Wall Street abre as portas para mais um unicórnio brasileiro

A carioca VTEX estreou ontem (21) na NYSE, movimentando US$ 361 milhões em sua oferta .

Artur Nicoceli
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Mariano Gomide (esquerda) e Geraldo Thomas (direita) fundaram a VTEX em 2000, companhia hoje presente em 32 países

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Os cariocas Mariano Gomide e Geraldo Thomaz se juntaram à lista de empresários brasileiros que abriram capital em Wall Street. Na manhã de ontem (21), o unicórnio VTEX, multinacional com foco em SaaS (software as a service), estreou na NYSE, em um IPO que movimentou US$ 361 milhões.

A oferta foi precificada em aproximadamente 20 vezes a receita estimada para a companhia em 2022. Os papéis foram vendidos a US$ 19,00 cada, acima da faixa indicativa de US$ 15,00 a US$ 17,00, e negociados com o ticker VTEX. Foram ofertadas 19 milhões de ações, sem inclusão de lote suplementar. Em sua estreia, os papéis fecharam a US$ 22,18 com variação negativa de 3,19%.

Segundo a empresa, não há planos de lançar um BDR patrocinado no mercado brasileiro, ou seja, por enquanto, o caminho para os investidores domésticos até os papéis da companhia ainda é por meio de corretoras norte-americanas. Segundo o prospecto, a receita da VTEX no último ano foi de US$ 99 milhões, sendo que 95% é recorrente e mais de 50% vem de fora do país.

O unicórnio de capital aberto

A empresa nasceu em 2000, quando os dois CEOs concluíram o curso de engenharia mecânica na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e resolveram empreender juntos. “Nós éramos amigos de faculdade e tínhamos a teoria de que precisávamos começar um negócio logo após a graduação, porque se algo desse errado, dava tempo de arrumar”, diz Gomide.

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O primeiro negócio da dupla foi a Vitrine Têxtil, criada em 2000, com foco no desenvolvimento de softwares para o segmento – o primeiro produto foi um programa de automação de vendas. No entanto, a demanda não era suficiente e os sócios precisavam de mais capital para dar continuidade ao empreendimento.

Um ano após a fundação da empresa, eles receberam uma proposta de Carlos André Montenegro e Marcelo Franco, fundadores da Sack’s, e-commerce brasileira de perfumes e cosméticos, para transformar as lojas físicas em digitais. Cinco anos depois, eles resolveram apostar integralmente no e-commerce, lançando a VTEX.

Dois anos após a virada, a empresa quase perdeu um projeto para otimizar o e-commerce do Walmart. O presidente da gigante varejista à época, Vicente Trius, quis desistir da contratação porque a VTEX possuía apenas 12 funcionários – mas deu 30 dias para os sócios multiplicarem por cinco o número de pessoas na equipe. “Corremos com o projeto e conseguimos fechar o acordo”, diz Thomaz. “Uma das principais empresas mundiais fechou um negócio com uma das ‘menores’ empresas do mundo”, conta ele. Atualmente, a VTEX tem cerca de 1,3 mil funcionários.

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E-commerce para todos

Com 21 anos de história, grandes marcas estão no leque de clientes da companhia: Swift, Imaginarium, Vans, Sony e até a própria B3, quando se tornou a primeira bolsa de valores da América Latina com serviço e-commerce.

“Em esforços conjuntos [com a VTEX], lançamos em menos de seis meses um portal online totalmente automatizado para o mercado de capitais”, afirma em nota Rafael Teodoro, consultor de produtos da B3. Em dezembro de 2018, foi concluído o projeto que lançou uma loja digital de dados históricos da bolsa brasileira, o que possibilitou a venda de análises de diferentes ativos de forma rápida.

A companhia atua em um mercado promissor. Um levantamento do eMarketer apontou que o e-commerce mundial cresceu 27,6% em relação a 2019, com faturamento de US$ 4,28 trilhões. Em 2020, a América Latina teve destaque nas métricas, representando 36,7% das transações online.

Segundo dados da Nielsen Webshoppers, o e-commerce brasileiro faturou R$ 87,4 bilhões em 2020, alta de 41% em relação a 2019. A projeção para 2021 indica um crescimento de 26%, subindo para R$ 110 bilhões.

A VTEX possui mais de dois mil clientes em 32 países, como Estados Unidos, México e Itália. Por meio de sua plataforma, eles venderam quase US$ 8 bilhões no ano passado. A multinacional está presente ainda em 13 países, o último deles aberto em Singapura, em dezembro do ano passado. A estrutura atende demandas de CX da Motorola e da Black & Decker. Outro salto importante no mesmo mês foi a criação de um centro de engenharia em Portugal, que recebeu um investimento de US$ 18 milhões.

Ambas as operações foram fruto da captação de 28 de setembro, quando a VTEX levantou R$ 1,25 bilhão em uma rodada de financiamento Series D. O montante elevou a avaliação da empresa para US$ 1,7 bilhão – fazendo dela um unicórnio. Com o IPO, a avaliação subiu para US$ 3,75 bilhões.

Participaram dos aportes os fundos Tiger Global, Lone Pine Capital, Constellation, Endeavor Catalyst e SoftBank. Já a oferta de ações foi coordenada pelos gigantes JPMorgan, Goldman Sachs e Bank of America.

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(Com Reuters)

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