Private equity para empreendedores negros é o foco ESG de Oscar Decotelli, CEO da DXA Invest

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Economista trabalha em novo fundo para investimentos em negócios liderados por pessoas negras, o Fundo Roots

Uma das tendências do mundo dos negócios acelerada pela pandemia, as práticas ESG (Environmental, Social and Governance, da sigla em inglês) apenas engatinhavam em 2012 quando Oscar Decotelli, fundou a DXA Invest, empresa de private equity que nascia para caminhar na contramão do convencional, colocando em evidência o aspecto Social do ESG: “pessoas negras são um dos meus focos”, comenta o CEO sobre a estratégia da companhia dos próximos meses.

Decotelli acredita que o modelo de negócios da firma de equity, composto por carteiras que investem em empresas com Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) avaliadas em até R$ 5 milhões, é o que mais atrai os investidores. A DXA funciona como dois braços: enquanto um procura companhias com potencial de gerar alto retorno financeiro e valor para a sociedade, o outro encontra investidores com interesse em alocar capital nessas ideias.

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“Ao mesmo tempo que converso com os empreendedores dizendo que tenho interesse em capitalizar seu negócio, acho investidores e digo que tenho companhias interessantes para investir, assim, em simultâneo, faço a proposta para os dois”, explica o CEO. “Eu monto carteiras com empresas específicas de acordo com o perfil do investidor. Dessa forma, eu acho oportunidades e apresento as sugestões, caso gostem, me torno gestor do dinheiro deles.” Foi assim que, em 2020, apesar da pandemia, a DXA terminou o ano com aproximadamente R$ 1 bilhão em ativos sob gestão e investidores de mais de 10 países; podendo ampliar para 50, após o lançamento de uma nova plataforma de investimentos no meio deste ano.

Para 2021, o CEO pretende capitalizar mais sete novos negócios, aportando cerca de R$ 150 milhões. Mas as metas não param por aí: ao lado de Luana Ozemela, cofundadora da empresa de consultoria financeira Dima, ele pretende lançar em outubro o Fundo Roots, destinado a empreendedores negros localizados fora dos eixos empresariais do país.

A ideia de procurar oportunidades longe dos principais centros de negócios surgiu em 2005, quando Decotelli teve seu primeiro contato com o mercado de private equity na Opus Investimentos. Sete anos mais tarde, ele criou a DXA e encontrou seu primeiro no tradicional bairro carioca de São Cristóvão, o e-commerce de pets Zee.Dog.

“Eu nasci na Tijuca e costumava passear com a família por São Cristóvão. Visitar muitos lugares nunca foi um problema para mim. Se precisasse ir ao Engenho de Sá, eu ia, nada me para”, conta Decotelli. “Com o tempo, fui entendendo que muitos investidores não querem abrir mão do Leblon ou Ipanema, não querem conhecer empreendedores de outras regiões, mas apenas esses bairros ricos não são o verdadeiro Rio, muito menos o Brasil”, avalia.

DXA e o horizonte negro

A DXA cresceu de porta em porta. Entre as visitas aos clientes, as oportunidades foram surgindo. Ele comenta que encontrou muitas ideias boas de negócios, mas que esbarravam nas dificuldades financeiras para viabilizá-las. A DXA foi fundamental para tirar muitas delas do papel: em nove anos, são 20 parceiros, que possuem mais de 50 mil clientes atendidos. Atualmente, em sua base de investidas estão companhias como a NoMoo, negócio de laticínios veganos, a BB Basico, varejista de roupas infantis e a Modern Logistics, empresa de logística integrada.

Uma das bandeiras ESG da DXA é o aporte em negócios de empreendedores negros. Para ele, apesar de existirem iniciativas voltadas ao fomento dessas iniciativas, na realidade “ninguém quer fazer um cheque alto para uma companhia formada por negros. Querem vender o marketing de pró-raça e colocam R$ 1 milhão em 100 empreendedores, ou seja, muito pouco para um negócio tomar caldo”, avalia Decotelli.

Outra dificuldade comum entre os empreendedores que a DXA quer superar é que, em geral, os investidores buscam empresas “que existam há no mínimo cinco anos e com faturamento anual de R$ 50 milhões”. Na contramão do que, em geral, transmite mais segurança para muitos investidores, a DXA consegue identificar boas oportunidades e entregar resultados para todos os envolvidos. Na Zee.Dog, por exemplo, “quem investiu R$ 50 mil (mínimo para aplicações no portfólio da DXA), terminou com R$ 600 mil”, conta Decotelli, acrescentando que entre as investidas, muitas tiveram um crescimento exponencial e foram, depois, alvo de outras gestoras, como a Crescera Capital e a Advent International Global Private Equity. O retorno médio dos investidores da DXA é entre quatro a cinco vezes o capital investido.

Os motivos por trás do sonho

O olhar para a trajetória negra no empreendedorismo está alinhada à história de vida de Decotelli. Filho de homem negro com mulher branca, sua miscigenação representa o reflexo do Brasil. O executivo acredita que o brasileiro é feito de uma mistura de raças e, por isso, as oportunidades deveriam ser semelhantes.

Depois de uma temporada na infância morando nos Estados Unidos, Decotelli, que é filho e neto de profissionais que atuaram no Banco do Brasil, decidiu que queria ser economista. Os Estados Unidos têm um espírito de que qualquer norte-americano pode chegar onde quiser, “se ele quiser ser presidente, ele será”, explica Decotelli.

Em 1996, ele deu início à realização do sonho ao ingressar no curso de economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Inspirado na vivência no exterior e no ideal de se conquistar o que quiser, sem perder as esperanças, ele encontrou motivação para criar a DXA e colaborar com o desenvolvimento de novas abordagens em private equity.

“Minha inspiração para mudar o mundo é o Nelson Mandela, o que ele fez para a população negra foi incrível. ‘Onde eu estou hoje?’, só no começo. A gente vai chegar longe, os negros vão. Pode escrever. E eu quero fazer parte disso… é o meu sonho”, declara o CEO.

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