"Normalização parcial" é adequada para convergência da inflação à meta, diz ata do Copom

Comitê avaliou que Selic em nível neutro poderia deixar o aumento dos preços "consideravelmente" abaixo da meta.

Redação
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Adriano Machado/File Photo/ReutersOs membros do Copom (Comitê de Política Monetária) avaliaram que levar a taxa Selic, sem interrupção, até o nível considerado neutro levaria a inflação “consideravelmente” abaixo da meta, mostrou a ata da última reunião do colegiado divulgada hoje (11).

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Na reunião, o Copom decidiu por uma alta de 0,75 ponto percentual da Selic, para 3,5%, e sinalizou a intenção de fazer um novo aperto da mesma magnitude em junho, “caso não haja mudança nos condicionantes de inflação”.

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Na reunião realizada na semana passada, os membros do Copom apontaram que a expressão “normalização parcial” que tem sido adotada para definir o ciclo atual de alta dos juros reflete as opiniões do colegiado sobre a política monetária adequada à convergência da inflação para a meta.

O termo indica a intenção de ainda se manter um estímulo à economia, com os juros mais altos mas abaixo do patamar considerado neutro – 6,5%, segundo cenário básico citado pelo BC no mês passado.

“O Copom entende que a menção à “normalização parcial”, assim como a divulgação do juro neutro e do hiato do produto implícitos nos modelos utilizados pelo Comitê, amplia a transparência sobre a função de reação do Banco Central e, consequentemente, aumenta a eficiência da política monetária.”

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“Naturalmente, o Copom reavalia seu cenário a cada reunião tendo como compromisso a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante”, completou a ata.

O cenário básico do BC, que considera a trajetória para a taxa Selic prevista pelo mercado e uma taxa de câmbio que mantém a paridade do poder de compra, aponta para uma inflação de 5,1% este ano –bem acima da meta central de 3,75% ao ano – e de 3,4% para 2022 – um pouco abaixo da meta de 3,5%. Nos dois períodos há uma tolerância na meta de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Mas o Copom voltou a destacar na ata que os riscos fiscais elevados de curto prazo do país, como possibilidade de despesas adicionais com a crise da pandemia e frustração com reformas, geram um viés de alta para essas projeções.

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“Essa assimetria no balanço de riscos afeta o grau apropriado de estímulo monetário, justificando assim uma elevação de juros de 0,75 ponto percentual nesta reunião”, disse o colegiado.

Retomada robusta

Ao avaliar a economia doméstica, o Copom reiterou na ata avaliação já feita no comunicado logo após a decisão de que os últimos dados têm surpreendido positivamente e se mostrou mais confiante com o segundo semestre, ao frisar que ele “deve mostrar uma retomada robusta da atividade”. Na ata anterior, de março, essa recuperação era apresentada apenas como possibilidade.

Parte do mercado considerou o comunicado do BC da semana passada mais duro com a inflação (“hawkish”). Alguns bancos estrangeiros elevaram suas estimativas da Selic para o final de 2021 depois da decisão, ainda que o conjunto de analistas consultados pelo BC tenha mantido estáveis suas projeções para o juro básico – com mediana das apostas em 5,50% ao final deste ano e em 6,25% ao fim de 2022.

Na ata, o colegiado não trouxe considerações adicionais sobre o cenário inflacionário em si, reiterando avaliação de que os choques atuais, determinados principalmente por alta dos preços das commodities e também dos preços de energia, são temporários, mas que segue atento à sua evolução. (Com Reuters)

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