Ibovespa cai após alta da inflação, mas encerra semana no azul

Reuniões dos bancos centrais dos EUA e do Brasil, assim como a crise da incorporadora chinesa Evergrande, ditaram o desempenho das bolsas mundiais.

Diana Lott
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O Ibovespa fechou em queda de 0,69%, a 113.282 pontos, após uma semana de grande volatilidade marcada pelos temores de um eventual calote da gigante chinesa Evergrande e pelas reuniões dos bancos centrais norte-americano e brasileiro, que definiram a política monetária dos dois países para os próximos meses. O índice teve saldo positivo de 1,65% na semana depois de encadear três altas seguidas.

O pregão de hoje foi pautado pelo silêncio da incorporadora asiática sobre o não pagamento de juros de títulos que venceram ontem (23). Cresce a desconfiança dos investidores em relação ao plano do governo chinês de organizar a quebra controlada da empresa, que já soma US$ 300 bilhões em dívidas, para evitar contaminação dos setores imobiliário e financeiro. O medo de contágio global prevaleceu ditando vendas de ativos de risco. Índices de ações pelo mundo tiveram quedas moderadas.

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Para o economista Piter Carvalho, head de renda variável da Valor Investimentos, a situação da Evergrande seguirá no radar dos investidores na semana que vem, quando as atenções estarão voltadas para a atuação das autoridades chinesas. “Acredita-se que o governo da China está fazendo a empresa sangrar para dar um recado para as outras companhias do setor, para que não operem alavancadas e com altas dívidas”, diz ele.

No Brasil, o aumento de um ponto percentual na taxa Selic, anunciado na quarta-feira (22), combinado ao resultado do IPCA-15 de setembro, fez cair as ações de setores sensíveis aos juros e à inflação, como varejo e construção civil. O indicador subiu 1,14% neste mês, o maior patamar para setembro desde a criação do Plano Real, levando o acumulado em 12 meses a 10,05%. A B2W Digital (AMER3) ficou entre as maiores quedas do dia, com recuo de 3,55%. Os papéis das Lojas Americanas (LAME4) também registraram baixa, de 2,81%.

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Do lado positivo, temos a BRF (BRFS3), que avançou 2,68% após o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovar sem restrições a compra de ações da companhia pela Marfrig (MRFG3), que já tem uma participação de quase 32% na dona das marcas Sadia e Perdigão. A Marfrig registrou alta de 1,25% neste pregão.

Em Wall Street, os índices fecharam em leve alta, com exceção do Nasdaq, que cedeu 0,03%, a 15.047 pontos. As ações da Nike (NKE), que caíram 6,17%, foram o maior obstáculo para o Dow Jones e o S&P 500, que recuaram 0,10% e 0,15%, a 34.798 e 4.455 pontos, respectivamente. A companhia alertou sobre atrasos em entregas para a temporada de compras do Natal, culpando uma crise na cadeia de suprimentos. A varejista de calçados Foot Locker (FL) também registrou forte queda, de 7,16%.

O dólar fechou esta sexta-feira em alta de 0,65%, a R$ 5,3433, engatando a terceira semana de valorização e chegando ao maior patamar em um mês. Operadores tomaram a moeda como posição defensiva diante de incertezas no Brasil e do fortalecimento da divisa norte-americana no exterior, impulsionada pela perspectiva de alta de juros nos EUA. Em setembro, a cotação avança 3,33%, elevando os ganhos no ano para 2,95%.(Com Reuters)

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