O que o lançamento do iPhone 13 significa para as ações da Apple

Vendas no novo smartphone devem ganhar tração com o avanço da vacinação e beneficiar os resultados da companhia.

Trefis Team e Great Speculations
Compartilhe esta publicação:
AFP/Getty Images
AFP/Getty Images

A Apple enfrenta um dos seus maiores desafios jurídicos em um processo movido pela Epic Games, que alega prática de monopólio na AppStore

Acessibilidade


As ações da Apple estão sendo negociadas em níveis quase históricos, próxima de US$ 150 por ação na Nasdaq, impulsionada pela expectativa em torno do lançamento dos novos iPhones em setembro. Mas o que o novo dispositivo significa para os papéis da companhia?

O novo dispositivo, provavelmente chamado de iPhone 13 ou iPhone 12S, deve trazer uma atualização interativa na comparação com o iPhone 12. As principais atualizações provavelmente serão para a câmera, tela e processadores, embora o design industrial deva permanecer muito semelhante aos modelos do ano passado.

LEIA MAIS: Acompanhe em primeira mão o conteúdo do Forbes Money no Telegram

A Apple normalmente vê as vendas do iPhone caírem durante anos de atualizações incrementais (as vendas caíram em 2016 e 2019, quando os modelos 6S e 10S eram o carro-chefe da companhia), mas as coisas podem ser diferentes para os novos modelos.

A economia global está se recuperando fortemente após as restrições da Covid-19, com as taxas de vacinação também aumentando. Isso deve ser um bom presságio para fornecedores de smartphones de alta tecnologia, como a Apple. Além disso, as operadoras de celular, que atrasaram as campanhas do 5G devido à pandemia com os consumidores confinados dentro de casa, provavelmente farão divulgações agressivas para promover suas redes 5G, o que pode se traduzir em melhores promoções das operadoras nos novos iPhones.

Inscreva-se para receber a nossa newsletter
Ao fornecer seu e-mail, você concorda com a Política de Privacidade da Forbes Brasil.

Além disso, ao contrário do ano passado, quando a disponibilidade do iPhone 12 foi significativamente limitada, a Apple está procurando garantir um grande fornecimento dos seus novos modelos. Segundo a Bloomberg, os fornecedores estão se preparando para a produção de até 90 milhões de novos iPhones este ano, um aumento de 20% em relação à produção inicial do iPhone 12.

Embora a escassez de semicondutores tenha se mostrado uma preocupação para a indústria de eletrônicos nos últimos meses, não vemos isso retardando o ciclo do iPhone 13. A Apple é, de longe, a empresa mais lucrativa no segmento de smartphones, com o preço médio subindo e as margens ficando mais sólidas. As margens brutas, por exemplo, dispararam para cerca de 43% no terceiro trimestre do ano fiscal de 2021, ante cerca de 38% no trimestre do ano anterior. Isso significa que a empresa deve estar em posição de pagar um pouco mais para garantir o seu abastecimento de matérias-primas na comparação com concorrentes menores, sem realmente afetar seus lucros.

Como a escassez de chips pode afetar a Apple?

Durante a divulgação dos seus resultados do trimestre neste mês, o CEO Tim Cook alertou que as vendas de produtos, incluindo o iPhone e o iPad, podem ser afetadas pela escassez de semicondutores. Embora a indústria automotiva tenha sofrido a maior parte do impacto dessa crise nos últimos trimestres, a escassez agora está se espalhando para os eletrônicos de consumo.

É improvável que a escassez afete os processadores de ponta utilizados nos dispositivos da Apple, mas os chips usados ​​para controlar monitores e funções de áudio, por exemplo, podem ser afetados. O impacto geral sobre a empresa deve ser limitado.

As taxas de crescimento de receita da Apple aumentaram consideravelmente, com vendas que poderão crescer em mais de 30% neste ano fiscal, impulsionadas pela sólida demanda por dispositivos iPhone 12, Macbooks, serviços digitais e acessórios como AirPods. A falta de chips provavelmente será mascarada por um crescimento geral sólido.

