A jornada de 17 anos de Richard Branson: o primeiro bilionário a conquistar o espaço

Mais de 600 pessoas já compraram viagens com a Virgin Galactic; companhia prevê voos a partir de 2022 .

Alex Knapp
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Alactico Virgem
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Richard Branson, fundador da Virgin Galactic, realizou ontem (11) a primeira viagem da companhia ao espaço

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Havia uma comemoração no Spaceport America, instalação gigante no deserto, localizada próxima da cidade Truth Or Consequences, no Novo México, e que espera se tornar o destino do turismo espacial. Apesar do horário no início da manhã, um DJ tocava para uma multidão que incluía celebridades, magnatas e muitas pessoas que, anos atrás, compraram um ingresso para um dia fazer sua própria viagem ao espaço. A transmissão foi apresentada por Stephen Colbert e contou com uma música inédita do compositor Khalid.

Pouco depois das 10h30, o avião VMS Eve da Virgin Galactic decolou carregando a espaçonave VSS Unity e seus passageiros. Quando atingiu uma altitude de 13 mil metros, soltou o Unity, que acionou seus próprios motores e começou sua ascensão ao espaço. Assim que atingiu o ápice do voo, a espaçonave lentamente fez o caminho de volta à Terra, com um pouso suave feito às 11h40, horário local.

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“Tendo voado para o espaço, posso ver como a Virgin Galactic é a linha espacial da Terra”, disse Branson após o voo. “Estamos aqui para tornar o espaço mais acessível a todos e vamos transformar a próxima geração de sonhadores na próxima geração de astronautas.”

Esta não foi a primeira vez que Richard Branson, na 504º posição entre as pessoas mais ricas do mundo com fortuna de US$ 5,9 bilhões, foi ao espaço. Essa é, no entanto, a primeira vez que o bilionário faz uma viagem com sua própria empresa. O voo espacial que levou a tripulação a mais de 80 quilômetros acima da superfície da Terra e permitiu que experimentassem a ausência de peso por oito minutos começou a ser estudado há 17 anos.

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Em outubro de 2004, a competição ‘Ansari X-Prize’ ofereceu até US$ 10 milhões para quem construísse uma espaçonave reutilizável que fizesse duas viagens ao espaço em no máximo 14 dias. A espaçonave Mojave Aerospace Ventures, projetada por Burt Rutan e apoiada pelo cofundador da Microsoft, Paul Allen, venceu a competição contra outras 25 equipes.

Logo após a conquista, a Mojave licenciou a tecnologia para Richard Branson, que fundou a Virgin Galactic com o objetivo de democratizar o espaço e transformar o céu em um local de turismo.

Logo após sua fundação, a empresa começou a vender passagens para seus voos ao preço de US$ 200 mil por pessoa (e depois por US$ 250 mil em 2013). Mais de 600 pessoas já compraram passagens para a viagem. Embora o ambicioso Branson tivesse prometido que as operações comerciais teriam início em 2009, a empresa sofreu uma série de contratempos que atrasaram em 12 anos a jornada nas estrelas.

Em 2007, um teste com um foguete matou três pessoas. Em 2014, a primeira espaçonave da empresa, a VSS Enterprise, foi destruída durante um voo de teste, matando um de seus pilotos e hospitalizando outro. De acordo com o National Transportation Safety Board, o acidente foi causado por um sistema de freio a ar. A Virgin Galactic, a Scaled Composites e a Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) foram criticadas por não considerarem o potencial de erro humano que resultou no acidente.

No entanto, a empresa continuou avançando. Sua segunda espaçonave, a VSS Unity, que levou Branson ao espaço no domingo, foi lançada em 2016. O primeiro voo e a primeira viagem bem-sucedida ao espaço foram ambas realizadas em 2018. No ano seguinte, a Virgin Galactic se tornou a primeira empresa de turismo espacial de capital aberto após uma fusão com uma SPAC, a Social Capital Hedosophia, empresa fundada pelo guru de ações do Reddit, Chamath Palihapitiya, que agora atua como presidente da Virgin Galactic.

O voo bem-sucedido de ontem é o segundo de uma série de testes com o objetivo de preparar a empresa para seus primeiros passageiros comerciais, que devem começar a voar em 2022, se tudo correr bem. Cada um dos quatro membros da tripulação no compartimento de passageiros, incluindo o próprio Branson, estavam trabalhando enquanto faziam a viagem. Sirisha Bandla, vice-presidente de operações de pesquisa da empresa, conduziu um experimento em nome da Universidade da Flórida. O engenheiro líder de operações, Colin Bennett, avaliou o equipamento e os procedimentos da cabine, enquanto o instrutor chefe de astronautas, Beth Moses, supervisionou os outros passageiros. O trabalho de Richard era avaliar a experiência em si, não apenas durante o voo, mas também a experiência de treinamento e preparação.

Em junho, a FAA expandiu a licença da Virgin Galactic para permitir que os clientes voassem em sua espaçonave, um marco regulatório importante. A empresa tem que cumprir mais de 600 metas a partir de agora.

Mesmo assim, quando se pensa em sucesso, a empresa tem um longo caminho a percorrer, ainda mais se comparada com outros negócios de Branson, como a Virgin Airlines. Um relatório recente do Morgan Stanley estima que a Virgin Galactic não alcançará um fluxo de caixa livre positivo até 2028, embora preveja que em 2030 a empresa apresente receitas de cerca de US$ 1,3 bilhão.

Para Branson, no entanto, a verdadeira vitória é o resultado de um sonho que começou há 17 anos.

“É a experiência de uma vida”, disse ele a bordo da espaçonave. “E agora estou olhando para um belo espaçoporto. Parabéns a todos por criarem um lugar tão lindo. Parabéns a todo o nosso maravilhoso pessoal da Virgin Galactic e seus 17 anos de trabalho árduo para nos levar até aqui.”

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