Geração Z segue impulsionando mercado de revenda de moda de luxo

Relatório da plataforma The RealReal informou que mais pessoas compraram e venderam na economia circular em meio à pandemia de Covid-19.

Sharon Edelson
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The RealReal
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De acordo com o relatório, 45% dos compradores em 2020 eram novos no mercado, e 43% disseram que a sustentabilidade foi um fator decisivo na compra

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Os relatórios de revendas anuais da The RealReal, uma plataforma online de compra e venda de marcas de luxo, lançam luz sobre as motivações e comportamentos de sua comunidade de mais de 23 milhões de compradores e vendedores para compreender melhor as tendências que esses clientes impulsionam. O relatório de 2021, no entanto, é diferente das edições anteriores, devido ao impacto da pandemia Covid-19 no consumo de luxo.

“O movimento de revenda de luxo está experimentando um crescimento recorde, com 6 milhões de novos membros ingressando na plataforma The RealReal no ano passado”, disse Rati Sahi Levesque, presidente da empresa. “O vaivém das restrições e reaberturas por causa da Covid-19 está impactando significativamente os comportamentos de compra. Consumidores experientes estão se agarrando a investimentos de luxo, com o crescimento mais significativo visto entre a Geração Z e os Millennials.”

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“Os consumidores estão se inspirando no passado em busca de expressão pessoal, impulsionando a demanda pelo retorno do streetwear às suas raízes preppy e roupas masculinas japonesas vintage”, acrescentou Levesque. “De todas as faixas etárias, nossos dados sugerem que a Geração Z reúne os compradores mais conscientes até o momento.”

A The RealReal informou que mais pessoas compraram e venderam na economia circular em meio à pandemia de Covid-19, com a sustentabilidade levando muitos consumidores a adotar um consumo mais consciente por meio da revenda de produtos de luxo.

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De acordo com a empresa, 45% dos compradores no ano passado eram novos no mercado de revenda, 29% fizeram sua primeira compra do tipo em 2020 e 43% disseram que a sustentabilidade foi um fator decisivo para a decisão de entrar nesse mercado.

Uma das informações mais relevantes do relatório é seu ranking de marcas de luxo na plataforma. A The RealReal afirmou que, durante a crise da saúde, a demanda aumentou pelas marcas de luxo mais famosas, com a competição entre os nomes de elite se intensificando.

Houve várias novidades. A Gucci ampliou sua liderança sobre a Chanel em 24% na comparação com o ano anterior, enquanto a Dior tirou a Hermès do top 5 e chegou ao primeiro lugar da lista pela primeira vez, impulsionada por um crescimento de vestuário vintage de 747% na comparação com o ano anterior.

A Louis Vuitton a marca que registrou a maior demanda em 2020, seguida pela Gucci, Chanel, Prada e Dior. A Gucci foi a marca mais comprada e mais vendida do ano, com compras e remessas aumentando em 62% e 61%, respectivamente.

Enquanto os millennials compõem o grupo demográfico mais dominante na revenda de luxo, os principais compradores e vendedores da Gucci fazem parte da Geração X. Os fiéis à marca estão usando as peças da Gucci em camadas para completar seu visual, com os acessórios ousados da grife vendo o maior crescimento nas vendas.

A Geração Z cobiça as bolsas Gucci acima de tudo, sejam desenhadas pelo ex-diretor criativo Tom Ford ou pelo atual maestro Alessandro Michele. Os tênis estão em quinto lugar na lista de desejos do grupo, com malhas mais casuais e tops sem mangas substituindo blazers e blusas, e registrando altas nas vendas anuais de 59% e 39%, respectivamente. O relatório sugere que os consumidores perderam o gosto por jeans skinny, o que condiz com a tendência de conforto que os consumidores adquiriram durante a pandemia.

“O aumento nas compras de alto valor que percebemos após o início da pandemia acelerou este ano, sugerindo uma mudança duradoura na forma como o luxo é visto”, disse Mayank Hajela, diretor sênior de publicidade do RealReal. “As gerações mais jovens adotaram novas formas de investimento, como criptomoedas e NFTs [Tokens não Fungíveis, na sigla em inglês], e agora estão procurando produtos de luxo, que podem render retornos significativos mesmo depois de uma peça ter sido usada.”

Uma das marcas de jóias de maior valor do último ano – surpreendentemente – não tem marca, segundo o relatório. Os produtos sem logo ficaram atrás apenas da Chanel, popularizada por compradores em busca de peças únicas que expressassem seu estilo pessoal. O ranking ficou: Chanel, jóias sem marca, Louis Vuitton, Gucci e Hermès. Na categoria sem marca, as compras mais populares foram anéis de coquetel, pulseiras de correntes, colares com pingentes e brincos de gotas.

As bolsas se tornaram o novo investimento inteligente nos últimos dois anos, com o aumento do interesse em peças vintage por parte dos consumidores da Geração Z e Millennial elevando os preços das bolsas mais populares a uma taxa bem acima das transações mais recentes. Os modelos Gucci Jackie, Chanel Flap bag, Louis Vuitton Speedy 30 e Hermès Constance foram alguns dos mais cobiçados. Mas os clássicos não perderam seu espaço, já que os estilos Hermès Mini Kelly e Birkin 30 tiveram aumento de 162% e 157% na demanda, respectivamente.

A moda masculina atingiu um ponto de inflexão com os consumidores de streetwear trocando as parcerias hype em favor de um retorno às raízes do estilo. “Estamos vendo compradores de streetwear agarrando-se ao ressurgimento de uma estética preppy, uma reminiscência da influência da Polo Ralph Lauren, Tommy Hilfiger e de Nautica nos anos 1990”, disse Sean Conway, especialista em tênis e streetwear na The RealReal. “Ao mesmo tempo, conforme os pioneiros do skate e do streetwear amadurecem, eles estão combinando roupas esportivas e de uso ao ar livre em seu estilo urbano.”

Marcas como Supreme, Vetements, Yeezy e Off-White X Nike experimentaram quedas de 6%, 24%, 25% e 29%, respectivamente, enquanto a Casablanca subiu 358%, a Polo Ralph Lauren, 234%, a Salomon, 188 % e a Stüssy, 183%.

Os homens também mostraram uma predileção por designers japoneses. “A crescente disponibilidade internacional de marcas japonesas,a adoção dessas grifes por famosos e colaborações como Supreme X Yohji Yamamoto estão impulsionando um aumento na demanda por roupas masculinas vintage de marcas japonesas”, disse Dominik Halàs, autenticador master vintage da The RealReal.

“Esses designers foram os líderes do movimento dos anos 1980 ao início dos anos 2000, e criaram peças de vanguarda que não se encaixavam nas tendências comuns”, acrescentou. “Para muitas das marcas mais desejadas, que não estão mais em produção, a revenda é a única maneira de adquirir um pedaço de seu trabalho.”

Mais uma vez, a auto-expressão comanda o mercado.

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