, pois as ações têm sido uma melhor opção em comparação com a renda fixa, que apresenta cada vez mais um rendimento insatisfatório.

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Esse excesso de dinheiro circulando no mundo é chamado de excesso de liquidez. É tanto dinheiro circulando que sobra, inclusive, dinheiro para o Brasil, pois muitos investidores estrangeiros querem rentabilidades maiores e, para isso, aceitam correr riscos maiores e vem para Bolsas como a nossa. Isso explica o aumento da nossa Bolsa de Valores desde os 90 mil pontos até os atuais 120 mil pontos, mas eu disse que eram dois os motivos que fizeram a Bolsa subir muito.

Para estimular o crescimento econômico, muitos países têm feito investimentos, obras, etc., e essa é uma outra fórmula de estímulo econômico.

Todos esses estímulos têm funcionado e as duas maiores economias do mundo têm apresentado crescimento. O PIB da China cresceu 18,3% no primeiro trimestre de 2021, mostrando uma forte recuperação da crise provocada pelo coronavírus. Os Estados Unidos também apresentam uma grande recuperação, inclusive esperamos dados muito relevantes de criação de empregos a serem divulgados nesta sexta-feira (7), num evento conhecido como Payroll.

Esse crescimento dos nossos principais parceiros comerciais fez aumentar a demanda por matéria-prima, as chamadas commodities. Por exemplo, quando a China constrói uma estrada, ela precisa de uma série de materiais, principalmente ferro para as estruturas. Como a maior mineradora do mundo é a Vale, estamos vendo suas ações subirem muito, afinal o preço do minério de ferro disparou no mercado internacional devido ao aumento da demanda. Essa alta da demanda de commodities provocou o que alguns chamam de super ciclo das commodities e ele não é restrito apenas ao minério de ferro. O petróleo, a soja, o milho e várias outras commodities também dispararam de preço do ano passado pra cá.

O Brasil sempre teve uma vocação e um foco muito grande na produção de commodities e isso explica a alta da Bolsa, porque boa parte das empresas aqui listadas são ligadas a commodities. Eu mesmo recomendei compra de ações de Vale e CSN Mineração semanas atrás, justamente por essa alta do minério de ferro, mas não só essas empresas se valorizaram, também se valorizaram empresas ligadas à metalurgia e a energia e quando falo energia eu me refiro ao petróleo e, claro, às empresas ligadas ao agronegócio.

Para completar o cenário positivo para as exportadoras, vimos o dólar se valorizar e tornar os nossos produtos ainda mais interessantes no exterior, ajudando a aumentar a demanda, uma vez que os nossos produtos estão mais baratos para os estrangeiros devido à queda do real e a valorização do dólar.

Pode parecer um pouco estranho para quem lê isso pela primeira vez, mas o lucro de uma empresa vem de sua atividade e se o custo de produção permanece o mesmo e as empresas conseguem vender seus produtos mais caros, o lucro delas aumenta muito e isso significa maior distribuição de dividendos e valorização das ações.

Vamos voltar à Vale como exemplo. Imagine que a Vale vende uma tonelada de minério de ferro e o valor que ela recebe pela tonelada do minério de ferro é maior do que ela recebia antes, só que ela fez exatamente o mesmo esforço e teve o mesmo custo, usou a mesma estrutura, as mesmas pessoas, os mesmos navios para enviar a mesma tonelada de ferro. Ela só está recebendo mais por isso e aí os lucros aumentaram. Isso explica o crescimento de mais de 2000% no lucro da Vale no primeiro trimestre de 2021. Com esse lucro fica fácil entender o programa de recompra de ações, que pretende comprar até 270 milhões de ações da mineradora, mostrando que a própria empresa acredita que suas ações estão baratas.

É importante que a gente perceba que enquanto existe um grupo forte da nossa Bolsa subindo, que são as empresas ligadas às commodities, existe também um outro grupo que está sofrendo com a pandemia, que é justamente o grupo voltado ao consumo, ao varejo. Empresas como nos setores de aviação, lazer, shopping e comércio varejista como Magazine Luiza, Via ou Lojas Americanas têm sido muito afetadas, pois mesmo o comércio online sendo bastante relevante, ainda dependem da circulação de pessoas.

Deste modo, podemos dizer que nossa Bolsa ainda tem potencial para crescer mais, porém ainda depende do fim da pandemia.

Eduardo Mira é formado em telecomunicações, com pós-graduação em pedagogia empresarial e MBA em gestão de investimento. É analista CNPI, certificado CPA10 e CPA20, ex-gerente do Banco do Brasil e da corretora Modal.

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