O que está em jogo para a ação da Apple?

O negócio de serviços altamente lucrativo da Apple enfrenta hoje seu maior desafio legal, após um processo da Epic Games contra a loja de aplicativos da Apple. A Epic alega que a AppStore é um mercado anticompetitivo, que prende clientes e diminui os ganhos dos desenvolvedores de aplicativos.

A desenvolvedora de jogos processou a Apple em agosto de 2020, depois que seu popular jogo Fortnite foi removido da AppStore após a Epic permitir aos jogadores burlar o sistema de compra dentro do aplicativo da Apple, evitando assim a comissão de 30% sobre as vendas.

A Apple tem contado cada vez mais com a venda de serviços digitais para aumentar sua lucratividade e estabilizar suas receitas, que têm sido um tanto voláteis nos últimos anos. Os serviços representaram cerca de 19% da receita total da empresa e cerca de 31% do lucro bruto no último trimestre.

A Apple também lançou uma série de novas ofertas de serviços nos últimos anos, desde tutoriais de fitness a podcasts pagos e streamings de vídeo. No entanto, acreditamos que a AppStore e as comissões de assinaturas de terceiros, ambos os principais alvos do processo da Epic, ainda respondem por grande parte de seus ganhos de serviços, uma vez que compreendem principalmente comissões (normalmente 15% a 30% do valor da compra).

Os dois fluxos de receita de serviços juntos representaram cerca de US$ 23 bilhões dos cerca de US$ 54 bilhões em vendas de serviços da Apple no ano passado. Logo, os ganhos da Apple podem ver um impacto significativo caso a empresa seja forçada a reduzir as comissões ou a permitir que os desenvolvedores de aplicativos ignorem a sua loja nos smartphones.

O processo chega em um momento em que gigantes da tecnologia, incluindo a Apple, têm enfrentado cada vez mais escrutínio por parte dos reguladores em relação ao seu poder de mercado. Em segundo lugar, a Apple está mais dependente de seus negócios de serviços do que nunca, com o crescimento do hardware desacelerando (os lucros dos serviços cresceram 5x mais rápido que os lucros do hardware nos primeiros três trimestres do ano fiscal de 2020).

A Apple ganhou cerca de US$ 360 milhões em comissões do Fortnite nos últimos dois anos, segundo a Sensor Tower – uma pequena quantia para a Apple, que arrecadou mais US$ 260 bilhões em receitas no ano passado. No entanto, se a Epic receber um julgamento favorável e a Apple for forçada a reduzir suas comissões ou alterar os termos de sua AppStore, provavelmente abrirá um precedente, fazendo com que outros desenvolvedores exijam termos semelhantes.

Se a Apple reduzisse as comissões de 30% para 20%, reduziria as comissões totais em cerca de US$ 7 bilhões para cerca de US$ 13 bilhões. Embora o impacto da receita fosse limitado para a Apple (menos de 3% da receita total), o impacto sobre os lucros poderia ser maior, uma vez que as comissões cobradas são muito lucrativas. Estimamos que a receita operacional da Apple seria cerca de 10% menor se as comissões fossem reduzidas, considerando que a Apple divulgou cerca de US$ 64 bilhões em receita operacional no ano fiscal de 2019.

Por fim, as comissões de 30% são, na verdade, bastante padronizadas em todo o setor. O Google, que também enfrenta um processo semelhante da Epic, bem como a Microsoft e a Amazon cobram aproximadamente as mesmas taxas em vendas de aplicativos em seus respectivos mercados. No entanto, a Apple tem muito a perder com isso, dada a escala de seus negócios. As receitas da AppStore são quase o dobro da PlayStore, do Google.

Siga FORBES Brasil nas redes sociais:

Facebook
Twitter
Instagram
YouTube
LinkedIn

Siga Forbes Money no Telegram e tenha acesso a notícias do mercado financeiro em primeira mão

Baixe o app da Forbes Brasil na Play Store e na App Store.

Tenha também a Forbes no Google Notícias.

Compartilhe esta publicação: