Ibovespa tem nova queda e fecha abaixo dos 120 mil pontos pela primeira vez em três meses

Dados da economia chinesa que mostraram retomada mais lenta que o esperado e turbulências políticas pesaram na Bolsa brasileira

Diana Lott
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O Ibovespa fechou hoje (16) abaixo dos 120 mil pontos pela primeira vez desde maio, em um pregão marcado pela decepção dos investidores com o desempenho da economia chinesa, reajuste para cima nas projeções da Selic e da inflação pelo Boletim Focus, além da turbulência política em Brasília. A bolsa brasileira fechou o dia com queda de 1,66%, a 119.180 pontos.

A ação da CVC (CVCB3) teve o pior desempenho na sessão, com queda de 8,56%, a R$ 17,20, após reportar prejuízo líquido de R$ 175,5 milhões no segundo trimestre, uma queda de 30,4% em relação ao mesmo período do ano passado. O mercado também digere a aquisição das ações remanescentes da VHC Hospitality, elevando a participação da CVC na empresa de 69% para 100%.

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Os papéis da Via (VIIA3), antiga Via Varejo, também estão entre os destaques negativos do dia após fecharem em queda de 6,11%, a R$ 10,61. A desvalorização ocorreu por causa do balanço financeiro do segundo trimestre, divulgado na última semana, que mostrou crescimento do lucro líquido abaixo do esperado pelo mercado.

O Boletim Focus desta segunda trouxe uma elevação da projeção da taxa Selic de 7,25% para 7,50% para o fim de 2021 e em 2022. A estimativa para a inflação deste ano ficou em 7,05%, ante 6,88% na semana passada; para 2022, o índice foi revisto de 3,90% para 3,84%.

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Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos, aponta que o mercado de renda fixa vem se tornando mais atrativo. “Na última sexta, a bolsa brasileira praticamente zerou os ganhos no ano. Então, os investidores começam a questionar se, com os juros subindo, vale ficar aplicado em renda variável e não deixar dinheiro na renda fixa”, diz ele.

Na China, o Escritório Nacional de Estatísticas informou que a produção industrial do país cresceu 6,4% em julho, ante expectativa de 7,8%. As vendas no varejo tiveram alta e avançaram de 8,5% no período, resultado também inferior aos 11,5% esperados. As autoridades chinesas afirmaram que a retomada econômica está ocorrendo de forma desigual, e que os números são consequência da disseminação da variante Delta da Covid-19 e das enchentes que atingiram o país nos últimos meses.

O índice S&P 500 cresceu 0,26% e atingiu nova máxima recorde de 4,479 pontos, assim como o Dow Jones, que fechou em alta de 0,31%, a 35.625 pontos com investidores migrando para ações de setores defensivos. O índice referência em papéis de tecnologia, Nasdaq Composite, fechou em baixa de 0,20%, a 14.793 pontos.

O dólar subiu 0,65%, a R$ 5,2791 na venda, o maior patamar desde maio. O câmbio foi pressionado pela força da moeda norte-americana no exterior e pelo recorrente clima de instabilidade político-fiscal no plano doméstico. O cenário levou o Morgan Stanley a passar para o lado pessimista sobre o real, depois de meses com recomendação otimista ou neutra.
“Grande parte da deterioração parece advir da percepção de que uma derrapada fiscal permanece como um grande risco”, disseram estrategistas do banco em relatório. (Com Reuters)

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