Como proteger os seus investimentos da inflação?

Brasil tem histórico de dificuldades no controle dos preços da economia; Pesquisa do Banco Central projeta IPCA a 6,79% em 2021.

Iasmin Paiva e Mariângela Castro
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Krisanapong Detraphiphat/GettyImages
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Objetivos, prazos e inflação são pontos que devem ser avaliados antes de um investimento

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A inflação no Brasil, medida pelo IPCA, deve chegar a 6,79% ao fim do ano, segundo pesquisa semanal do Banco Central. No acumulado dos últimos 12 meses até junho, o indicador saltou 8,35%. Na prática, isso quer dizer que, se você tinha R$ 100,00 em junho de 2020, hoje esse dinheiro vale R$ 91,65.

A inflação é um problema conhecido dos brasileiros. Ainda é comum consumidores lembrarem dos anos 1980, conhecida como a “década perdida”, quando o poder de compra dos brasileiros caía diariamente e a inflação atingiu 242% nos doze meses de 1985. O controle dos preços da economia veio a partir do Plano Real, lançado em 1994, mas manter dentro da meta a inflação é um desafio constante para o país.

O controle da inflação depende, principalmente, da atuação do Banco Central, que faz isso pela taxa básica de juros, a Selic. A Selic baixa favorece o consumo e aquece a economia. A Selic alta desfavorece o consumo, reduzindo a atividade econômica e contribuindo para queda da inflação.

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Por que considerar a inflação antes de investir

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Proteger o dinheiro de desvalorizações é tarefa básica de qualquer investimento, explica Lavínia Martins, fundadora da FLUXO Planejamento Financeiro. “O principal objetivo de um investimento é, em primeiro lugar, repor o poder de compra da moeda”, por isso é preciso estar sempre atento à inflação.

Para ela, antes de entender e se preocupar com a proteção da inflação, o investidor deve identificar os seus objetivos pessoais com aquele investimento. Conhecendo os objetivos com a aplicação financeira, é possível determinar o prazo que o investidor está disposto a esperar para obter retorno. “É preciso casar o prazo do título com o prazo de quando o investidor vai precisar do dinheiro.”

Ou seja, se você está investindo para uma viagem que pretende fazer daqui a dois anos, precisa alocar o seu dinheiro em produtos que ofereçam proteção contra a inflação e com prazo de resgate próximo da sua viagem, que é o objetivo financeiro neste exemplo.

Quais investimentos oferecem proteção contra a inflação?

Alguns produtos financeiros oferecem proteção contra a inflação porque são atrelados a indexadores de inflação. Por exemplo: o Tesouro IPCA+ é um título público que irá render a variação do IPCA + um percentual fixo, ou seja, se a inflação acumulada em um período foi de 6%, o seu título vai render 6% (da inflação) + o percentual fixo.

O que é importante identificar aqui é o prazo, como citamos anteriormente. Se o prazo do título atende às suas necessidades (o seu objetivo com o investimento, como no exemplo da viagem), então essa pode ser uma opção para a sua carteira.

Mas existem outros produtos financeiros atrelados à inflação. Por isso, é importante observar as características específicas de cada título. Novamente, ter os objetivos pessoais com os investimentos em mente é muito importante para determinar qual ativo é mais interessante em cada situação.

Em agosto de 2021, os títulos públicos disponíveis na plataforma do Tesouro Direto e indexados ao IPCA têm vencimentos entre 2026 e 2055, por exemplo.

Esses ativos também possuem dois modelos de remuneração para quem investe: com e sem juros semestrais, ou seja, numa opção você pode receber os juros a cada seis meses e, na outra, eles acumulam e são pagos de forma integral no vencimento.

Se você irá usar o dinheiro do investimento só no vencimento, pode optar pela opção sem o pagamento semestral. Novamente, essa decisão irá depender do seu objetivo com a aplicação financeira.

Existem ainda papéis atrelados à inflação e isentos de Imposto de Renda (IR), o que aumenta a rentabilidade líquida. Arnaldo Curvello, sócio e diretor da Galapagos Wealth Management, reforça a importância de procurar um gestor que auxilie a encontrar bons papéis de crédito privado (títulos de dívidas de empresas) atrelados à inflação, de preferência sem IR. “Uma carteira com esses ativos é a carteira que vai deixar o investidor mais tranquilo e dar o maior retorno”, avalia o especialista.

O Forbes Money compilou alguns ativos que protegem contra o aumento da inflação:

  • Tesouro IPCA

    Uma das maneiras mais seguras de proteger seus investimentos da inflação no Brasil é investir em títulos de dívidas do governo federal, isto é, emprestar dinheiro para a União. Os títulos do Tesouro Direto também são conhecidos como “títulos soberanos”, pois oferecem cobertura do Tesouro Nacional e, portanto, têm o menor risco do sistema financeiro.

    Os ativos recomendados para proteção contra a inflação são os pós-fixados. Ou seja, aqueles que acompanham a inflação. É possível escolher entre Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com juros semestrais. Já falamos sobre as diferenças.

