Ibovespa fecha em queda após sessão de correção marcada por riscos fiscais

No penúltimo dia para envio ao Congresso da proposta do Orçamento de 2022, indefinições sobre precatórios e Auxílio Brasil pesaram no índice.

Diana Lott
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O Ibovespa fechou hoje (30) em baixa de 0,78%, a 119.739 pontos, em um pregão marcado pela correção nos preços após as sucessivas altas da semana passada. No penúltimo dia para envio ao Congresso da proposta do Orçamento de 2022, os riscos fiscais e políticos pesaram no índice. As indefinições acerca do pagamento dos precatórios, que chegam a R$ 90 bilhões, e do tamanho do programa que substituirá o Bolsa Família têm motivado cautela no mercado, que teme o não cumprimento do teto de gastos.

“Uma alternativa ao impasse dos precatórios e do novo programa Auxílio Brasil que não abra as portas para novas mudanças no atual arcabouço fiscal será determinante para a direção da percepção de risco nos próximos meses – e com ela, o preço dos ativos no Brasil”, diz Rachel de Sá, chefe de economia da Rico. Para o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila, a crise hídrica também traz preocupação, principalmente por causa dos riscos ao comportamento da inflação e da atividade econômica no Brasil.

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A queda das ações de bancos, que compõem cerca de 20% da carteira teórica da Bolsa brasileira, contaminaram o pregão. Os papéis do Itaú Unibanco (ITUB4) caíram 0,78%; os do Bradesco (BBDC4), 1,20%; o Santander (SANB11) recuou 0,94%, e o Banco do Brasil (BBAS3), 1,05%, em reação a notícias de que a Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) planeja apoiar um manifesto articulado pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) pedindo harmonia entre os Três Poderes, gerando receios de uma retaliação do governo ao setor financeiro. A entidade paulista voltou atrás após o Banco do Brasil e a Caixa anunciarem a intenção de deixar a Febraban por causa da iniciativa.

Entre os indicadores do dia, o IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado) desacelerou em agosto, subindo 0,66% no mês, ante 0,78% em julho, marca que ficou abaixo da expectativa de 0,91% dos especialistas ouvidos pela Reuters. O ICS (Índice de Confiança de Serviços) subiu 1,3 ponto e chegou a 99,3 pontos, consolidando-se acima do nível pré-pandemia e atingindo o maior patamar desde setembro de 2013 (101,5 pontos).

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Já o déficit primário do governo central (composto por Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social) chegou a R$ 19,8 bilhões em julho. O resultado veio acima do rombo estimado por economistas de R$ 17,3 bilhões, segundo pesquisa da Reuters. Em sumário sobre seu resultado, o Tesouro avaliou que a melhoria dos dados fiscais, principalmente o avanço da arrecadação, ressalta a importância de o governo ter circunscrito os gastos extraordinários com o enfrentamento à Covid-19 ao curto prazo.

Em Wall Street o dia foi de ganhos, com o S&P 500 registrando alta de 0,43%, a 4.528 pontos, e o Nasdaq subindo 0,90%, a 15.265 pontos. Apenas o Dow Jones fechou no vermelho, em baixa de 0,16%, a 35.399 pontos. O mercado segue repercutindo positivamente o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que afirmou na sexta-feira (27) que a política de estímulos econômicos segue inalterada até a próxima reunião do Banco Central norte-americano, programada para 21 e 22 de setembro.

O otimismo nos EUA impulsionou o apetite por risco dos investidores internacionais, fazendo o dólar fechar em leve queda de 0,09%, a R$ 5,1888 na venda, o menor patamar em quase um mês. (Com Reuters)

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