De estagiário a CEO: a trajetória de cinco profissionais que chegaram ao topo

Eles se destacaram em meio à multidão, e hoje lideram as companhias em que iniciaram suas carreiras .

Diana Lott e Isabella Velleda
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Para Juliana Azevedo, CEO da P&G no Brasil, identificação com a cultura da empresa foi fundamental para sua trajetória

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O caminho é longo para quem quer se tornar CEO de uma grande empresa no Brasil, mas não impossível. Algumas das pessoas que foram bem sucedidas nessa empreitada conseguiram fazer isso dentro de uma mesma empresa: começaram como estagiários ou trainees e, de promoção em promoção, subiram a escada corporativa até atingirem o topo.

Esse é o caso de Juliana Azevedo, CEO da P&G no Brasil. Ela conta que se candidatou a uma vaga de estágio na companhia por indicação de uma veterana do curso de engenharia industrial da USP. Na época, Juliana queria aprender sobre marketing, e pensava que as duas faculdades que fazia (ela também cursava direito) não lhe ensinariam tudo o que buscava.

“A colega me contou que a empresa tinha uma bagagem enorme na área de marketing, que seria uma grande escola, mas também falou muito sobre os valores e a cultura da P&G. Confesso que, aos 20 anos, foi uma conversa muito vaga para mim. Depois que comecei, logo percebi que ela estava falando do ambiente de trabalho, do perfil das pessoas, da forma como as decisões eram tomadas. Esses são os principais fatores que me prendem até hoje à P&G”, conta Juliana, ao avaliar a identificação com a cultura da empresa foi crucial na sua jornada.

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A executiva já entrou na faculdade com o sonho de um dia ser líder de uma grande empresa, mas não imaginou que seria na companhia que começou seu estágio. “No início, achava que a P&G era grande demais para mim. Pensava em possibilidades menores. Mas depois de um alguns anos, vi que era o que eu queria”, diz Juliana.

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Antes de chegar ao cargo mais alto da empresa no Brasil, Juliana atuou nas subsidiárias da companhia na Venezuela e no Panamá, e também na sede, em Ohio, nos Estados Unidos.

Mas a história de Juliana se repete em outras empresas. Aksel Krieger, CEO da BMW no Brasil, também começou a trabalhar na empresa enquanto fazia faculdade de administração, passando por escritórios na Alemanha, África do Sul e China.

Ele foi estagiário do braço de serviços financeiros da fabricante de carros de luxo, o que acredita ser um diferencial na sua carreira. Antes de assumir a presidência, foi CFO da companhia na África do Sul e no Brasil. “Essas operações são muito próximas. Quando a gente vende um carro hoje, vendemos também uma série de serviços, e os serviços financeiros obviamente são um componente importante para deixar o carro mais acessível”, diz.

Krieger conta que teve vários chefes na companhia, cada um com as suas características. “Cada um tem um estilo diferente. Tem chefes que são mais diretos, outros menos. Mas sempre tento entender de onde a pessoa está vindo, por que ela está brava, preocupada, ou ansiosa, e trabalhar com isso”, diz ele, acrescentando que inteligência emocional é essencial para liderar.

A relevância da gestão emocional para liderar organizações é também relevante para Juliana. “Temos que seguir sempre em busca do autoconhecimento, porque as escolhas pessoais e profissionais têm que estar em harmonia. Não existe profissional feliz e pessoal infeliz”, diz.

Antes de comandar a P&G, ela recusou um convite para chefiar uma subsidiária da companhia em um país da América Latina, permanecendo no Brasil por motivos pessoais. A decisão, em vez de prejudicar sua carreira, acabou criando a oportunidade de assumir a divisão de vendas. “Foi criada uma posição, que não existia, de vice-presidente comercial, na qual eu trabalhava tanto com marketing, quanto com vendas”, conta ela. “A única razão pela qual eu consegui um cargo melhor é porque eu tinha convicção de que [aquela proposta] não era para mim e que eu queria crescer na P&G.”

A Forbes compilou a história de cinco executivos de sucesso que começaram do zero e chegaram ao posto mais alto nas mesmas empresas.

  • Rodrigo Galvão, Oracle

    Rodrigo Galvão tinha 19 anos e cursava administração na PUC-SP quando ingressou na Oracle como estagiário da área de contratos. Permaneceu lá por um ano antes de ser convidado para assumir um cargo no primeiro nível de vendas, no qual negociava contratos e prospectava clientes.

