Ibovespa fecha em baixa com pressão negativa de commodities e aperto monetário

O Ibovespa encerrou em queda de 0,93% o pregão desta quinta-feira (17) aos 128.057 pontos, com ampla correção puxada por Petrobras PN (-3,47%) e Vale ON (-2,08%) na sessão, acompanhando as quedas nos preços das commodities nos mercados globais. A esticada na realização de lucros foi amparada ainda pelas sinalizações de maior aperto monetário no Brasil e nos Estados Unidos, ambas divulgadas ontem.

A pressão negativa no índice veio também das ações da Eletrobras PNB (-3,18%), repercutindo ajustes no Congresso na medida provisória que trata da privatização da estatal.

Na análise do analista da Clear Corretora, Rafael Ribeiro, o recuo da sessão é reflexo de “medidas adotadas pela China para frear a escalada dos preços das commodities e, assim, mitigar os efeitos inflacionários” no país, acrescentando que “o governo chinês planeja liberar as reservas nacionais dos principais metais industriais e fiscalizar as posições no mercado futuro das empresas do setor a fim de evitar manipulações de preços.”

A China afirmou hoje que irá emitir novas regras para a gestão de índices de preços de importantes commodities e serviços. As medidas, que entrarão em vigor em 1º de agosto, vão padronizar as formas como os índices de preços são compilados e melhorar a transparência em torno da divulgação de informações, disse a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC, na sigla em inglês) em sua conta oficial no WeChat.

O mercado repercutiu hoje também as decisões de política monetária anunciadas ontem no Brasil e nos Estados Unidos. Por aqui, o Banco Central promoveu a terceira alta consecutiva de 0,75 ponto-percentual da taxa básica de juros, levando a Selic a 4,25%, e anunciou a intenção de dar sequência ao aperto monetário com uma nova alta de mesma magnitude ou maior em sua próxima reunião, prevista para agosto.

Nos EUA, o Federal Reserve sinalizou um aumento nas taxas de juros para o fim de 2023, uma antecipação em relação às projeções anteriores, que não traziam expectativas de elevação nos juros pela autoridade. Além da decisão monetária, os investidores norte-americanos digeriram ainda números pouco animadores sobre o mercado de trabalho: os novos pedidos de auxílio-desemprego subiram para 412 mil na semana encerrada em 12 de junho, número bem acima dos 359 mil esperados, e mais do que o registro da semana anterior, de 375 mil. A economia do país enfrenta uma crise no mercado de trabalho, com 7,6 milhões de empregos a menos do que seu pico em fevereiro de 2020.

Os principais índices de ações em Wall Street encerraram o dia em campo misto, com o Dow Jones em queda de 0,62% aos 33.823 pontos, o S&P 500 recuando 0,04% aos 4.221 pontos e o Nasdaq em alta de 0,87% aos 14.161 pontos.

Os comunicados das autoridades monetárias impactaram o desempenho do dólar contra o real nesta quinta. A moeda norte-americana fechou o dia no menor patamar em pouco mais de um ano, perdendo
0,72% e negociada a R$ 5,0226 na venda.

Stefany Oliveira, analista da Toro Investimentos, avalia que o posicionamento mais duro da autarquia foi favorável à moeda brasileira. “Quando os juros domésticos estão mais baratos (…)é natural que haja fuga de capital, então o dólar se fortalece. Agora, quando acontece o contrário, e os juros sobem, o que tende a acontecer é um desconto na moeda norte-americana em relação ao real”.

Amanhã acontece ainda o vencimento dos contratos de opções sobre ações na Bolsa brasileira. (com Reuters)

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