Incertezas político-fiscais e crise hídrica levam XP a ver aperto monetário e real mais fraco

Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Torres de alta tensão de eletricidade vista durante pôr do sol em Brasília

As incertezas relacionadas ao aumento do risco político-fiscal somadas à crise hídrica e à disseminação da inflação levaram a XP a projetar maior aperto monetário e pressão adicional sobre o câmbio.

“O primeiro e mais importante ponto é a incerteza fiscal e a temperatura política, com um Orçamento no Congresso que não para de pé e vai precisar ser ajustado. Às vésperas de ano eleitoral e com ambiente político como estamos vivendo, é sempre um risco para o arcabouço fiscal”, destacou o economista-chefe da XP, Caio Megale, em entrevista a jornalistas.

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Diante desse cenário, a projeção da XP para a taxa de câmbio passou de R$ 4,9 para R$ 5,2 por dólar ao fim deste ano, com o cálculo para o término de 2022 indo de R$ 4,9 para R$ 5,1 por dólar.

“Nossa avaliação é que o câmbio ainda está muito desvalorizado. Nesse patamar, acaba gerando mais inflação do que ajudando nas contas externas”, disse Megale.

Considerando que a pressão sobre a inflação está mais persistente e disseminada, a XP ainda aumentou a projeção para a taxa básica de juros Selic de 7,25% para 8,5% no encerramento do ciclo de aperto monetário, em 2022.

Atualmente os juros básicos estão em 5,25%, e o Banco Central volta a se reunir nos dias 21 e 22 de setembro para discutir a política monetária. A expectativa da XP passou agora a mais duas altas de 1,0 ponto percentual, seguidas de outra de 0,75 ponto em dezembro, levando a Selic a 8% ao fim deste ano. A elevação final do ciclo, de 0,5 ponto, ocorreria no início de 2022.

A alta mais intensa da Selic compensa os efeitos da inércia inflacionária e da taxa de câmbio mais depreciada. Assim, a XP manteve a projeção de alta de 3,7% para o IPCA de 2022, depois de uma taxa de 8,4% neste ano.

Energia

Um dos fatores que podem ajudar na forte desaceleração dos preços prevista para 2022 é a energia elétrica, depois dos aumentos de bandeiras tarifárias neste ano.

“A energia elétrica tem caráter desinflacionário para o ano que vem depois da bandeira este ano. Passaremos de uma alta de 20% da energia em 2021 para queda de 6% em 2022, simplesmente pelo efeito de bandeira tarifária”, explicou a economista da XP Tatiana Nogueira.

Mas ambos os resultados para o IPCA ficam bem acima do centro da meta do governo para a inflação, deixando a convergência completa ao objetivo para 2023, segundo a XP.

Em relação à atividade econômica, a perspectiva é de que continue em recuperação no curto prazo, com crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 5,3% em 2021. Mas as perspectivas para 2022 continuam se deteriorando, conforme os juros altos afetam as condições de financiamento e os níveis de investimento e consumo.

Para o ano que vem, a perspectiva de expansão foi reduzida de 1,7% para 1,3%. Esse cenário, no entanto, ainda pode piorar, já que não contabiliza um possível racionamento de energia.

“Para o ano que vem tem elevação das incertezas, e estimamos variações (trimestrais do PIB) bem próximas a zero. Não dá para descartar um cenário de recessão técnica”, segundo o economista Rodolfo Margato.

“No evento de um racionamento, com redução compulsória de 10% no consumo de eletricidade, isso retira 1,2 ponto (percentual) do PIB ao longo do ano, o que levaria o PIB a praticamente zero”, completou ele, ressalvando, contudo, que a XP considera esse cenário improvável, dado que a probabilidade de racionamento é considerada baixa, entre 20% e 30%.

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