    Vale ressaltar que para receber a rentabilidade prometida é necessário manter o valor investido até o vencimento. Os títulos públicos têm incidência de imposto de renda e, para investir, é preciso ter conta em uma corretora de valores.

    No portal do Tesouro Direto (https://www.tesourodireto.com.br/titulos/precos-e-taxas.htm) você pode simular investimentos e tirar dúvidas.

    Thiago Nori/GettyImages
  • Títulos de crédito privado

    Investimentos de crédito privado também são uma opção para aqueles que desejam se proteger das altas inflacionárias. Nestes casos, é possível encontrar rentabilidades maiores que as do Tesouro Direto e prazos de vencimento mais diversos. Porém, o risco também é maior, já que as garantias são oferecidas pela empresa – e não pelo governo, como no exemplo anterior.

    Por isso, é importante considerar a reputação de cada empresa na hora de escolher o ativo.

    Os CRIs e CRAs são investimentos de renda fixa isentos de imposto de renda e que podem ser atrelados ao IPCA (você precisa conferir na sua busca se o título oferecido tem um indexador de inflação).

    Outra opção de investimento em crédito privado são as debêntures. Estes títulos de dívida são emitidos por empresas que irão investir em projetos para crescer. Muito cuidado porque a isenção de imposto de renda vale apenas para as debêntures incentivadas e você deve avaliar se a rentabilidade prometida está atrelada a um indexador de inflação.

    Vale ressaltar que nenhum destes ativos possui garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Por isso, ainda que a rentabilidade seja superior, é importante escolher empresas com boas reputações de pagamento e não apostar toda a sua carteira nestes papéis.

    Boonchai Eedmakawand/GettyImages
  • Títulos de instituições financeiras

    Uma segunda alternativa para o crédito privado são títulos de dívida de instituições financeiras. Algumas das possibilidades de ativos nessa categoria são: o CDB (Certificado de Depósito Bancário), que emite um papel de dívida da própria instituição para a arrecadação de novos recursos, ou seja, um empréstimo com juros que pode ser emitido por bancos, corretoras e outras distribuidoras de títulos.

    Os prazos e as taxas são diferentes para cada papel, e é importante avaliar essas características individuais antes da sua compra. Aqui, novamente, veja se o seu CDB está atrelado a um indexador de inflação. Caso não esteja, saiba que o poder de compra do seu dinheiro pode ser afetado em caso de uma disparada inflacionária.

    Outro ativo disponível é a LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito Agrícola), um papel emitido por bancos para arrecadar recursos e realizar empréstimos agrícolas e imobiliários. Há um prazo mínimo de 90 dias para o resgate desse investimento, definido pelo Banco Central. Portanto, considere isso antes de investir,

    Uma última alternativa do mercado de crédito nesses moldes é a LC (Letra de Câmbio), que tem um funcionamento semelhante ao CDB, mas é emitida por financeiras ao invés de bancos. Os prazos e taxas também variam segundo a instituição emissora.

    Hiroshi Watanabe/Getty Images
  • Fundos Imobiliários

    Os Fundos Imobiliários em geral oferecem proteção contra a inflação. Os fundos de papel, por exemplo, podem ter em carteira títulos de dívidas atrelados à inflação, como o IGP-M e o IPCA, ou seja, o rendimento desses títulos é protegido contra mudanças nos preços da economia.

    Mas isso não quer dizer que o preço da cota do seu fundo também está garantido. Os fundos imobiliários são investimentos de renda variável e, portanto, os preços das cotas irão variar conforme oferta, demanda e condições gerais deste mercado.

    A regra nos FIIs é olhar a composição do fundo. Um fundo de tijolo, por exemplo, pode ter contratos de locação protegidos contra variação da inflação. Assim, o rendimento do fundo (que irá variar conforme uma série de fatores) estará protegido da inflação.

    Os riscos são maiores nesta opção, já que o desempenho final do fundo irá depender de uma série de fatores. O ponto positivo é que os rendimentos são isentos de imposto de renda.

    Krisanapong Detraphiphat/GettyImages

Tesouro IPCA

Uma das maneiras mais seguras de proteger seus investimentos da inflação no Brasil é investir em títulos de dívidas do governo federal, isto é, emprestar dinheiro para a União. Os títulos do Tesouro Direto também são conhecidos como “títulos soberanos”, pois oferecem cobertura do Tesouro Nacional e, portanto, têm o menor risco do sistema financeiro.

Os ativos recomendados para proteção contra a inflação são os pós-fixados. Ou seja, aqueles que acompanham a inflação. É possível escolher entre Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com juros semestrais. Já falamos sobre as diferenças.

Vale ressaltar que para receber a rentabilidade prometida é necessário manter o valor investido até o vencimento. Os títulos públicos têm incidência de imposto de renda e, para investir, é preciso ter conta em uma corretora de valores.

No portal do Tesouro Direto (https://www.tesourodireto.com.br/titulos/precos-e-taxas.htm) você pode simular investimentos e tirar dúvidas.

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