Localiza e Unidas têm forte alta após Superintendência do Cade recomendar fusão com restrições

A Superintendência-Geral do Cade tem até o começo de janeiro para anunciar uma decisão sobre a união das companhias.

Artur Nicoceli e Iasmin Paiva
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Yuichiro Chino/GettyImages
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O órgão tem até o começo de janeiro para anunciar uma decisão sobre a operação

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A Superintendência-Geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) recomendou a aprovação da compra da Unidas pela Localiza, embora com a adoção de remédios que mitiguem riscos concorrenciais, que analistas consideraram mais brandos que o esperado, fazendo as ações dispararem na bolsa brasileira.

Por volta de 11h15, horário de Brasília, as ações da Localiza (RENT3) subiam 8,03%, a R$ 59,86, e os papéis da Unidas (LCAM3) saltavam 8,03%, a R$ 26,90.

Em despacho na última segunda-feira (6), o Cade afirmou que a operação gera “riscos relevantes” para o ambiente competitivo no mercado de locação de veículos, pois a Localiza, líder desse segmento no Brasil, está comprando a Unidas, sua maior concorrente.

Outra preocupação refere-se ao contrato da Unidas com a norte-americana Vanguard Car Rental, segundo o qual a brasileira representa no país as marcas Alamo, Enterprise e National, além de proibir a Vanguard de operar no Brasil. Tal contrato, na visão do órgão, tem potencial de prejudicar a concorrência.

Quanto aos segmentos relacionados à venda de veículos usados e à gestão e terceirização de frotas, a avaliação do Cade é de que não apresentam maiores preocupações do ponto de vista concorrencial.

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“A Superintendência-Geral entendeu que o ato de concentração não pode ser aprovado da forma como foi apresentado ao órgão antitruste”, afirmou no despacho.

“Para minimizar os problemas concorrenciais identificados, recomendou ao Tribunal do Cade, responsável pela decisão final, que a aprovação da operação seja condicionada à celebração de ACC (Acordo em Controle de Concentrações), com remédios estruturais e comportamentais.”

Na visão de analistas do Credit Suisse, a decisão aumenta as chances de o negócio passar pelo órgão antitruste, mesmo que com remédios.

“De fato, os remédios sugeridos no relatório do GS são na verdade menos severos do que aqueles que incorporamos em nosso valuation, o que corrobora nossa recomendação ‘outperform’ para ambas as ações”, afirmaram em relatório a clientes.

“Em contagem regressiva para a conclusão da fusão Localiza-Unidas”, escreveram analistas do Bradesco BBI, também afirmando que o Cade surpreendeu positivamente o mercado com restrições mais suaves do que o esperado para aprovar o acordo.

Eles destacaram que o Cade não solicitou à Localiza a venda da marca Unidas e nenhuma restrição foi imposta ao gerenciamento de frota e às lojas de seminovos, enquanto, entre as restrições, está a venda de parte da sua frota de aluguel e algumas lojas.

O Credit Suisse destacou que os remédios estruturais referentes à venda de parte da frota da Unidas (não divulgada), bem como de lojas de aluguel, afetarão 136 cidades e 38 aeroportos em todo o país.
A Localiza anunciou cerca de um ano atrás seus planos para comprar a Unidas por R$ 12 bilhões. O Cade tem até o começo de janeiro para anunciar uma decisão sobre a operação.

Movimento do dia

Às 11h18, horário de Brasília, quem seguia entre as maiores altas eram da Weg (WEGE3), com variação positiva de 1,98%, a R$ 37, 10, a Embraer (EMBR3), com desempenho acima de 1,81%, a R$ 21,94 e a Suzano, ocupando o quinto lugar na lista, com alta de 1,43%, a R$ 62,36.

No outro lado da moeda, a Eztec (EZTC3) estava protagonizando as maiores baixas, com queda de 5,46%, a R$ 25,13, no mesmo horário.

Seguida pela Eletrobras (ELET3), GPA (PCAR3) e B2W (PCAR3) com baixa de 4,87%, a R$ 35,96, queda de 4,66% a R$ 27,59, e declínio de 4,66% a R$ 27,59, respectivamente.

O Ibovespa tombava 2,02%, aos 115.485 pontos, às 11h25, horário de Brasília. Lucas Carvalho, analista de investimentos da Toro, declara que os ativos na sessão de hoje (8) foram impactados pelas manifestações que aconteceram ontem (7), além do impacto do IGP-DI na inflação ao produtor.
(Com Reuters)

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