Visa se junta a fintech para impulsionar adoção de criptomoedas em emergentes

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Shivani Siroya, fundadora e CEO da Tala, provedora de serviços financeiros digitais em mercados emergentes

A Visa anunciou, ontem (5), uma nova parceria com a Tala, uma provedora de serviços financeiros digitais em mercados emergentes, cujo objetivo é fornecer acesso mais fácil a criptomoedas para consumidores sem banco, começando com o USDC (USD Coin), uma stablecoin pareada com o dólar norte-americano e regulada pelo Centre Consortium (Consórcio do Centro, em tradução literal). O USDC é compatível com ethereum, algorand, solana e blockchains stellar. A colaboração também envolverá o Circle, um dos membros do Centre (consórcio que emite USDC), e a Stellar Development Foundation, que supervisiona a criptomoeda XLM.

Por meio da integração com o Circle e o Stellar, os clientes da Tala terão acesso ao USDC na carteira digital da empresa, suportando armazenamento de ativos, transferência internacional e funcionalidades de troca de criptomoedas fiduciárias. A parceria com a Visa fornecerá à Tala a capacidade de emitir seus cartões vinculados à carteira, possibilitando que os clientes gastem o saldo em USDC em qualquer um dos 70 milhões de comerciantes em todo o mundo que aceitam Visa.

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Seguindo o crescimento de stablecoins como o USDC, “estamos realmente interessados em ver como eles poderiam ter o potencial de ajudar os consumidores em mercados onde não há grande acesso a serviços financeiros”, disse Cuy Sheffield, diretor de criptoativos da Visa. Em dezembro, a gigante dos cartões de crédito fez parceria com o Circle para conduzir a integração do USDC à crescente rede de carteiras digitais da Visa.

Tala é um parceiro adequado para a causa. A startup de sete anos com sede em Santa Mônica concedeu mais de US$ 2 bilhões em crédito a mais de 6 milhões de clientes no México, Filipinas, Quênia e Índia. Os clientes podem obter microcréditos, que variam de US$ 10 a US$ 500, através de um aplicativo de smartphone, independentemente de seu histórico de crédito formal. A empresa arrecadou mais de US$ 200 milhões com PayPal Ventures, RPS Ventures e GGV Capital, entre outros.

O principal objetivo que a Tala espera impulsionar com a oferta de criptomoedas é reduzir o custo das remessas para seus clientes, diz o CEO da companhia, Shivani Siroya, que fundou a empresa após estudar o impacto do microcrédito na África Subsaariana e Ocidental para a ONU (Organização das Nações Unidas). Nos últimos anos, as remessas de criptomoedas se tornaram uma forma popular de os trabalhadores migrantes enviarem dinheiro para além das fronteiras, muitas vezes sendo opções mais rápidas e baratas do que os serviços financeiros tradicionais como Western Union e MoneyGram.

O Banco Mundial estima a taxa de transação média percentual para remessas internacionais em cerca de 6,51% no quarto trimestre de 2020. Em contraste, a Bitso, uma plataforma de criptomoeda líder na América Latina, que lida com aproximadamente 2,5% a 3% das remessas entre os EUA e o México (de acordo com a empresa), cobra apenas uma taxa de conversão de moeda, com limite máximo de 0,65%, sem taxas de depósito ou saque. A Bitso anunciou ontem (5) que levantou US$ 250 milhões em rodada de série C em uma avaliação de US$ 2,5 bilhões.

A parceria marca a primeira grande iniciativa de criptoativos da Tala, que recentemente começou a expandir seu conjunto de produtos para fornecer um escopo mais completo de serviços financeiros a consumidores em economias em desenvolvimento. Durante a pandemia, a empresa lançou o Tala Rebuild Fund para fornecer empréstimos de 6 meses a juro zero para pequenas empresas com serviços essenciais. Além disso, a startup disponibilizou o seguro médico contra Covid-19 para todos os seus clientes no Quênia a uma taxa subsidiada.

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