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Como se formam as bolhas financeiras

Em 2000, o índice Nasdaq perdeu mais de US$ 5 trilhões em sete meses devido à Bolha PontoCom

3 min
Sean Gladwell/GettyImages
Sean Gladwell/GettyImagesSaiba mais sobre o fenômeno responsável pelas maiores crises econômicas da história

O filme “Tempos Modernos”, de Charlie Chaplin, mostra norte-americanos desempregados e extremamente pobres enfrentando longas filas nas ruas para receber pratos de comida, num retrato dos impactos da Grande Depressão nos Estados Unidos, resultado de um fenômeno perigoso para as economias: as bolhas financeiras – no caso, a de 1929.

Ricardo Humberto Rocha, professor de finanças do Insper, explica que uma bolha financeira acontece quando há uma forte valorização em um determinado tipo de ativo, sem fundamentos (razões) que justifiquem isso. “Há uma busca por aqueles ativos, eles se valorizam, mas quando você faz uma análise técnica, não tem justificativa para o preço estar naquele valor. Uma hora essa bolha vai furar.”

Mas por qual motivo esses ativos se valorizam mesmo sem justificativa? Rocha afirma que, às vezes, as pessoas são movidas a comprar por excesso de liquidez (muito dinheiro na economia). Mas as bolhas podem também se formar porque há muita demanda por determinados ativos, aumentando assim os seus preços.

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Como começam as bolhas?

Para entender esse mecanismo é preciso avaliar a dinâmica do mercado. Keyler Rocha, professor aposentado da Faculdade de Economia e Administração da USP, explica que o mercado de capitais funciona com base na lei da oferta e demanda – os preços diários das ações sobem e descem seguindo essa lógica. “Esses valores são baseados no futuro, no que se imagina que pode acontecer com a empresa: se ela vai aumentar o seu rendimento, lucro, fluxo de caixa, etc. O mercado reage a essas perspectivas.”

Quando os investidores apostam em massa em determinado ativo, mas não existem fundamentos, essa expectativa é frustrada com o tempo e, por fim, as bolhas estouram. Foi o que aconteceu com a Bolsa de Nova York em 1929 e com o mercado imobiliário norte-americano em 2007, por exemplo.

Em 1929, os Estados Unidos assistiram a uma redução de 50% em seu PIB e a taxa de desemprego saindo de 4% para 27% entre o início da crise até 1933.

Momento atual do mercado

Mesmo com a pandemia do novo coronavírus, as bolsas continuam a subir e atingir novos recordes. Estamos vivendo em uma bolha econômica sem saber?

“Essa pergunta vale alguns bilhões de dólares. A economia, de forma geral e em função da pandemia, desacelerou fortemente, mas está voltando a crescer à medida que os países confiam que a vacina tem eficácia”, diz Ricardo Rocha, que julga que ainda há muito a se recuperar, em termos de crescimento.

“Outra questão é que a economia norte-americana tem um grau de produtividade e de tecnologia que surpreende a cada ano, então é muito difícil pensar numa correção de rota de ativos nos EUA nos próximos dois ou três anos, pelo menos.”

Veja abaixo algumas das bolhas financeiras mais famosas do mundo:

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