IPO: entenda o processo por trás da listagem de uma empresa na Bolsa

 Olemedia/GettyImages
Olemedia/GettyImages

Nos últimos 18 meses, 60 empresas foram listadas na B3; saiba o que isso significa para o mercado

De janeiro de 2020 até junho deste ano, cerca de 60 novas empresas foram listadas na Bolsa de Valores brasileira. Essas companhias estão em busca do capital dos 3,7 milhões dos atuais investidores do país. Em 2018, os CPFs cadastrados na B3 somavam pouco mais de 813 mil. Se há mais pessoas dispostas a investir em ações, com certeza há empresas interessadas em receber esses recursos.

André Rosenblit, diretor da Santander Corretora, explica que o Brasil tem mais de 1,5 mil empresas com um faturamento acima de R$ 700 milhões, ou seja, com receita suficiente para serem listadas. “Há um caminho enorme para novos IPOs nos próximos anos, eu acho que para o investidor um IPO é muito bom, porque ele dá possibilidade de você investir em empresas de natureza diferentes, de uma forma transparente”, comenta.

Acompanhe em primeira mão o conteúdo do Forbes Money no Telegram

Mas a onda de IPOs é reflexo também da maturidade do mercado de capitais nacional, que é peça fundamental para o crescimento de empresas e, consequentemente, da economia. “Se você olhar dez anos atrás, a Bolsa de valores era composta por bancos, telecom e petróleo. Hoje a Bolsa tem petróleo, papel e celulose, minério, tecnologia, saúde, educação, infraestrutura, empresas de comércio, empresas de varejo, hospitais e etc. Ela está, cada vez mais, refletindo a verdadeira economia do Brasil”, avalia Rosenblit,

Para entender melhor como funciona o IPO, a Forbes Money conversou com especialistas que explicam quando uma empresa pode abrir capital e como avaliar essas oportunidades na Bolsa:

  • Os primeiros procedimentos

    O IPO, ou oferta inicial de ações, é o processo em que uma empresa oferta pela primeira vez as suas ações aos investidores, tornando assim uma companhia de capital aberto.

    O objetivo das empresas com um IPO é, basicamente, captar recursos dos investidores para as suas operações, mas as vantagens podem ser ainda maiores, já que para ser listada em Bolsa essa empresa precisa atender a padrões mínimos de governança corporativa, ou seja, ela deve prestar informações, ser transparente e ética em suas práticas com funcionários, fornecedores, clientes e com a sociedade.

    Dessa forma, para se tornar pública, uma empresa precisa atender a requisitos regulatórios e aos do mercado. Esse procedimento envolve alguns passos: em primeiro lugar, a companhia elabora o prospecto que será avaliado pela CVM (Comissão de Valores Imobiliários). O prospecto irá trazer informações sobre o negócio, como história da empresa, quem são os atuais donos, faturamento, perspectivas de crescimento e etc.

    No prospecto também são oferecidos detalhes sobre a oferta de ações, como a faixa indicativa de preço da ação. Essa faixa de preço nada mais é do que uma projeção do valor mínimo e do valor máximo que a empresa e os bancos que estão coordenando a oferta acreditam ser justo. Vamos explicar melhor no próximo tópico.

    anotherperfectday/GettyImages
  • A precificação

    O processo de precificação dos papéis funciona como um leilão, em que os bancos coordenadores da oferta se reúnem com representantes do mercado (empresários, investidores, analistas, etc.) para avaliar as diferentes possibilidades de preços para aquela ação, partindo de uma tese inicial pré-definida pelos bancos.

    “O importante é reunir o máximo de pessoas possível e achar o menor denominador comum, [um valor] que faça sentido para a companhia e, ao mesmo tempo, inclua o maior número de interessados. É um valor determinado pela oferta e demanda, o importante é achar a base que atenda o maior número de pessoas, e colocar uma amplitude entre 20% a 25%”, conta Fernando Vita, managing director do UBS BB

    O prospecto é analisado pela CVM, que irá verificar se a empresa possui, no mínimo, três anos de balanço patrimonial auditados, receita há pelo menos dois anos, e se está pronta para atender aos requisitos de transparência de uma empresa listada em Bolsa. Após a aprovação pela CVM, a companhia terá um cadastro na B3 e poderá trabalhar na estratégia de divulgação da sua oferta para os investidores.

    A avaliação do mercado, por sua vez, não considera apenas a transparência, mas a governança da empresa. “Precisa ter um certo tamanho, que varia por setor, quanto mais tecnologia e crescimento, mais potencial para o mercado”, explica Vita.

    oxygen/GettyImages
  • Por dentro do ciclo de vida de uma empresa

    O caminho para a abertura de capital de uma empresa é complexo, já que ela passa por estágios de crescimento e precisa comprovar que tem potencial para seguir alcançando bons resultados e maturidade financeira.

    Rosenblit explica que o primeiro nível de investimento em uma empresa é o investidor anjo, que compra entre 5% e 10% dessa nova empresa, e coloca valores entre R$ 10 mil até R$ 1 milhão. “Esse investidor anjo busca projetos inovadores, ajuda a empresa a crescer, e é muito mais um mentor do que qualquer outra coisa, ele coloca efetivamente um dinheiro em troca de uma participação nessa startup.”

    Ao superar esse estágio embrionário, a companhia muitas vezes ainda precisa de capital para crescer, assim, o segundo nível de investidor é o Seed Capital (Investidor Semente, em tradução livre), que aporta na empresa entre R$ 500 mil a R$ 2 milhões, e também é um mentor. “[Eles] basicamente investem em várias empresas nas quais enxergam potencial, mas eles têm um fundo para isso, já não são pessoas físicas, é um fundo onde muita gente concentra dinheiro para investir em empresas que já não são tão embrionárias.”

