Apesar das apostas liberadas, mercado acredita que apenas amadores gastarão dinheiro com a Olimpíada nos EUA

Reprodução/Forbes
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Elementos imprevisíveis, disseminação da Covid-19 e patriotismo dificultam apostas e afastam veteranos

A Olimpíada de Tóquio começou – mesmo com tantos fatores jogando contra. E, graças à proliferação de apostas esportivas nos Estados Unidos – 21 estados legalizaram a atividade -, este é o primeiro ano em que milhões de norte-americanos poderão fazer apostas nos Jogos através de seus dispositivos móveis. O detalhe importante é que a maior parte dos lances virá de amadores que apostam no número de medalhas de ouro que a equipe dos EUA irá conquistar ou como o time de basquete feminino alcançará o primeiro lugar. Apostadores mais calejados, no entanto, geralmente não dão a mínima para a Olimpíada.

“Os jogadores profissionais geralmente evitam apostar na Olimpíada, pois não conseguem ver uma vantagem real”, diz Bill Krackomberger, apostador veterano que vive em Las Vegas há quase duas décadas.

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Existem muitos elementos imprevisíveis nos Jogos para atrair os veteranos. Nos esportes coletivos, como basquete, beisebol e futebol, a maioria dos companheiros não costuma jogar junto, o que torna difícil apostar com base em dados ou histórico de desempenho. Neste ano, com a Covid-19 se espalhando pela Vila Olímpica, também há incertezas quanto à desqualificação de atletas ou equipes inteiras.

Toshiro Muto, chefe do comitê organizador da Olimpíada de Tóquio, disse na última terça-feira (20) que não descartou a possibilidade de os Jogos serem cancelados devido a um aumento nas infecções por Covid-19.

Larry, um jogador experiente que vive em Nova Jersey, diz que fez algumas apostas no time de basquete masculino dos EUA, no futebol masculino dos EUA e no time de futebol feminino dos EUA para ganhar o ouro, mas ele não está muito animado.

“Estou apostando quase por tédio”, diz Larry, que não quis que seu sobrenome fosse publicado. Ele está apostando algumas centenas de dólares, mas nada substancial, especialmente em comparação com o que fez durante a temporada da NFL, quando apostou de US$ 250 a US$ 500 por jogo. Larry, que prefere usar um agente ilegal de apostas em vez de aplicativos como FanDuel e DraftKings, diz que há um aspecto exclusivo da Olimpíada que obscurece a lógica dos apostadores: o patriotismo.

“Há muita emoção e orgulho quando se trata dos Jogos Olímpicos, o que confunde as coisas”, diz ele. “Vou esperar a temporada de futebol para começar a apostar agressivamente.”

De acordo com um novo relatório da Associação Americana de Apostas, um em cada dez norte-americanos adultos fará uma aposta em qualquer evento durante os Jogos de Tóquio. É quase o mesmo número de pessoas que apostam no Super Bowl, um dos maiores eventos de apostas em dinheiro nos Estados Unidos. Mas corretores e apostadores de todo o país discordam e não acham que muitos americanos irão apostar nos Jogos, nem esperam conseguir um uma quantidade significativa de dinheiro.

“Não vamos depositar a nossa confiança nos Jogos Olímpicos”, disse Duane Colucci, gerente de corrida e esportes do Rampart Casino em Las Vegas. “Um único jogo dos Yankees contra os Red Sox supera todo o evento.”

Diretores de apostas esportivas em Vegas dizem que o interesse em torno das Olimpíadas ainda é relativamente baixo, pois é uma nova oportunidade de aposta – não era legal apostar nas Olimpíadas até 2016, as apostas esportivas eram federalmente ilegais, exceto em Nevada, até 2018.

Colucci afirma que a maioria das pessoas que apostam nos Jogos são amadores, ou “apostadores recreativos”.

Pouca importância operacional

O diretor de apostas do hotel Westgate Las Vegas, John Murray, concorda: a Olimpíada não será um grande negócio.

“É quando encorajamos nosso pessoal a sair de férias”, diz Murray. “É julho, é um bom momento para as pessoas deixarem Vegas e se prepararem para a temporada de futebol americana.”

Não há comparação entre a movimentação durante as Olimpíadas e grandes esportes, como o futebol. Na tarde da última segunda-feira (19), uma pessoa pagou US$ 30 mil que o time de futebol da Universidade do Alabama venceria o campeonato nacional.

“Você não vai receber tanto dinheiro na Olimpíada, o que acontece no futebol universitário, no futebol profissional e no basquete universitário”, diz Murray.

Naquela mesma tarde, alguém apostou US$ 100 em Lily King, que está na equipe feminina de natação dos EUA e não perdia uma corrida desde 2015, para vencer os 200 metros peito, com chances de 12 para 1.

“Essas são decisões inconsequentes para nossos resultados financeiros”, diz Murray. “Se alguém ganhar nessas apostas, realmente não nos importamos. Não é algo que vai determinar a nossa receita em julho e agosto.”

A plataforma DraftKings, que agora oferece apostas esportivas em 14 estados, apresenta muitas linhas de apostas olímpicas porque é o primeiro ano em que pode fazê-lo. “O basquete, o futebol, o golfe, o tênis e o tênis de mesa vão bem”, diz Johnny Avello, diretor de corrida e apostas esportivas da empresa. Mas ele diz que o dinheiro no esporte mais popular, o basquete masculino dos EUA, não superará um jogo da NBA na temporada regular.

Eles também listam as probabilidades de esportes mais desconhecidos para testar o mercado, incluindo badminton, handebol, judô e surfe.

No Reino Unido, o apostador profissional Paul Krishnamurty, que se especializou em política e esportes, diz que não conta com as Olimpíadas para faturar. “Quando um atleta está atrás da terceira ou quarta medalha e isso se torna um evento global, vai atrair muito dinheiro”, diz.

Krishnamurty prevê que grandes eventos autônomos trarão de US$ 5 a US$ 10 milhões para uma única casa de apostas, e a receita total para cada evento olímpico combinado ultrapassará US$ 100 milhões para qualquer estabelecimento.

Tradição

Apostar nas Olimpíadas não é novo – na Grécia antiga, as pessoas aparentemente colocavam dinheiro na reta durante o evento esportivo. A movimentação olímpica também não é novidade para o BetOnline, um site de jogos de azar não licenciado no Panamá que vem ganhando dinheiro com os Jogos há duas décadas.

“Costumávamos oferecer linhas apenas nos grandes esportes, mas agora oferecemos tudo o que podemos: ginástica rítmica, nado sincronizado, teremos até arco e flecha”, diz Dave Mason, gerente da marca de apostas esportivas da BetOnline. “Levamos isso muito mais a sério do que antes.”

Embora os limites de apostas sejam baixos – US$ 1.000 em comparação com o limite de US$ 50.000 para jogos da NFL – qualquer ação durante os dias do evento é bem-vinda.

“Isso nos dá um bom impulso, especialmente para esta época do ano”, diz Mason. “Os caras [norte-americanos] do ramo estão de férias, o marketing está se preparando para a NFL. É um evento de boas-vindas, e não mais um evento de nicho.”

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