Eletrobras pode manter fatia na Eletronuclear após privatização, diz CFO

Lucas Landau/Reuters
Lucas Landau/Reuters

A diretora da Eletrobras admitiu que a desvalorização do real tem pressionado o orçamento previsto para a conclusão de Angra 3

A estatal Eletrobras pode, mesmo após privatizada, continuar como importante acionista da Eletronuclear, subsidiária da companhia responsável por ativos de geração atômica incluindo a usina de Angra 3, disse hoje (13) a diretora financeira da elétrica, Elvira Presta.

Essa alternativa, que envolveria o controle da empresa nuclear provavelmente por uma nova estatal, tem sido estudada em meio a modelos avaliados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para permitir a conclusão das obras de Angra 3 e enquanto o governo discute a desestatização da Eletrobras.

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A medida provisória enviada pelo governo ao Congresso com a proposta para a privatização da maior elétrica da América Latina prevê que a União manterá o controle da Eletronuclear e da fatia hoje detida pela Eletrobras na hidrelétrica binacional de Itaipu, que seriam cindidas da empresa antes da operação.

Em entrevista à corretora Genial Investimentos transmitida hoje, a CFO da Eletrobras disse que um dos modelos discutidos com o BNDES para retomar Angra 3 envolveria uma reestruturação societária da Eletronuclear que transformaria metade das ações da estatal em papéis preferenciais e metade em ordinários, com direito a voto.

“Com isso, a União, através dessa nova estatal que vai ser criada, poderia controlar a Eletronuclear se tiver 50% mais uma das ações ordinárias. Com pouco mais de 25% do capital total, ela conseguiria ser controladora e diluiria a Eletrobras“, explicou a diretora.

A mudança de controle envolveria injeção de recursos na empresa ou conversão de dívida em ações.

“Ela (a União) faria isso mediante um aporte, colocando equity, ou conversão de dívida”, acrescentou a executiva, lembrando que Angra 3 tem financiamentos tomados junto ao BNDES e à Caixa Econômica Federal.

A Eletronuclear controla as usinas atômicas de Angra 1 e Angra 2, no Rio de Janeiro, além de Angra 3, cujas obras foram paralisadas no final de 2015.

A Eletrobras já havia anteriormente manifestado interesse em continuar a participar de Angra 3 mesmo em caso de sucesso em seu processo de desestatização.

“Aí, como empresa já privatizada, a Eletrobras então seria o grande investidor da Eletronuclear. Não seria o controlador, mas ainda seria um investidor relevante”, apontou Elvira.

Segundo a chefe das finanças da Eletrobras, há atualmente diversas diferentes estruturas para o negócio sendo avaliadas no BNDES, mas esse tem sido visto por ela como “mais viável”.

Ela também disse que o BNDES também está trabalhando para definir qual será o preço de venda da energia produzida por Angra 3, o que deverá ser concluído nos próximos meses.

A tarifa de Angra 3, originalmente definida em R$ 248 por megawatt-hora, foi praticamente dobrada para R$ 480 ainda no governo anterior, do ex-presidente Michel Temer, por decisão do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética).

Esse valor, no entanto, tem sido visto como defasado pela Eletrobras.

“O que o BNDES está fazendo neste momento é, trazendo essa tarifa de R$ 480 para hoje, fazendo todas atualizações necessárias”, explicou Elvira, sem comentar qual poderia ser o novo valor.

ORÇAMENTO

A diretora da Eletrobras admitiu ainda que a desvalorização do real tem pressionado o orçamento previsto para a conclusão de Angra 3, ao apontar que os investimentos previstos aumentaram em cerca de R$ 2 bilhões.

“A usina de Angra 3 ela tem tecnologia europeia, então na verdade estamos expostos principalmente ao euro, e é natural que exista uma correção. Sinalizávamos em torno de R$ 16 bilhões, e ao câmbio que a gente tem hoje já foi corrigido para algo da ordem de R$ 18 bilhões”, afirmou.

“Por outro lado, a gente também tem vivido uma volatilidade do câmbio, então isso vai flutuando ao longo do tempo”, acrescentou ela sobre os números. (Com Reuters)

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