Ibovespa abre em queda com dados de desemprego e perspectivas negativas para big techs

O Ibovespa abre o último pregão da semana e do mês em queda, com baixa de 1,09%, a 124.303 pontos perto das 10h10, horário de Brasília, repercutindo as perspectivas negativas para as big techs e os dados da inflação nos Estados Unidos, além das pressões regulatórias na China.

No contexto doméstico, os investidores ainda acompanham a divulgação de dados fiscais e de desemprego do país, já em compasso de espera pela próxima reunião de política monetária do Banco Central.

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A taxa de desemprego no Brasil ficou em 14,6% nos três meses até maio, mostrou hoje (30) a Pnad Contínua, elaborada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A mediana das previsões em pesquisa da Reuters era de que a taxa ficaria em 14,5% no período.

O Banco Central também divulgou os dados fiscais de junho, apontando que o Setor Público Consolidado registrou, no período, um déficit primário de R$ 65,5 bilhões, ante déficit de R$ 188,7 bilhões em junho de 2020. No acumulado em 12 meses, o déficit primário atingiu R$ 305,5 bilhões (3,81% do PIB), ou 1,60 p.p. em relação ao mês anterior. A Dívida Líquida do Setor Público elevou-se em 1,1 p.p. do PIB no mês, para 60,9% do PIB.

O dólar avança frente ao real nos primeiros negócios desta sexta-feira, enquanto os operadores monitoram a aversão a risco no exterior e se preparam para a próxima reunião de política monetária do BC. Às 10h10, o dólar subia 0,56%, a R$ 5,1075.

As Bolsas nos Estados Unidos apontam para uma abertura em queda, enquanto investidores reagem aos dados de inflação norte-americana. Divulgado hoje, o PCE (Despesas de Consumo Pessoal, em tradução livre) do país registrou alta de 0,4% em junho ante o mês anterior, e 3,5% na comparação anual. O indicador veio abaixo do esperado por especialistas da Refinitiv, que esperavam alta de 0,6% e 3,7%, respectivamente.

Além disso, o mercado norte-americano digere resultados corporativos das empresas de tecnologia. As ações da Amazon recuam mais de 7,1% no pré-mercado, após registrar vendas no segundo trimestre ligeiramente abaixo das expectativas dos analistas e sinalizar queda ainda maior nas vendas do trimestre atual. As ações do Pinterest também caem 6%, após a plataforma informar que sua média mensal de usuários nos EUA diminuiu durante o trimestre.

Pablo Spyer, economista-sócio da XP Investimentos, explica que, depois do alívio de ontem, “voltam os temores com a repressão chinesa contra as empresas que querem captar dinheiro nos EUA, que junto com a frustração dos resultados da Amazon e os temores da nova variante Delta da Covid-19, jogam as Bolsas do mundo inteiro no vermelho esta manhã”.

Filipe Villegas, estrategista de ações da Genial Investimentos, também avalia que a desaceleração no crescimento das grandes empresas de tecnologia nos EUA e os riscos de repressão regulatória na China movem o mercado nesta sexta-feira. “A gente acaba entrando em uma onda de previsões de cautela depois que o Facebook e a Apple divulgaram as mesmas perspectivas, de bons resultados agora, mas com uma sinalização mais difícil à frente. (…) O mercado não olha para trás, ele olha para frente, e essa sinalização das Big Techs realmente faz com que os investidores adotem um clima de cautela.”

As Bolsas asiáticas fecharam a semana no vermelho, após a recuperação na última sessão, mostrando que as persistentes preocupações com repressões regulatórias superaram as tentativas de Pequim de acalmar os mercados. O Hang Seng, de Hong Kong, desvalorizou 1,35%; o BSE Sensex, de Mumbai, fechou em queda de 0,13%; e o Shanghai, na China, caiu 0,42%.

No Japão, o índice Nikkei recuou 1,80%, apesar da produção industrial do país saltar 6,2% em junho, ante queda de 6,5% em maio. No entanto, as vendas no varejo do mês aumentaram 0,1% em relação ao ano anterior, abaixo das previsões de um ganho de 0,2%.

As ações europeias operam em baixa nesta sessão, com os investidores reagindo aos lucros corporativos e dados econômicos. A agência de estatísticas da União Europeia informou hoje que sua estimativa inicial para o PIB (Produto Interno Bruto) da Zona do Euro foi de crescimento de 2,0% na comparação trimestral e de 13,7% na base anual. Economistas consultados pela Reuters esperavam expansão de 1,5% e 13,2% respectivamente.

A agência de estatísticas também informou que a inflação da região acelerou a 2,2% em julho, a taxa mais elevada desde outubro de 2018, frente 1,9% em junho e acima da expectativa de economistas e da meta do Banco Central Europeu, de 2,0%. O Stoxx 600 cai 0,36%; na Alemanha, o DAX recua 0,71%; enquanto o CAC 40 desvaloriza 0,04% na França; na Itália, o FTSE MIB é negociado em baixa de 0,22%; e o FTSE 100 tem queda de 0,73%, no Reino Unido.

No mercado de commodities, os contratos futuros do minério de ferro na Ásia despencaram, pressionados pela decisão da China de reduzir a produção de aço – em linha com seu esforço de descarbonização – e pela redução na demanda doméstica pelo material de construção e manufatura. O minério de ferro na bolsa de commodities de Dalian fechou em queda de 8,1%, a 1.027 iuanes (US$ 158,95) por tonelada, uma perda mensal de quase 8%, a mais acentuada desde fevereiro de 2020.

Os preços do petróleo operam em queda nesta sexta-feira, mas permaneceram no caminho para postar ganhos semanais com a demanda crescendo mais rápido do que a oferta, enquanto as vacinações devem aliviar o impacto das novas infecções por Covid-19 em todo o mundo. Às 9h55, o petróleo Brent caía 0,15%, a US$ 74,99 o barril, enquanto o WTI recuava 0,14%, a US$ 73,52 o barril. (com Reuters)

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