Das estradas ao 5G: como uma viagem mudou a estratégia de negócios da WDC

Companhia fundada por Vanderlei Rigatieti atende a 20% do mercado nacional de provedores de internet do Brasil .

Artur Nicoceli
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Vanderlei Rigatieri, CEO da WDC, viajou o Brasil por oito meses em uma caminhonete para traçar um diagnóstico da banda larga no país

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“Eu vi a evolução tecnológica in loco”, diz Vanderlei Rigatieri, CEO da WDC, companhia especializada em fibra óptica e TaaS (Technology as a Service), ao contar sobre uma viagem realizada em 2011, que pivotou seu negócio: ele viajou cerca de 50 mil km para conhecer, de perto, os provedores regionais de internet do Brasil.

O trajeto de norte a sul do país, que durou oito meses e passou por 100 cidades, foi feito dentro de uma caminhonete equipada para captar frequências de internet, semelhante a um smartphone que procura por conexão Wi-Fi. Os equipamentos de Rigatieri buscavam as frequências de rede disponíveis e analisavam sua velocidade e latência, métricas para avaliar o ‘tempo que uma página demora para abrir’, explica o CEO.

“Optei por fazer essa viagem porque o Governo Federal tinha lançado [em 2010], o Plano Nacional de Banda Larga, que tinha a perspectiva de massificar o acesso à internet, principalmente em regiões mais carentes”, diz o CEO. “Mas quando eu conversava com os nossos clientes, ninguém compreendia ao certo o que era um provedor de rede. Então, eu ergui as mangas e fui entender, explorar esse mercado.”

Ao lado dos copilotos Francisco Sérgio Toledo e Leonardo Ribeiro, o CEO foi ouvir na ponta as principais queixas dos usuários de banda larga. As lições tiradas da viagem potencializaram as operações da WDC, que hoje possui parcerias com a Nokia e a tp-link para o fornecimento de fibra óptica, além de ter desbravado outros setores, como de energia solar e enterprise.

No segundo trimestre deste ano, a companhia registrou lucro líquido ajustado de R$ 25,2 milhões, 89,2% maior que os R$ 13,3 milhões conquistados no ano passado. O Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado foi de R$ 68,5 milhões, um crescimento de 40,3% contra os R$ 48,8 milhões de 2020.

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As vendas nos segmentos enterprise e solar somaram R$ 173,6 milhões no período, alta de 130,4% em relação a abril e junho de 2020. As vendas de telecomunicações (fibra óptica) atingiram R$ 217,1 milhões, expansão de 38,6% na comparação ano a ano.

Conectando o Brasil

De acordo com o Cetic (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), existem cerca de 12.826 provedores de internet no Brasil, e a WDC atende aproximadamente 20% do mercado nacional.

Rigatieri explica que uma das vantagens competitivas do negócio é que os produtos da companhia são fabricados no Brasil, “ou seja, conseguimos reduzir o custo do produto em 20% para o provedor.”

Outra estratégia adotada por pelo executivo foi a locação de produtos (hardwares) aos clientes. “Ao invés do cliente ficar preso a um único produto, conseguíamos oferecer nossos serviços por um tempo e ele poderia ir trocando conforme a tecnologia avança”, destaca.

Mas a solução também veio acompanhada de um dos maiores desafios da companhia. “Os provedores, no começo, pensavam que iríamos monopolizar os produtos quando oferecemos o aluguel”, diz o CEO. “Mas sabíamos que precisávamos abraçar esse mercado, pois enquanto as grandes operadoras se preocupavam somente em atender os centros, os provedores chegavam no outro público.”

A viagem mostrou ainda a Rigatieri a desigualdade no acesso à internet entre os quatro cantos do Brasil. No centro-oeste, norte e nordeste, por exemplo, eram à época as regiões mais carentes do país em conexão à internet.

Segundo um levantamento de julho da Ookla, dona do SpeedTest, com o avanço da fibra optica, o Brasil apresenta em 2021 uma melhora de 69,2% na velocidade da banda larga em relação ao o ano anterior. O país está em 45º no índice global SpeedTest em velocidade de Wi-Fi e na 73º posição de velocidade média por celular.

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À espera do 5G

A conexão via tecnologia 5G promete ser mais rápida e com menos latência que o 4G, não por acaso inúmeros players do setor já se movimentam para operar com internet de quinta geração.

No Brasil, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, estimou neste mês que o leilão da tecnologia de 5G para redes móveis e de banda larga acontecerá até outubro – apesar dos pedidos do TCU (Tribunal de Contas da União) para o adiamento.

Na WDC, cerca de R$ 300 milhões devem ser investidos em tecnologia e soluções para impulsionar o 5G. Os recursos são fruto da abertura de capital da companhia, que movimentou R$ 450 milhões na B3.

“O 5G para nós é uma oportunidade enorme”, afirma o CEO. “Após a viagem, desenvolvemos um mini data center e a fibra, que o 5G precisa, ou seja, conseguiremos ampliar ainda mais o nosso leque de clientes.”

Outras duas estratégias para ampliar as vendas é o e-commerce voltado a clientes empresariais, que será lançado em setembro, com foco em ampliar a capilaridade da companhia. O novo braço tem a meta de conquistar 55% do market share nacional.

E o segundo projeto é o modelo ‘turn-key’ – em fase de desenvolvimento. “Nessa segunda ideia, ao invés de apenas alugar um equipamento, o cliente contrata toda a construção da rede, como a colocação da fibra óptica, por exemplo”, explica Rigatieri. Para os próximos anos, o CEO também planeja expandir as operações da companhia na América Latina. Até o momento, a WDC atua na Colômbia e no Panamá.

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