George Soros e Bill Gates formam consórcio para compra de fabricante de testes de Covid do Reino Unido

O GAH é formado pelos braços de filantropia dos bilionários e deve investir ao menos US$ 41 milhões em soluções de saúde.

David Dawkins
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George Soros é um dos bilionários que está direcionando seus esforços filantrópicos para diminuir as diferenças de biossegurança entre os países

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Os bilionários George Soros e Bill Gates constituíram um consórcio para comprar a Mologic, fabricante britânica de testes Covid, em um esforço para aumentar o acesso a “tecnologia médica de última geração a preços acessíveis” em todo o mundo, de acordo com um comunicado divulgado hoje (19).

O Soros Economic Development Fund e a Fundação Bill & Melinda Gates anunciaram o lançamento de uma nova iniciativa, chamada GAH (Acesso Global à Saúde, na sigla em inglês), com o objetivo de fortalecer a implementação global de tecnologias médicas que podem salvar vidas. Para isso, o consórcio adquiriu a Mologic Ltd, atualmente mais conhecida pela tecnologia de amostras nasais usada para realizar testes rápidos de Covid-19. A tecnologia também pode ser usada para testes de dengue, esquistossomose e oncocercose.

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Os chamados testes rápidos de “fluxo lateral” oferecem uma triagem precoce para o vírus e têm sido usados em todo o mundo como uma ferramenta para ajudar a reabrir lojas, bares, eventos esportivos e locais de trabalho. Eles detectam o vírus logo nos primeiros dias da doença, quando o paciente pode não apresentar sintomas, mas pode transmitir o vírus a outras pessoas. No Reino Unido, os testes de Covid de fluxo lateral precisam ser confirmados por um segundo teste, antes que a Covid-19 seja formalmente diagnosticada.

O consórcio GAH, que inclui os braços filantrópicos de Soros e Gates, vai investir “ao menos” US$ 41 milhões no negócio, conforme o comunicado.

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‘Transação Única’

Soros e Gates fazem parte de uma comunidade de bilionários que busca direcionar seus esforços filantrópicos ao chamado “sul global”, que engloba de forma geral a América Latina, Ásia, África e Oceania, que, segundo temores de especialistas, ficarão para trás à medida que os países desenvolvidos aceleram seus programas de vacinação e testes nos próximos anos. Sean Hinton, CEO do fundo Soros, disse em um comunicado que a pandemia “demonstrou, dolorosamente, as desigualdades fundamentais” na saúde pública global, acrescentando que esta “transação única” reuniu fundos filantrópicos e investidores para atacar o problema.

“Como vimos durante a pandemia de Covid-19, o acesso aos testes é absolutamente essencial quando se trata de conter a propagação de doenças contagiosas – um problema que, em última análise, afeta a todos nós”, diz Roxana Bonnell, especialista em saúde pública da Open Society Foundations, de Soros, entidade que afirma ser a maior financiadora privada mundial de grupos de defesa dos direitos humanos e de justiça social.

Mologic Flow

A Mologic foi fundada em 2003 como um laboratório de inovação e pesquisa médica com fins lucrativos pelo atual CEO Mark Davis e seu pai, Paul Davis, que é o atual diretor científico da empresa. Paul Davis também é conhecido como o criador de outra tecnologia médica mundialmente famosa: o teste de gravidez Clearblue, lançado pela primeira vez em 1988. O teste foi a primeira aplicação comercial global de tecnologia de fluxo lateral, afirma a empresa.

A empresa médica já trabalhou com o braço filantrópico de Gates no passado. Em 2016, a Mologic estabeleceu o Card (Centro Avançado de Diagnósticos Rápidos, na sigla em inglês) financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates, com foco na redução do custo de diagnósticos rápidos.

O Financial Times de Londres relatou, ontem (18), que 95% dos casos da África do Sul correspondem à variante Delta – o país vacinou menos de 3% da sua população. Enquanto isso, os EUA e a Europa realizaram grandes avanços na vacinação de suas populações e na redução significativa da probabilidade de hospitalização ou de sintomas graves no caso de pacientes que receberam diagnóstico da Covid-19.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) relatou na semana passada que a África registrou um aumento de 43% nas mortes semanais de Covid-19, acrescentando que apenas 18 milhões de pessoas no continente estão totalmente vacinadas, o que representa 1,5% de sua população total.

Outra onda de infecções provavelmente está chegando. Fatima Hassan, fundadora da Health Justice Initiative (Iniciativa de Justiça na Saúde, em tradução livre) da África do Sul, tuitou no domingo: “Precisamos de mais suprimentos, e rápido”.

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