Vanguard se junta a Morgan Stanley e Blackrock na disputa pela indexação direta

Modalidade permite que investidores tenham carteira de ações projetada para imitar as participações de um fundo de índice ou ETF.

Jason Bisnoff
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Teradat Santivivut/Getty Images
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Indexação direta ainda deve demorar para chegar ao investidor de varejo

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O anúncio de que a Vanguard, gigante da indexação avaliada em US$ 7 trilhões, estava adquirindo a gestora de ativos Just Invest, com sede em Oakland, no mês passado, foi impactante por dois motivos. O primeiro é que foi a primeira aquisição da empresa em 46 anos de história; o segundo é que a operação fez da Vanguard a mais recente gigante dos serviços financeiros a se juntar à corrida pela indexação direta, que pode ser o próximo grande sucesso no mundo das finanças.

A indexação direta permite que um investidor individual seja dono de uma carteira de ações projetada para imitar as participações de um fundo de índice ou ETF. Isso oferece benefícios fiscais e personalização, e faz com que os consultores financeiros possam ajustar o “indexador” de um investidor com base nas preferências desse cliente ou em outras circunstâncias.

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“É realmente um grande negócio quando a Vanguard diz que está entrando na indexação direta”, disse o chefe de estratégia de planejamento da Buckingham Wealth Partners, Michael Kitces. “Eles já são um dos maiores players de indexação lá fora, então quando o líder desse segmento vê a indexação direta como o futuro e baseia sua primeira aquisição nesse cenário, isso chama a atenção.”

Com a aquisição da Vanguard, a líder do setor está escolhendo comprar em vez de construir. A atuação da empresa tem sido disruptiva na indústria de fundos mútuos, levando a uma redução dos custos de investimento nas últimas décadas. Embora fosse apenas uma iniciante quando ofereceu o primeiro fundo de índice para indivíduos, há 45 anos, a Vanguard entra na indexação direta como “um grande gorila”, diz Kitces.

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Outras grandes empresas de gestão de investimentos também entraram na indexação direta por meio de aquisições. Quando o Morgan Stanley ganhou as manchetes com a compra de US$ 7 bilhões da Eaton Vance no final do ano passado, a subsidiária Parametric, pioneira no espaço de indexação direta, veio junto. Apenas um mês depois, a BlackRock pagou US$ 1,05 bilhão para adquirir a Aperio, com sede em Sausalito, Califórnia, outro grande player da indexação direta.

Os gestores de investimentos podem usar a indexação direta para replicar um índice existente, e, ao mesmo tempo, oferecer aos clientes com alto patrimônio os benefícios fiscais da propriedade de ações individuais. A indexação direta também pode permitir que os investidores adaptem uma carteira a determinados objetivos, sendo uma ferramenta ideal para investimentos ESG e de impacto, por exemplo. Entre os principais players que já realizam esse tipo de trabalho estão a Open Invest, que foi adquirida pelo JPMorgan, e a Ethic, que é financiada pela Fidelity Investments.

Outro uso para a indexação direta é equilibrar as participações de um cliente. Por exemplo, um executivo de uma empresa de tecnologia que possui ações ou opções de seu empregador pode querer reduzir a exposição aos riscos desse setor usando um índice direto personalizado. Essa customização permite que gestores de investimentos independentes criem portfólios para clientes que os diferenciam da concorrência. Eventualmente, os investidores poderão até construir seus próprios indexadores diretos.

Os benefícios fiscais da indexação direta podem se tornar um atrativo popular para as corretoras. Mas a técnica também pode ser usada pela Fidelity ou pela Vanguard para criar mais relacionamentos entre gestores, já que é difícil para pequenos negócios oferecerem essa alternativa sozinhos. Além disso, os custodiantes podem obter mais lucro com a indexação direta do que com ETFs.

Embora este possa ser o futuro dos investimentos indexados, Kitces, um reconhecido especialista do setor, adverte que essas inovações demoram um pouco para conquistar o público. Ele observa que os trilhões em fundos mútuos tradicionais ainda superam os de ETFs, embora estes já existam há bastante tempo e venham aumentando sua participação de mercado por mais de duas décadas.

Ainda assim, a indexação direta pode explodir em popularidade entre gestores ansiosos para capitalizar sobre qualquer possibilidade de se diferenciar dos demais. Embora possa demorar um pouco, eventualmente essa inovação poderá permitir que os consultores façam índices personalizados para cada cliente – um desafio no momento, pois os consultores trabalham para ficar a par das ações de cada cliente.

A indexação direta provavelmente será oferecida primeiro a clientes de patrimônio líquido ultra-alto, mas o futuro pode incluir versões para o consumidor de varejo, seguindo uma trajetória semelhante à dos robôs-investidores que começaram como software usados apenas por gestores em meados dos anos 2000 antes de se popularizarem.

Vários consultores financeiros experientes que conversaram com a Forbes disseram que o potencial de expansão da indexação segue as tendências maiores do setor, e que o crescimento de investimento passivo e da indexação já são realidade.

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