Segmentação de fintechs: conheça 4 bancos digitais criados para públicos específicos

Segundo o Banco Central, a concentração bancária no país demonstra tendência de queda desde 2017

Kariny Leal
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Busakorn Pongparnit/Getty Images
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70% dos brasileiros dispõem de contas em instituições financeiras, contra 67,1% da média mundial

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Os grandes bancos tradicionais brasileiros vêm perdendo espaço no mercado para novos players: bancos digitais e fintechs que apostam na personalização e segmentação de soluções para públicos diversos. De acordo com dados do Banco Central, a concentração bancária no país vem em tendência de queda desde 2017. O último levantamento, de 2020, mostrou a redução das participações dos principais bancos públicos federais: Banco do Brasil, Caixa e BNDES.

Segundo o Banco Central, entre 2018 e 2020, as parcelas de mercado do BB, Caixa e BNDES no segmento bancário e não bancário caíram de 41,3% para 37,5%, considerando os ativos totais. Os depósitos totais dos dois primeiros também sofreram redução, de 37,7% para 31,4%. O mesmo ocorreu com as operações de crédito, que saíram de 48,9% para 42,8% no período.

LEIA MAIS: As fintechs mais inovadoras de 2021

No Relatório de Economia Bancária, o BC chama atenção para o espaço conquistado por instituições que não se encontram entre as cinco maiores do setor (Caixa, BB, Itaú, Bradesco e Santander), “o que contribui para o incremento das condições concorrenciais quando se considera exclusivamente os índices de concentração”.

Para Marcelo Neri, diretor do Centro de Políticas Sociais da FGV, a característica naturalmente brasileira de ser um país diversificado somada ao impulso que a pandemia deu à adesão aos serviços digitais formou o contexto ideal para a criação de novas instituições financeiras, que surgiram com propostas específicas para diferentes públicos.

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“A abertura de contas digitais, no ano passado, para que as pessoas recebessem auxílio emergencial abriu uma janela que aumentou a entrada de quem estava fora do sistema.” Ele afirma que as fintechs, que demoraram a se popularizar no Brasil, surfaram nessa onda.

Em novembro do ano passado, a Caixa alcançou a marca de 100 milhões de contas poupança digitais. O movimento ocorreu graças ao pagamento do auxílio emergencial, que começou a ser depositado para os beneficiados em abril.

Neri também defende que a concorrência no setor bancário é bastante bem-vinda para o consumidor, e que a criação de novas fintechs é uma tendência que veio para ficar, principalmente no modelo de open banking. “Isso é apenas o começo desse processo de dar mais mercado à população, e não dar a população ao mercado.”

De acordo com dados de um estudo da FGV, o Brasil acompanha a média mundial em termos de nível de renda e difusão do sistema financeiro para o grau de desenvolvimento econômico atual: 70% dos brasileiros dispõem de contas em instituições financeiras, contra 67,1% da média mundial.

A segmentação e especialização do setor é capaz de elevar ainda mais esse índice, colaborando com a inclusão financeira dos desbancarizados e levando aos usuários opções além das já tradicionais.

Antes da pandemia, havia 45 milhões de pessoas desbancarizadas no Brasil, segundo informações do Instituto Locomotiva. Com a necessidade de acesso ao auxílio emergencial e a demanda por serviços online em decorrência do isolamento social, o número de desbancarizados caiu 73%.

Veja a seguir alguns exemplos de bancos criados para atender a diferentes segmentos:

  • Divulgação

    Paws Bank

    Público-alvo: donos de animais de estimação e contas jurídica para empreendedores do segmento.

    O Paws Bank, lançado em março, é o primeiro banco digital com benefícios voltados para donos de animais de estimação e contas jurídicas para empreendedores do segmento. O “facilitador financeiro do mercado pet”, como se intitula, é 100% digital e traz como diferenciais empréstimo fácil para cirurgias veterinárias de emergência, descontos e parcerias com clínicas, além de colaboração financeira com ONGs especializadas no resgate de cães e gatos.

  • Divulgação

    Pride Bank

    Público-alvo: público LGBTI+

    O Pride Bank é o primeiro banco digital do mundo focado no público LGBTI+, segundo a companhia, e tem como propósito devolver parte de sua renda a essa população. O banco digital distribui 5% de sua receita bruta total a ONGs, coletivos e iniciativas LGBTI+. Outros 5% são investidos em atividades de culturais, esportivas e de entretenimento voltadas para o grupo. O banco encerrou a fase beta e começou a receber novos correntistas em agosto de 2020. Um dos seus diferenciais é a possibilidade de usar o nome social nos cartões de crédito emitidos pelo Pride Bank, o que evita constrangimentos para transexuais e travestis, por exemplo.

  • Divulgação

    D’Black Bank

    Público-alvo: empreendedores negros

    Com foco em empreendedores negros, a fintech D’Black Bank oferece maquininhas de cartões de crédito e materiais educativos a fim de promover a liberdade econômica da comunidade negra. A companhia se apresenta ainda como “um negócio social que visa a justiça econômica, atuando no fomento do empreendedorismo e da inovação para população afrobrasileira”. A fundadora do banco é a empreendedora Nina Silva, eleita pela Forbes uma das 20 Mulheres Mais Poderosas do Brasil em 2019, e criadora do movimento Black Money.

  • Divulgação

    NeagleBank

    Público-alvo: jovem pré-bancarizado

    Voltado para jovens menores de 18 anos, o NeagleBank, criado pela fintech Trampolin, e oferece uma conta digital, vinculada à conta corrente de um adulto, em que é possível receber mesadas, fazer transferências, comprar créditos para jogos online e ter cartão de crédito pré-pago. A conta do menor de idade precisa, necessariamente, ter um responsável cadastrado. A instituição foi desenvolvida pela Trampolim em parceria com os youtubers Victor Trindade (Eagle) e Gabriel Soares (Neox) e tinha 110 mil correntistas em outubro de 2020, após a conclusão da fase de testes.

Divulgação

Paws Bank

Público-alvo: donos de animais de estimação e contas jurídica para empreendedores do segmento.

O Paws Bank, lançado em março, é o primeiro banco digital com benefícios voltados para donos de animais de estimação e contas jurídicas para empreendedores do segmento. O “facilitador financeiro do mercado pet”, como se intitula, é 100% digital e traz como diferenciais empréstimo fácil para cirurgias veterinárias de emergência, descontos e parcerias com clínicas, além de colaboração financeira com ONGs especializadas no resgate de cães e gatos.

 

Consultado, o Banco Central informou que as três empresas não estão registradas junto ao órgão, mas que elas podem operar sem autorização prévia. “De acordo com a legislação em vigor, os termos ‘banco’ ou ‘bank’ não são de uso exclusivo de instituição financeira bancária, podendo ser usados inclusive por instituições de pagamentos”, afirmou o BC em nota. Nesses casos, há necessidade da chancela do órgão apenas quando a empresa realiza emissão de moeda eletrônica ou de instrumento pós-pago, credenciamento ou iniciação de transação de pagamento.

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