Das polêmicas ao IPO, Robinhood estreia na Nasdaq com avaliação de US$ 32 bilhões

Papéis da fintech serão negociados com o ticker HOOD em Wall Street.

Matt Schifrin e Antoine Gara
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Os bilionários e cofundadores da fintech Robinhood, Baiju Bhatt e Vlad Tenev, têm 36 e 34 anos, respectivamente

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A fintech Robinhood realiza hoje (29) o seu IPO, avaliando a empresa de oito anos em cerca de US$ 32 bilhões. Seus jovens fundadores, Vlad Tenev, de 34 anos, e Baiju Bhatt, de 36 anos, têm fortuna de US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões, respectivamente. Para efeitos comparativos, Charles Schwab, famoso por inovar no setor de corretagem norte-americano, levou 25 anos desde a fundação da empresa, em 1971, para chegar ao bilhão, quando tinha 59 anos.

Apesar de algumas pedras no caminho durante sua rápida ascensão, a incipiente corretora digital, em quase todos os aspectos, triunfou nos quesitos empreendedorismo e inovação em marketing. Desde 1975, quando a SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, na sigla em inglês) desregulamentou as comissões de corretagem, dando origem a corretoras como a Schwab, não havia uma força tão grande no varejo do mercado de ações. O Robinhood inventou uma negociação sem comissão, que agora é padrão em toda a indústria, incluindo na TD Ameritrade, Fidelity, Schwab, Vanguard e Merrill Lynch.

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A missão do Robinhood, frequentemente repetida, é “democratizar as finanças para todos” e o fato de que mais de 22 milhões de pessoas – a maioria delas investidores de primeira viagem – já possuem contas na corretora é uma forte evidência de missão cumprida. Afinal, de acordo com os dados mais recentes do Federal Reserve, apenas 14% dos norte-americanos possuem ações diretamente e pouco mais de 50% são investidos em ações indiretamente, por meio de fundos.

Os dois jovens criadores do Robinhood e seus clientes não estão apenas abalando os fundamentos financeiros de Wall Street, mas também movendo os mercados, mesmo que as altas das ações memes geradas por eles estejam desvinculadas dos modelos tradicionais de avaliação.

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Mas alguma cautela é necessária. Em seu caminho para cumprir sua missão com velocidade surpreendente, o Robinhood cometeu três pecados. Primeiro, para atrair jovens investidores inexperientes, a empresa gamificou – ‘transformou em game’ e tornou seu aplicativo de negociação altamente viciante, usando muitas das mesmas técnicas empregadas por startups de mídia social e fabricantes de videogames.

O segundo pecado, de acordo com os críticos, é que a base de seu modelo de lucro é a necessidade de vender as ordens (de compra e venda) de seus clientes aos maiores tubarões de Wall Street, incluindo empresas de trading quantitativo como a Citadel Securities, do bilionário Ken Griffin. Ambas essas táticas polêmicas figuraram com destaque nas audiências do Congresso em março sobre a negociação de ações como a GameStop.

Por fim, o Robinhood fez um trabalho ruim ao lidar com as negociações de seus clientes, pelas quais pagou mais de US$ 130 milhões em multas, acordos e penalidades. A plataforma de negociação estava praticamente inoperante durante os dias de negociação mais voláteis da crise do coronavírus, levando a vários processos de ação coletiva, que permanecem em andamento.

Durante a bolha de ações memes, o Robinhood interrompeu as negociações de papéis como GameStop e AMC Entertainment ao enfrentar bilhões de dólares em chamadas de margem, atrapalhando clientes e legisladores. O incidente forçou a corretora a levantar bilhões de dólares em dívidas conversíveis de emergência em fevereiro. Os US$ 2,5 bilhões em notas conversíveis vieram com altas taxas de juros, baixas barreiras de conversão e um saco de US$ 369 milhões em bônus de subscrição, o que diluirá as ações da empresa.

Os problemas continuam. Dezenas de autoridades federais e estaduais continuam investigando o Robinhood. O cofundador, Vlad Tenev, teve até seu celular apreendido.

Em última análise, o sucesso e o legado de longo prazo do Robinhood dependerão da relação com Wall Street, já que ao introduzir milhões de novos norte-americanos aos investimentos, a fintech irá superar os efeitos negativos e riscos da sua operação. Entre seus 22 milhões de clientes, a companhia considera que 98% são “usuários ativos mensais”, ou seja, com maior engajamento do que um aplicativo de mídia social.

Mas suas receitas são concentradas, impulsionadas por uma multidão de especuladores que podem ser dizimados em um dia, uma semana ou um mês. Considere o seguinte: os clientes do Robinhood possuem US$ 80 bilhões em ativos sob custódia, incluindo US$ 2 bilhões em opções. No entanto, essas negociações de opções representaram 37% das receitas gerais do Robinhood no último trimestre.

Independentemente dos riscos inerentes ao seu modelo operacional, é provável que as legiões de jovens do Robinhood se tornem os empresários, financiadores e investidores de longo prazo de amanhã. Em 1998, durante o frenesi das ações pontocom, a Forbes publicou uma capa que traçava o perfil de jovens corretores sob o título “Um grupo de crianças atormentando Wall Street!” Vinte e três anos depois, o renegado “criador de mercado de guerrilha” apresentado em nossa capa, Serge Milman, de 48 anos, administra um fundo de hedge e é cofundador da 840 Venture Partners, uma empresa de capital de risco com investimentos em startups, incluindo o concorrente do Robinhood, Public.com. “Eu sou totalmente parte do sistema agora”, diz Milman.

Os repórteres da Forbes começaram a rastrear o Robinhood em 2014, não muito depois da sua fundação. Em 2015, a startup foi selecionada para nossa inaugural lista Fintech 50 e, em 2016, o fundador Vlad Tenev apareceu na versão norte-americana do Under 30.

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