Ibovespa tem leve alta, mas congelamento de preços para siderúrgicas limita ganhos

Representantes do setor fizeram um acordo informal com o governo para congelar preços em troca de redução de 10% da tarifa de importação, diz Guedes.

Diana Lott
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O Ibovespa fechou hoje (14) em alta de 0,19%, a 128.406 pontos, devolvendo parte dos ganhos do dia depois de ultrapassar os 129 mil pontos durante a sessão. O movimento de alta perdeu fôlego após declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, derrubarem ações do setor siderúrgico.

Durante evento do jornal “Valor Econômico”, Guedes afirmou que representantes da indústria do aço fizeram um acordo informal com o governo e se comprometeram a não subir os preços até o final do ano. Em troca, o setor se beneficiaria de uma queda de 10% na tarifa de importação, de acordo com o ministro. Os papéis da CSN (CSNA3) e da Usiminas (USIM5) lideram as perdas da sessão, recuando 3,98% e 3,46%, respectivamente, enquanto a Vale (VALE3) fechou o dia em leve queda de 0,53%.

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Entre os indicadores do dia, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), considerado uma prévia do PIB, registrou queda de 0,49% em maio na comparação com o mês anterior, abaixo da expectativa de avanço de 1,00% no período, segundo consenso de economistas do Refinitiv. Na comparação anual, o índice teve salto de 14,21%, e apresentou ganho de 1,07% no acumulado em 12 meses.

Os investidores seguem repercutindo mudanças na proposta para a segunda fase da reforma tributária no Brasil, apresentadas na véspera pelo relator da matéria na Câmara dos Deputados, Celso Sabino (PSDB-PA).

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Na visão do gestor da Galapagos Capital, Scott Hodgson, as notícias sobre o tema ajudaram no desempenho da bolsa ontem e nesta sessão, dada a percepção de que as mudanças não serão tão onerosas como sinalizava a proposta original.

O parecer manteve a taxação sobre lucros e dividendos em 20% e o fim da dedutibilidade de juros sobre capital próprio, mas excluiu a tributação dos rendimentos dos Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs), entre outras mudanças.

Bolsas norte-americanas

Nos Estados Unidos, o dia foi marcado pela indicação do chair do Federal Reserve, Jerome Powell, de que o Banco Central manterá sua política de incentivos monetários, apesar do avanço inflacionário. A expectativa em torno das declarações manteve os índices de ações em Wall Street sob forte volatilidade durante o pregão.

O Dow Jones fechou a quarta-feira com alta de 0,15%, a 34.942 pontos. O S&P 500 cresceu 0,20%, a 4.377 pontos. O Nasdaq teve queda de 0,09%, a 14.644 pontos.

Powell disse que qualquer movimento para retirar o apoio à economia “ainda está longe”, bem como afirmou que o ritmo de alta dos preços é mais rápido do que o esperado, mas irá se “moderar”.

O índice de preços ao produtor para a demanda final dos Estados Unidos, divulgado hoje, aumentou 1,0% no mês passado, após alta de 0,8% em maio, informou o Departamento do Trabalho. No acumulado de 12 meses até junho, o índice apresentou alta de 7,3%. Esse foi o maior aumento ano a ano desde novembro de 2010, após avanço de 6,6% em maio. Economistas consultados pela Reuters previam que o índice cresceria 0,6% em junho e 6,8% em comparação com o ano anterior.

Os preços mais altos das commodities e custos trabalhistas elevados devido à escassez de mão de obra estão impulsionando a inflação na porta das fábricas. Com os estoques em níveis muito baixos devido a problemas na cadeia de abastecimento, os produtores estão repassando facilmente o custo mais alto aos consumidores.

De acordo com o estrategista da RB Investimentos, Gustavo Cruz, o mercado está dividido sobre a inflação nos EUA ser ou não transitória. “Por isso a tendência positiva quando fica mais claro que o Fed vai demorar mais para tomar essa decisão [sobre redução dos estímulos monetários]”, afirma.

Cotação do dólar

O dólar teve a maior queda diária desde março e fechou o dia negociado a R$ 5,0861 na venda, recuando 1,81% na sessão. O movimento veio em linha com o desempenho da moeda norte-americana no exterior.

Segundo o estrategista de juros e moedas para a América Latina do BNP Paribas, André Digiacomo, a valorização recente da moeda norte-americana é apenas um desvio temporário e não compromete uma tendência mais ampla de baixa. O estrategista afirma ainda que o aumento da taxa Selic pelo Banco Central tem ajudado muito o desempenho do real, levando os juros para níveis em que a moeda brasileira fica mais competitiva em termos de carrego.

Custos mais altos dos empréstimos no Brasil tornam o real mais atrativo para estratégias de “carry trade”, que consistem na tomada de empréstimos em moeda de país de juro baixo e compra de contratos futuros de uma divisa de juro maior, como a moeda brasileira. O investidor, assim, ganha com a diferença de taxas.

O BNP Paribas projeta que o dólar encerrará o ano de 2021 em R$ 4,75. (com Reuters)

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