    A partir disso, Rosenblit explica que a empresa já não é uma startup, mas sim uma empresa de crescimento, ou “growth stock”. “Ela já tem uma geração de caixa, mas ainda não é suficiente para se livrar de ter que captar dinheiro. Essa empresa já está muito mais consolidada e a chance de morrer (quebrar) nesse estágio já é muito menor.”

    Neste momento, a companhia busca outras modalidades de financiamento dentro do venture capital, que consiste num grupo de investidores que colocam entre R$ 2 milhões a R$ 10 milhões. Mas diferente dos estágios anteriores, no venture capital quem investe na empresa vai além do dinheiro e mentoria, participando também da gestão da empresa. “Eles visam levar a empresa para uma maturidade onde ela já se prepara para um IPO: a empresa já tem um bom tamanho, ela continua crescendo e gerando dinheiro, mas ela ainda precisa de capital para ir para o IPO.”

    O quarto estágio de investimentos é o private equity, que consiste em um grupo de investidores que entra em empresas bem consolidadas, e investe R$ 10 milhões ou mais. O objetivo é desses investidores é acelerar o processo de crescimento, “o que a empresa cresceria em três anos, ele vai fazer em três meses, e vai promover aquisições e fusões de outras empresas naquela”, explica Rosenblit. O último fim desse estágio de investimento, portanto, é levar a empresa ao IPO.

    Dowell/GettyImages
  • Avaliando um IPO

    Os investidores devem avaliar criticamente a empresa antes de decidir sobre o investimento. Nesse sentido, Fernando recomenda primeiramente entender o setor e os concorrentes nele; em seguida, comparar com a tese da companhia que está sendo listada, e julgar se as características apresentadas são as de uma empresa vencedora no mercado.

    Outros deveres de casa antes de entrar num IPO incluem avaliar a gestão da companhia (a reputação do dono, os conselheiros, o modelo de gestão); os interesses da empresa com o dinheiro arrecadado no IPO (se vai fazer aquisições, pagar dívidas, etc.); e comparar com esses modelos em seus concorrentes.

    “Assumindo que o mercado funciona, o último ponto é entender se a empresa é competitiva no setor, ler o prospecto, ter uma noção do que a companhia faz e construir sua própria visão se aquilo vai dar certo ou não. Tem muito mais chance de dar certo se o investidor acreditar na tese, do que se for só no embalo”, conclui.

    REUTERS/Paulo Whitaker
  • Múltiplos interesses

    O financiamento das operações de uma empresa pode encontrar ainda outros caminhos. Existem mecanismos de investimento privado (como as debêntures), ou ainda, a possibilidade de recorrer aos bancos.

    A listagem na Bolsa de Valores traz muitas novas oportunidades para uma companhia, contudo, exige que a empresa siga regras dos órgãos reguladores e compartilhe suas decisões com os seus acionistas.

    Fernando Vita explica que abrir o capital de uma empresa pode ser muito benéfico para a mesma, mas isso “depende do momento da companhia e dos seus objetivos”. Isto porque os acionistas dessas empresas passam a cobrar a cada trimestre pelo resultado prometido.

    Rosenblit reforça que o IPO pode ser uma maneira mais barata de conseguir financiamento, principalmente quando comparado com empréstimos de bancos. “Com um IPO, as ações são vendidas e o dono levanta dinheiro, e ele não tem uma dívida com um banco ou com um credor. Por outro lado, ao fazer um empréstimo no banco, ele vai pagar aquele valor acrescido de juros, independente da empresa for bem ou for mal.”

    Outro fator importante é a imagem de uma empresa listada, “é como se fosse uma certificação, uma empresa que faz o IPO passou por etapas nas quais ela teve que se provar, o mercado entende que ela estudou para aquilo e que foi aprovada”, complementa o diretor da Santander Corretora.

Os primeiros procedimentos

O IPO, ou oferta inicial de ações, é o processo em que uma empresa oferta pela primeira vez as suas ações aos investidores, tornando assim uma companhia de capital aberto.

O objetivo das empresas com um IPO é, basicamente, captar recursos dos investidores para as suas operações, mas as vantagens podem ser ainda maiores, já que para ser listada em Bolsa essa empresa precisa atender a padrões mínimos de governança corporativa, ou seja, ela deve prestar informações, ser transparente e ética em suas práticas com funcionários, fornecedores, clientes e com a sociedade.

Dessa forma, para se tornar pública, uma empresa precisa atender a requisitos regulatórios e aos do mercado. Esse procedimento envolve alguns passos: em primeiro lugar, a companhia elabora o prospecto que será avaliado pela CVM (Comissão de Valores Imobiliários). O prospecto irá trazer informações sobre o negócio, como história da empresa, quem são os atuais donos, faturamento, perspectivas de crescimento e etc.

No prospecto também são oferecidos detalhes sobre a oferta de ações, como a faixa indicativa de preço da ação. Essa faixa de preço nada mais é do que uma projeção do valor mínimo e do valor máximo que a empresa e os bancos que estão coordenando a oferta acreditam ser justo. Vamos explicar melhor no próximo tópico.

Siga FORBES Brasil nas redes sociais:

Facebook
Twitter
Instagram
YouTube
LinkedIn

Siga Forbes Money no Telegram e tenha acesso a notícias do mercado financeiro em primeira mão

Baixe o app da Forbes Brasil na Play Store e na App Store.

Tenha também a Forbes no Google Notícias.

Copyright Forbes Brasil. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, impresso ou digital, sem prévia autorização, por escrito, da Forbes Brasil ([email protected]).