Vale avança na venda de minério de ferro por WeChat e blockchain

As vendas via blockchain, mecanismo usado desde setembro pela mineradora, atingiram 300 mil toneladas em agosto.

Redação
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Washington Alves/Reuters
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A mineradora vale projeta um crescimento de transações por meios digitais para os próximos anos

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A mineradora Vale aposta no crescimento de novas tecnologias para a comercialização de seu minério de ferro, após lançar neste ano um canal de vendas por meio do aplicativo WeChat, além de concluir com sucesso transações a partir da tecnologia blockchain, em uso desde 2020.

O novo Mini Programa WeChat de Transação Spot de Minério de Ferro da Vale entrou oficialmente no ar na China em 23 de abril e concluiu oito transações até agora, com a venda de 71 mil toneladas de seu produto BRBR (Brazilian Blend Fines), segundo informações compartilhadas pela mineradora com a Reuters.

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Já as vendas via blockchain, mecanismo usado desde setembro pela Vale, são mais volumosas, com a última delas em 5 de agosto superando 300 mil toneladas.

Os volumes negociados por esses novos meios digitais ainda são pequenos comparados à produção de minério de ferro da companhia prevista para este ano, de 315 milhões a 335 milhões de toneladas. Mas a mineradora projeta um crescimento de tais transações para os próximos anos.

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“Não definimos uma meta específica sobre o volume a ser transacionado no programa WeChat Mini este ano, mas esperamos ver aumentos no volume de transações em 2022 em diante. Isso está totalmente sujeito à decisão de nossos clientes”, disse a Vale em email à Reuters.

Uma pesquisa recente da consultoria Accenture apontou que digitalização e adoção de plataformas e-commerce, promovendo a simplificação de processos, são as próximas grandes tendências das indústrias de mineração e metais, com perspectivas de retornos bilionários no mundo.

Pelo menos uma grande concorrente da Vale, a anglo-australiana Rio Tinto, também faz uso do aplicativo WeChat para vender minério.

Operado pela Tencent Holdings, o WeChat começou como um serviço de mensagens e tem hoje mais de 1 bilhão de usuários no mundo. O aplicativo é amplamente utilizado na China, onde tem funções para tudo – desde pagamento de contas de serviços públicos até pedidos de pizza.

Uma das maiores produtoras de minério de ferro do mundo, a Vale acredita que, com o uso do programa, está bem posicionada “para abraçar a tendência de digitalização que oferece maior transparência, eficiência e segurança para a Vale e nossos clientes”.

A empresa disse ainda que a ferramenta permite um processo de negociação padronizado e seguro, onde clientes recebem o convite da oferta e a confirmação da transação online, e há ainda um banco de informações que permite a verificação de todos os dados históricos de transações por um smartphone a qualquer hora e em qualquer lugar.

SEGURANÇA E RAPIDEZ

A companhia também tem avançado no uso da tecnologia blockchain, a qual começou a usar no fim do ano passado.

Em sua última transação, neste mês, vendeu 318 mil toneladas de seu produto IOCJ (Carajás Iron Ore Fines) para Baowu Raw Materials por meio da plataforma de serviços financeiros de comércio internacional desenvolvida de forma independente pela Effitrade.

A tecnologia permite segurança e transparência de ponta a ponta, com visibilidade em tempo real da documentação para todos os participantes. Também há uma redução significativa da quantidade de emails e papeis utilizados, além de uma melhor experiência de usuário com o acesso a uma solução única.

EDOCS

A Vale vem empenhando ainda outras iniciativas rumo à digitalização que oferecem resultados para sua área de comercialização.

“Junto com nossos clientes e parceiros, conseguimos utilizar eDocs (Electronic Shipping Documents) para agilizar o processo de documentação e promover a coleta rápida de cargas”, afirmou.

“Essa iniciativa é importante, principalmente neste momento delicado da pandemia Covid-19, cujos protocolos de isolamento podem interferir na cadeia de suprimentos e nos seus compromissos de pagamento à Vale. Dessa forma, os eDocs não apenas melhoram o processo, mas também amenizam esse problema.”

A empresa disse que usa plataformas digitais para acelerar o processo de divisão de um único embarque, permitindo a venda de pacotes de carga para diferentes compradores, em vez de toda a carga do navio em uma única venda.

Em um processo normal de documentos, esse procedimento pode levar até duas semanas. Com o eBL (Electronic Shipping Knowledge), isso pode ser feito em um dia. (Com Reuters)

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