    Na época, Galvão conheceu um alto executivo da área que o chamou para ir a campo. De venda em venda, ele se especializou no atendimento à área de telecomunicações e mídia. Depois de algumas promoções, tornou-se operador de vendas da América Latina.

    Galvão já tinha cerca de 15 anos de carreira na Oracle quando Luiz Meisler, vice-presidente da companhia na América Latina, o convidou para assumir a presidência no Brasil, em 2017.

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  • Marcelo Oromendia, 3M

    Marcelo Oromendia tinha 24 anos quando deixou seu trabalho na Alpargatas para ingressar na 3M como engenheiro recém formado. Natural da Argentina, ele escolheu trabalhar na companhia motivado pelo desejo de se casar com sua então namorada, Mariana.

    Cerca de 10 anos depois, em 1995, Oromendia foi convidado para atuar por três anos no programa de capacitação universal da empresa, em Minnesota, nos Estados Unidos, no setor de saúde. Lá ele iria acompanhar a aquisição de rivais norte-americanas em um momento de forte consolidação e conquista de mercado pela 3M.

    Ao longo das décadas seguintes, o executivo também passou por escritórios da empresa na Índia e na China, até chegar ao posto de presidente no Brasil no início de 2020, a convite de Denise Rutherford, vice-presidente executiva de corporate affairs, que valorizou sua ampla experiência na área e conhecimento da região.

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  • Ivan Zurita, Nestlé

    Ivan Zurita começou a trabalhar na Nestlé aos 17 anos, no início da década de 1970, como estagiário da área de pesquisa de mercado. Sua principal função era entrevistar consumidores nas ruas. Na época, ele ainda era estudante de economia na faculdade Mackenzie.

    Ao longo dos 17 anos seguintes, ele atuou em países como Chile, Suíça, Panamá e México – foi neste último que ele ganhou fama global dentro da empresa. Zurita foi responsável por dobrar o faturamento da filial mexicana entre 1997 e 2001, atuando como diretor-presidente do país.

    Em 2001, ao voltar para o Brasil, foi convidado a assumir a presidência das operações daqui.

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  • Juliana Azevedo, P&G

    Juliana Azevedo chegou à P&G em 1996 por indicação de uma colega, quando era estudante de engenharia industrial na Poli-USP e de direito na PUC-SP. Ela tinha 20 anos, fazia as duas faculdades ao mesmo tempo, e seu primeiro trabalho foi na área de cuidados femininos.

    Seu objetivo inicial era ganhar experiência e partir para outras oportunidades. Porém, a identificação com a cultura da empresa a levou a conquistar novas funções, acumulando experiências em marketing, vendas, planejamento estratégico e gestão.

    Ao longo dos anos, ela ajudou na construção do negócio da P&G no Brasil através da Pantene, e chegou ao cargo de vice-presidente de cuidados com a beleza para a América Latina. Em seguida, partiu para o cargo de vice-presidente global do mesmo setor, e finalmente chegou à presidência das operações brasileiras em 2018.

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  • Aksel Krieger, BMW

    Aksel Krieger entrou na BMW em 1999, aos 24 anos, como estagiário de análise da BMW Serviços Financeiros. Ele permaneceu na área até 2006, quando se mudou para a Alemanha para exercer o cargo de gerente de planejamento estratégico da empresa.

    Nos anos seguintes, foi enviado para trabalhar na África do Sul, ainda no setor de Serviços Financeiros, e por outros três anos foi CEO da financeira Brilliance-BEA Auto Finance Co., em Xangai. Em fevereiro de 2019, Krieger assumiu a presidência da operação brasileira, substituindo Helder Boavida, que saiu para se tornar CEO da divisão da BMW que atua em países nórdicos e bálticos.

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Rodrigo Galvão, Oracle

Rodrigo Galvão tinha 19 anos e cursava administração na PUC-SP quando ingressou na Oracle como estagiário da área de contratos. Permaneceu lá por um ano antes de ser convidado para assumir um cargo no primeiro nível de vendas, no qual negociava contratos e prospectava clientes.

Na época, Galvão conheceu um alto executivo da área que o chamou para ir a campo. De venda em venda, ele se especializou no atendimento à área de telecomunicações e mídia. Depois de algumas promoções, tornou-se operador de vendas da América Latina.

Galvão já tinha cerca de 15 anos de carreira na Oracle quando Luiz Meisler, vice-presidente da companhia na América Latina, o convidou para assumir a presidência no Brasil, em 2017.

 

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