Parques de diversão fazem adaptações e reformas para atrair público após queda no faturamento

Hopi Hari planeja revitalizar a Torre, brinquedo com queda livre de 69,5 metros que estava fechado desde 2012.

Artur Nicoceli
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Variante Delta e desemprego preocupam executivos de parques de diversão

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As empresas de parques de diversão, um dos setores mais atingidos pela pandemia da Covid-19, já estão buscando meios para trazer de volta o público que perderam nos últimos 18 meses – e, com ele, o dinheiro no caixa. Companhias ouvidas pela Forbes tiveram quedas entre 100% e 50% do faturamento de 2020 em comparação com o ano anterior. “Tudo por conta da pandemia”, explica Alexandre Rodrigues, presidente do Hopi Hari, que fechou o parque em Vinhedo (SP) de 19 de março de 2020 até maio deste ano.

Um dia antes do fechamento, as instalações sediaram a Hopi Night, segundo maior evento já realizado no parque. Rodrigues conta que foram investidos R$ 2 milhões – os participantes puderam aproveitar os 40 brinquedos e terminar a noite com uma balada.

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Depois da reabertura, o Hopi Hari tem recebido apenas 65% do máximo de visitantes diários, segundo o executivo. “É necessário higienizar os brinquedos, o que causa lentidão e aumenta as filas. Não estamos operando com 100% para não ocasionar aglomeração”, explica o presidente.

No entanto, o público diz que o sentimento é de lotação. Lucas Miam, de 23 anos, foi ao parque em 4 de setembro para aproveitar a noite do terror com mais 18 amigos, mas contou que ficou cerca de 3 horas e meia na fila da Montanha-Russa Superman e 1 hora e meia esperando para entrar na Montanha-Russa Vurang. “Estava um absurdo de lotado”, conta.

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Neste mês, o Hopi Hari retomará a Hora do Horror, um de seus eventos mais populares e que já está na 20a temporada. personagens para assustar o público e novas atrações lançadas especialmente para a festa. O ingresso custa R$ 109,90 por pessoa. O custo médio da entrada nos principais parques de diversão do país é de R$ 109,00 durante a semana e R$ 125,00 aos finais de semana.

Para 2022, o Hopi Hari planeja reformar a Torre, que está fechada desde 2012, quando Gabriela Yukari Nichimura, de 14 anos, morreu após cair de uma altura de 69,5 metros, equivalente à de um prédio de 23 andares, após o brinquedo dar um tranco no assento.

O cenário ainda é complicado, mas a diversão não pode parar

Assim como o Hopi Hari, outros parques viveram uma montanha-russa de emoções nos últimos 18 meses. Segundo as empresas ouvidas pela Forbes, a maior dificuldades é passar confiança ao público de que medidas sanitárias de prevenção à Covid-19 estão sendo aplicadas.

O Parque da Turma da Mônica, em São Paulo, está fechado desde 16 de março, mas planeja retomar as operações neste mês. Seu diretor-executivo, Marcelo Beraldo, conta que a empresa só não quebrou porque faz parte do Grupo Empresarial São Joaquim, que possui negócios em diferentes áreas, como o agronegócio. “Por isso não tivemos que recorrer a empréstimos bancários”, explica Beraldo. Antes da pandemia, o parque tinha aproximadamente 450 mil visitantes ao ano e o preço médio de um ingresso era R$ 77,00.

No entanto, para manter os 200 funcionários, a companhia teve que aderir ao BEm (Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e Renda), medida do governo federal para a manutenção dos empregos. Segundo o Ministério da Economia, o programa preservou 10 milhões de empregos em 2020. Entre abril e agosto deste ano, mais de 2,6 milhões de trabalhadores e 634 mil empregadores se beneficiaram do programa.

Para Beraldo, a dificuldade hoje é se reconectar com o público. “ O alto índice de desemprego [14,1% no 2º trimestre, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)], a redução no poder de compra do brasileiro são pontos sensíveis para nós”, afirma.

Como saída, o diretor-executivo está investindo em tecnologia, como filas virtuais por reconhecimento facial. “Devemos lançar o sistema assim que as máscaras deixarem de ser necessárias”, conta. A empresa não planeja nenhuma nova atração no futuro próximo. “Nosso objetivo agora é voltar a operar de forma segura e com todas as medidas sanitárias necessárias”, explica.

O Thermas dos Laranjais, parque aquático localizado em Olímpia (SP), também segue essa estratégia. O local foi o quinto parque de águas mais visitado no mundo em 2019, segundo o levantamento da empresa mutinacional de engenharia TEA/AECOM, com 1,84 milhão de clientes naquele ano. Hoje, a companhia opera com 80% da capacidade de público.

Em 2020, o parque teve uma queda de 50% no faturamento em comparação com o ano anterior. Para o vice-presidente do Thermas, Jorge Noronha, pesou sobre a companhia o fato de que suas atividades representam 70% da economia do município. “A nossa sorte é que muitas vezes o público comprou ingressos sem ter certeza se abriríamos algum dia”, declara.

O Thermas ficou fechado de março de 2020 até outubro, quando abriu as portas, mesmo com capacidade reduzida. O parque teve que suspender as operações novamente entre dezembro e maio de 2021.

Como forma de atrair o público novamente, a empresa ampliou os brinquedos infantis, o Rio Bravo, uma atração em que o público desce um rio com uma leve corredeira em cima de uma boia, e o Lendário, um conjunto de toboáguas com temática folclórica.

Para o segundo semestre, o plano é iniciar as obras do Clube Social. “Será um lugar de lazer para os associados ao Thermas com campo de futebol, quadra de tênis, academias e quiosque para churrasco e piscinas”, diz Noronha, acrescentando que a empresa quer lançar, em 2022, tobogãs inéditos no Brasil em 2022.

O que assusta o diretor, e os executivos dos outros parques de diversão, é a variante Delta, que já foi detectada em 181 municípios brasileiros, segundo a CNM (Confederação Nacional de Municípios). Nos EUA e na Europa, autoridades de saúde já começaram a reintroduzir medidas restritivas para conter sua disseminação.

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